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todas queriam usar meia-calça
como a escassez de nylon durante a Segunda Guerra transformou as meias em um objeto de desejo.

hey!
Tem uma peça que provavelmente quase toda mulher tem no guarda-roupa e que é capaz de transformar — e salvar — os looks mais básicos: a meia-calça. Mas ela teve um longo caminho até chegar onde está hoje e, durante a Segunda Guerra Mundial, chegou a ser um dos itens mais desejados pelas mulheres.
Nesta edição, conto um pouco dessa história e compartilho como gosto de usar meias-calças rendadas.
Convidei a Roberta Zarzur para falar sobre como ela constrói camadas nos seus looks, além dos meus Smart Finds da semana & more.
Espero que gostem! 🤍

Sempre me intrigou muito a origem das peças de roupa que são totalmente cotidianas. Eu sempre quis entender como, quando e por que cada peça surgiu. Quem foi a pessoa que inventou a jaqueta, as meias, os sapatos… e principalmente de onde surgiu a necessidade de inventá-las. A história das meias-calças é uma das mais curiosas — e também uma das que mais acontecimentos carregam pelo caminho.
Existem relatos do uso de “meias” desde o Egito Antigo — eles usavam panos amarrados nos dedos dos pés, nada parecido com o que temos hoje em dia. A partir do século XVI, a Rainha Elizabeth I passou a usar alguns dos primeiros pares de meias de seda, um material caro e associado à nobreza. Na época, o item era usado principalmente pelos homens, já que as mulheres raramente deixavam as pernas à mostra.
Com o passar do tempo, as meias foram evoluindo e surgiram as famosas meias 7/8, presas por ligas. Confeccionadas em seda, eram extremamente caras e demoradas de produzir, o que tornava o item muito exclusivo.
No fim do século XIX, surgiu uma alternativa à seda: o rayon, uma fibra produzida a partir da celulose da madeira. Mais acessível e fácil de produzir, o novo material ajudou a popularizar as meias, enquanto as saias começavam, ainda que discretamente, a subir e deixar mais das pernas à mostra.
Mas dava para ir além. Em 1928, o químico Wallace Carothers foi contratado pela empresa DuPont para pesquisar novos materiais sintéticos. Anos depois, seu trabalho levou ao desenvolvimento do nylon, uma fibra sintética produzida a partir de polímeros derivados de petróleo que revolucionaria a indústria têxtil.
Em outubro de 1939, a DuPont apresentou suas primeiras meias femininas de nylon. O sucesso foi imediato: 4 milhões de pares foram vendidos em apenas um dia. A publicidade apostava justamente no contraste que tornava o material tão revolucionário — eram anunciadas como resistentes e fortes como o aço, sem perder a delicadeza esperada de uma meia feminina.

