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exposição, privacidade ou controle?
uma roupa nunca é apenas uma roupa

hey!
reassistindo o desfile de Haute Couture da Chanel pela 15ª vez, percebi que todas minhas peças favoritas tinham a mesma característica: transparência. Vendo esse vídeo, percebi que era algo geral e muito mais profundo, e que eu precisava explorar.
Convidei a Lucia, fundadora e diretora criativa da COSMO, marca referência em tule, para complementar com suas percepções.
Além disso, trouxe meus favoritos da semana e meus cool finds.
espero que gostem :)
have a nice reading!


Poucas coisas na minha vida ficaram tão presas no meu pensamento quanto a calça jeans de seda que o Matthieu Blazy fez na última coleção de alta-costura da Chanel. Na hora em que eu vi, fiquei obcecada. Depois, quando vi vídeos e fotos dela em detalhe, fiquei ainda mais apaixonada. Aquela coleção inteira foi um acontecimento — e uma das evidências de um movimento na moda que está ressurgindo: a transparência.
Dior SS26, Chanel SS26, Chanel Haute Couture, Fendi SS26, Chloé FW25… A lista é grande, e diversas marcas vêm apostando em tecidos transparentes nas passarelas. Este texto não será sobre uma simples tendência de moda, porque a moda sempre é that deep.
Nunca é coincidência quando marcas com códigos e estilos completamente distintos comunicam a mesma coisa, ainda que de formas diferentes. É um código, um sinal claro que aponta para algo que estamos vivendo, e que talvez ainda não estejamos enxergando com a clareza necessária.
Uma pergunta que sempre devemos fazer quando algo volta com frequência às passarelas é: por que agora?
Por que, em um mundo saturado de visibilidade e exposição, trazer ainda mais exposição e visibilidade seria uma boa ideia?

Vivemos mudanças comportamentais em uma velocidade muito maior do que antigamente. Não demorou mais do que cinco anos para o Instagram sair de uma rede social de fotos descontraídas e repletas de hashtags e se tornar uma plataforma que roda uma economia própria, e que mudou nossa imagem de sucesso, de padrão de beleza, de produtividade, de moda… Mudou basicamente o jeito que vivemos e pensamos.
Um dos principais efeitos colaterais dessa mudança foi a hiperexposição. Não fomos feitos para receber tanta informação da vida alheia. Nosso cérebro busca se alimentar de informações importantes para a nossa sobrevivência e desenvolvimento, e estamos entupindo-o com dados completamente irrelevantes sobre pessoas que nem conhecemos, entrando no famoso brain rot.
Essa exposição nos fez perceber rapidamente o luxo que é a própria privacidade. Jout Jout cantou essa bola cedo e foi visionária ao largar as redes e ir morar no mato.
Com uma mente cada vez mais voltada para a privacidade, o lógico seria optar por roupas mais fechadas, certo? Mas é aí que entendemos que a moda raramente escolhe o caminho óbvio — ela sempre vai mais fundo.
A transparência está voltando de uma forma completamente diferente. Ela não é mais a tendência que bombou nos anos 90 junto com o grunge e marcou as passarelas de Alaïa, John Galliano, Prada… Agora ela surge de maneira controlada, quase dizendo: “eu escolho quanto e o que quero expor”.
A transparência sempre teve um papel importante na moda. Mas é fundamental não olharmos cegamente para esse retorno com apenas os olhos do empoderamento, como tantas vezes fizemos. Ela vem mais leve, mais pensada, mais racional. Até porque visibilidade é completamente diferente de confiança. E se sentir livre é muito diferente de se sentir observada.
Até os anos 90, o tecido transparente nas roupas femininas era visto como um completo absurdo. Era fortemente associado a sex symbols como Marilyn Monroe, nos anos 60, e Clara Bow, nos anos 20 — algo quase impuro e profano. Em 1913, inclusive, os chamados “saias e vestidos raio-X” foram proibidos pelo prefeito de Portland, e o The Oregon Daily Journal estampou uma capa afirmando que essas peças eram causa de divórcio.
Até hoje ainda existe uma certa estranheza com o mostrar demais — mas de outra forma. Vivemos a era da magreza extrema; mostrar mais o corpo acaba se tornando um movimento quase inevitável diante desse cenário. Mas já entendemos que, muitas vezes, o que chamamos de “empoderamento feminino” pode acabar sexualizando e reforçando ideias contraditórias.
É aí que entra a nova era da transparência. Pensada, feita conscientemente, com camadas que comunicam luz e controle pessoal. Ela vem mais equilibrada. Se a saia é mais transparente, a blusa e o sapato são estruturados e fechados. Se a blusa mostra mais, a calça vem para complementar junto com os acessórios.
Na Chanel, ela surge elegante, quase sussurrada, compondo nos detalhes, até nos acessórios. Uma camada de luz e suavidade sobre a roupa. Já na Prada, aparece de forma mais estruturada, pensada, quase lúdica. Na Fendi, vem discreta, contida, quase modesta.

reprodução: TagWalk
A transparência admite múltiplas interpretações e maneiras de existir. Mas algo atravessa todas elas: a ideia de controle sobre a própria exposição. Sobre o que escolho mostrar ao mundo, e até onde me sinto confortável em revelar mais de mim, podendo ser uma super exposição ou apenas um pequeno pedaço transparente na peça.
É uma leitura do que estamos vivendo e do caminho que estamos traçando. Afinal, uma roupa nunca é apenas uma roupa.