Poucos anos depois, a Segunda Guerra Mundial começou e o nylon passou a ser destinado quase exclusivamente à fabricação de paraquedas, cordas e outros equipamentos militares. De imediato, as mulheres começaram a estocar as meias que ainda conseguiam encontrar. Com a escassez, porém, o item se tornou tão disputado que alguns pares chegaram a ser vendidos no mercado clandestino por US$ 20 — uma pequena fortuna na época, equivalente a cerca de R$ 1.300 nos valores atuais.
Mas a escassez também fez florescer a criatividade das mulheres. As que não conseguiam comprar no mercado negro, começaram a desenhar linhas de costura nas pernas para imitar o efeito das meias-calças — pesadelo de qualquer um em dias de chuva.
Em agosto de 1945, apenas oito dias após a rendição do Japão, a DuPont retomou a produção de meias de nylon. O resultado foi chocante: em novembro, cerca de 30 mil mulheres se aglomeraram diante das lojas de Nova York em busca do item que havia se tornado um dos mais desejados do pós-guerra.
Alguns anos depois, em 1959, surge a meia-calça como conhecemos hoje. Allen E. Gant revolucionou a categoria e eliminou completamente a necessidade de ligas e cintas para prender as meias. A inspiração veio de dentro de casa: sua esposa, grávida na época, achava desconfortável usar meia, cinta e cinta-liga separadamente.
Nada na moda é mera coincidência. Nos anos 60, a minissaia se tornou uma das maiores tendências da época e uma das evidências visuais mais marcantes da revolução que estava acontecendo na vida das mulheres no pós-guerra.
A combinação de minissaia e meia-calça era a materialização de juventude, independência e ruptura do guarda-roupa da geração anterior. As tendências não apenas refletiam as mudanças sociais, mas ajudavam a moldá-las.
A história da meia-calça também acompanha a própria transformação do corpo feminino diante da moda: à medida que as saias encurtavam e mais pernas passavam a ser expostas, as meias-calças se tornaram símbolo de expressão e estilo.
E ela foi acompanhando as necessidades das gerações: anos 60 eram coloridas, estampadas e com texturas, deixando de ser invisível. Nos anos 70, surgem versões mais opacas e estampadas. Já nos anos 80, o power dressing tornou as meias-calças quase que um item essencial em todos os looks. Nos anos 90, versões mais minimalistas surgem e tomam conta das fashionistas. E nos anos 2000 a meia se consolida como acessório fashion com fishnets e rendas.

No fim, é curioso pensar que a meia-calça, hoje tão cotidiana, é resultado de séculos de mudanças tecnológicas, sociais e culturais. Ela nasceu da necessidade de proteger as pernas, passou por mãos de nobres, guerras, escassez, invenções químicas e revoluções no guarda-roupa feminino até se transformar em um dos acessórios mais fashionistas da moda.
Quase nada do que usamos hoje surgiu pronto, como uma ideia limpa na cabeça de alguém. Cada peça carrega uma resposta a algum problema, desejo ou mudança de seu tempo.


Shop my cool finds 🙂
Colete A.Niemeyer: sou uma grande fã de coletes, acho que são uma terceira peça que da muito estilo pro look. Amei esse, a combinação de cores é linda
Calça Francesca: cor neutra e modelagem extremamente autentica, uma peça perfeita para montar looks com informação de moda
T-shirt Zara: a frase diz tudo.
Mocassim Schutz: adorei as cores e fica lindo com meias coloridas
Bolsa Mybasic: amei a cor, modelagem e tamanho.

The art of layering w/ Roberta Zarzur
![]() | Oi, prazer :) sou a Roberta de Seabra Zarzur, mais conhecida como Roberta Roberta Robertas ou 3 Robertas, como preferirem. Sou formada na faculdade Santa Marcelina em estilo, mas meu caminho na moda acabou tomando outros rumos, além da criação, que jamais imaginei. Foi no estágio o meu primeiro contato com comunicação, trabalhei em uma agencia e desde lá aprendi muito sobre marketing de influencia. Trabalho no mercado de moda há mais de 13 anos, ampliando meu conhecimento nas áreas de curadoria, desenvolvimento de produto, estratégia comercial e branding. Passei por marcas como Dior e nk, onde aprimorei meu olhar, refinei meu estilo e fortaleci minha identidade. Hoje, abrangi meu portfólio para criação de conteúdo, onde me conecto com marcas que dialogam com meu estilo de vida. Além de compartilhar meu olhar sobre moda e styling, minhas curadorias apuradas que abrangem diversos universos, minhas pesquisas e inspirações, indo muito além da moda. |
Quando pensamos em camadas, a primeira imagem que vem à mente costuma ser a de casacos no inverno. Não é a toa que as pessoas vivem falando que ficam mais chiques nessa estação, mas hoje eu vim te contar que com um bom styling o lookão pode vir em todos os dias do ano!
Camadas são uma das ferramentas mais inteligentes para transformar um look. Elas criam profundidade, movimento, adicionam personalidade e fazem até as combinações mais básicas sairem do óbvio. São elas que vão dar o toque fashionista no seu look para parecer que ele saiu do Pinterest!!!!!

Nesta edição, compartilho algumas das minhas formas favoritas de construir um look através das camadas.
Step 1 (& the MOST important) Deixe to-das as camadas aparecerem

O segredo está em não esconder as peças. Escolha uma peça como base: pode ser uma camiseta, uma camisa, uma segunda pele, o que vale é elas aparecerem (!!!) Como a gola da camisa por baixo do tricô, os punhos que ultrapassam o blazer ou a barra da camiseta surgir sob uma jaqueta. São esses pequenos detalhes que criam profundidade e fazem o look parecer naturalmente mais interessante.
Step 2. How it roll: Proporções fazem toda a diferença

O segredo não está na quantidade de peças, mas na diferença entre seus comprimentos e volumes. Uma camisa mais longa que aparece alguns centímetros abaixo do casaco, uma t-shirt sobre um vestido de alça ou uma blusa que aparece sua barra porque o suéter de botão não é fechado por inteiro. São nesses contrastes que o visual vai crescendo.
Step 3. Aqui vai para as mais ousadas: misture as cores, mas principalmente as texturas

O mix de cores é um truque infalível para destacar ainda mais as camadas, mas se você ainda traz texturas diferentes, você ganhou o jogo rs Uma t-shirt de algodão branca, em baixo de uma camisa listrada com um shorts de renda UF. Quando as texturas conversam entre si, o look ganha riqueza visual, mesmo se você trouxer elas dentro da mesma cartela de cor.
Step 4. As mais básicas também tem vez: A terceira peça continua sendo um clássico styling

Camisa, suéter, blazer, colete, trench coat, jaqueta, nossa são milhares de peças… É essa terceira camada que vai elevar seu look simples. E se você acha que elas são só para looks invernais, é ai que você se engana! Nem tudo no look precisa ter funcionalidade, amarre essa terceira peça na cintua ou nos ombros só pelo styling.
Step 5. Para coroar o seu look: os acessórios também são nossos aliados

Colares de diferentes comprimentos, pulseiras e braceletes sobre a manga de uma camisa, cintos (sim, no plural porque double belt é iconic!), meias aparentes, lenços e até broches fazem parte da construção de um visual em camadas. Layering não acontece apenas nas roupas.
No fim, construir camadas é menos sobre adicionar peças e mais sobre criar intenção. São esses pequenos detalhes que fazem um look parecer pensado, equilibrado e muito mais fashion.

Confesso que é bem recente a minha paixão por meias-calças. Quando comecei a usar, estava bem playing it safe e apostava apenas em cores neutras — mais especificamente, na clássica meia-calça preta.
Nos últimos meses, comecei a me sentir mais confiante para explorar novas combinações e agora estou completamente obcecada por meias-calças rendadas.
A Calzedonia tem várias opções lindas, então escolhi as minhas quatro favoritas para montar quatro propostas diferentes de looks — do mais básico ao mais noturno.
#1 - back to basics

Acho que é quase impossível errar com uma camiseta branca e uma parte de baixo mais básica. Esse foi o primeiro look que escolhi porque sei que é o mais fácil de agradar. Aqui, a meia-calça vira a protagonista da produção. E, claro, precisava adicionar um elemento mais divertido: uma clog bem alta, nada básica.
#2- mix & match

Essa meia-calça marrom virou a minha favorita. Combinei com uma minissaia no mesmo tom, uma blusa de seda com detalhes em renda e uma bota cheia de personalidade, com fivelas.
O que deixa esse look interessante é justamente a mistura de texturas e materiais. Brincar com camadas é um exercício de experimentação — não existe segredo nem fórmula mágica. É testar, combinar e se permitir arriscar.
#3 - oversized everything

A meia-calça rendada traz um toque delicado e feminino ao look, então gosto de criar contraste com peças de proporções maiores, como um blazer oversized.
A ideia aqui é justamente brincar com esse equilíbrio entre o delicado e o estruturado, criando uma combinação um pouco mais inesperada.
#4 - lace with lace

Por fim, quis brincar com diferentes escalas de renda. Escolhi um vestido com barra e detalhes rendados e combinei com uma meia-calça de desenho mais discreto e delicado.
Adorei o resultado desse "renda sobre renda". Para finalizar, uma jaqueta de couro oversized entra para equilibrar as proporções e deixar o look ainda mais cool.
#Extra tip

Usar meia-calça por baixo da calça jeans e dobrar a barra é um truque simples que deixa o look muito mais interessante.
Eu usei assim com uma calça jeans, uma T-shirt branca e uma sapatilha que deixava bastante da meia à mostra. É um detalhe pequeno, mas que faz toda a diferença na produção.


🧠Vi essa notícia sobre um smart ring que não mede seu sono, seus passos ou qualquer outro dado sobre a sua saúde. Ele faz apenas uma coisa: te ajuda a praticar mindfulness. A ideia é que o anel vibre em momentos aleatórios no seu dedo, como um pequeno lembrete para você voltar a atenção para o presente. Juro que, quando li isso, tive uma sensação estranha. Precisamos mesmo gastar US$ 229 para conseguir estar presentes no momento? Nossa atenção está tão escassa assim? Se você chegou até essa parte da newsletter, já é um ótimo sinal! Mas fiquei overthinking sobre como estamos, cada vez mais, dependendo de gadgets para nos ajudar a fazer coisas que sempre foram extremamente naturais — e comuns — para gerações anteriores.
👀Achei muito interessante essa nova função da Jo Malone de usar IA para transformar o gosto visual de uma pessoa em uma recomendação de fragrância. A experiência conecta uma pasta do seu Pinterest e analisa tudo o que você salvou ali — cores, lugares, texturas, imagens, estética, rituais e referências visuais — para, a partir desse universo, criar uma seleção personalizada de perfumes da marca. Acho que existe uma oportunidade muito interessante por trás disso. Perfume ainda é uma categoria extremamente difícil de vender online: você não consegue sentir a fragrância, testar na pele ou entender suas nuances através de uma tela. Por isso, muitas marcas acabam dependendo do varejo físico para converter a venda.
📚Comecei a ler Orgulho e Preconceito. Sim, estou atrasada demais. Meu primeiro livro da Jane Austen foi Razão e Sensibilidade e confesso que me envolvi muito com a história e, principalmente, com a escrita dela. Todos os personagens são extremamente profundos e bem construídos, e não existe aquele grande plot que precisa sustentar a história inteira — são, na verdade, vivências, relações, pequenas situações e sentimentos. E eu amo isso. Estou adorando a leitura até agora e, quando terminar, venho contar o que achei.

Se tem uma marca que sabe investir em artistas e em criações que fogem do óbvio, essa marca é a Hermès.
A maison vem construindo uma relação cada vez mais próxima com ilustradores, animadores e artistas, convidando esses nomes para criar campanhas, conteúdos e até redesenhar espaços digitais da marca. Eles estão trazendo para a comunicação cada vez mais autoria, tempo e mão.
E isso ganha ainda mais força em uma era em que a inteligência artificial tornou possível produzir imagens em segundos. Enquanto tantas marcas começam a incorporar o AI-generated content às suas campanhas, a Hermès reforça o valor do que é feito por uma pessoa — do traço imperfeito, da textura, do detalhe e de uma estética que não poderia ser exatamente replicada por outra pessoa.
É quase como levar o savoir-faire artesanal da maison para além dos produtos. O mesmo valor que existe em uma bolsa feita à mão aparece também na maneira como a marca se comunica: atenção e valorização dos detalhes.
O exemplo mais recente está no próprio site, onde chamaram a ilustradora Sarah Martinon para redecorar cada canto online. O resultado é lindo — e vale muito a visita: hermes.com

🦋To amando os conteúdos da Valentino. Esse em especial, ta lindo demais.
☕️Quero muito visitar esse café da Sporty&Rich que fica dentro da loja flagship
🍝Amo conteúdos fora da caixinha. A J.Crew arrasa nesse quesito
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