Shop my cool finds 🙂
Livro de geleias Zara Home: eu achei esse tópico extremamente interessante e eu super quero fazer as mais de 70 receitas de compotas e geleias que tem nesse livro. Achei um ótimo presente pra quem gosta de cozinhar, além de ser lindo.
Blusa bordada Zara: linda, delicada e adorei muito o look inteiro da foto. Bem cool e effortless.
Bolsa mesh H&M: muito cool, mas tem que tomar cuidado com o que coloca dentro e por onde anda… Enfim, dito isso, usaria para trabalhar e colocar meus cadernos e coisas de trabalho.
Calça Fiozato: adorei a estampa, é uma calça bem marcante que da para usar com peças básicas.
Tênis New Balance: eu tenho esse tênis preto e branco e é um dos modelos mais confortáveis do meu armário, achei essa cor linda!

Transparência na COSMO w/ Lucia
![]() | Oi! Sou a Lucia, fundadora, diretora criativa e designer por trás da COSMO. Por volta de 2016 passei por uma revolução pessoal onde passei a me ver com olhos mais confiantes e isso mudou a forma como eu enxergava a minha beleza e, por consequência, a beleza de todas nós. A praia é o meu lugar no mundo, e o biquíni é a roupa que a gente nunca vai vestir pra fazer algo chato. Empreender então foi natural pra mim. Meu desejo era, e é, ver cada vez mais mulheres redescobrindo a experiência de vestir um biquíni pensado para o nosso bem estar. Em 2017 lancei a marca com alguns biquínis, cada modelagem resolvendo uma questão. Conforto e autoconfiança andam juntos - essa é a premissa da COSMO para as nossas peças. |
Em 2020 vivemos uma pandemia e isolamento social e o efeito rebote veio com a notícia da vacina. Passamos a sentir o desejo de expressar entusiasmo, viver mais e melhor, aproveitar tudo assim que a vacina estivesse disponível, e isso se refletiu no coletivo em tendências mais coloridas, vivas, entusiasmadas mesmo. Esse sentimento me marcou bastante e, refletindo sobre como é o estilo e energia da “mulher COSMO” para além da praia, e estudando as bases, fiquei fissurada pelo tule.

O tecido é leve, não amassa, tem o elastano que acompanha nosso corpo e várias possibilidades de modelagens, a base perfeita para dar continuidade nessa história. Claro que a transparência traz uma ousadia a mais e desafia códigos, mas o Rio tem essa energia e apostei que nosso público iria entender… testamos o tule como base para algumas peças, sempre sem forro (porque a ideia é não se esconder) e acho que, de alguma forma, o mix entre as estampas e modelagens trouxe uma nova linguagem mais urbana e fresca para um tecido que até então ficava só no litoral.
Deu muito certo e revolucionou o mercado, e acredito que a proposta da transparência com nossa estamparia autoral trouxe um senso de revolução para a mulher que já busca se diferenciar e ter um “molho” a mais.
Digo isso porque em pouco tempo passamos a ver o tule em cenários completamente urbanos como São Paulo e em mulheres 35+, e toda nossa grade do PP ao GGG com muita demanda, o que me fez perceber que essa mudança de paradigma aconteceu no coletivo.
Quase seis anos depois vemos o tule em praticamente todas as marcas de moda feminina e isso me enche de orgulho menos por ter virado uma referência para grandes marcas que demoram para inovar e mais por entender que estamos querendo brincar mais, nos expor mais, e tendo mais autonomia e confiança com o próprio corpo, estando mais à vontade na própria pele e querendo mostrar isso para o mundo.
Moda pra mim é sobre impacto positivo e acho que o boom da transparência usada da praia às ruas cumpriu esse papel superbem.


Minhas últimas semanas foram intensas — e cheias de coisas boas pra contar por aqui.
Acabei O Morro dos Ventos Uivantes e fui na pré-estreia ver o filme. Amei o livro. A escrita é envolvente e é impressionante como a Emily Brontë constrói personagens tão profundos e complexos. Você entende as motivações, mas isso não significa que você goste deles — pelo contrário. Durante a leitura, eu sentia quase um asco constante de boa parte dos personagens.
O filme eu gostei, mas senti que muita coisa da história original ficou de fora (o que eu não acho necessariamente ruim). O foco é quase exclusivamente no romance entre Catherine e Heathcliff, deixando de lado as camadas mais problemáticas da trama. Tive a sensação de que a diretora quis suavizar uma história que está longe de ser leve — e definitivamente não é romântica. Dito isso: a sala inteira chorou (eu inclusa).
Falando em cinema: comam a pipoca de M&M do Cinemark. É de chocolate, com calda de chocolate branco. Bem chocolatuda. Zero arrependimentos.
Também tive o evento da nk com Ara Vartanian. Foi uma listening session com a dupla Veraneios — eles tocam vinil — e foi muito legal, diferente, daqueles eventos que realmente criam atmosfera. Usei look all nk: jaqueta e calça da marca, e obviamente meu mocassim da Loja 3, que uso literalmente todos os dias da minha vida.
Eu odeio mudar pedido em restaurante, e traí meu clássico buffet de salada no Muza. Estava chovendo e achei que combinava com massa. Pedi um macarrão de pesto com burrata — e foi simplesmente uma delícia. Às vezes vale sair do automático.
Pra fechar: comecei Arte de Olhar e Pensar e estou adorando. Quando terminar, trago review completo.

Gatekeeping is boring.
A Maison Margiela liberou uma pasta com todos os arquivos da sua campanha. Segundo a marca, os materiais estão sendo disponibilizados à medida que são produzidos — por enquanto, há uma pasta completa com fotos e scans.
Essa ação é tão Margiela. Enquanto a maioria das marcas esconde cada detalhe do processo criativo, a Maison decide abrir algo que, para muitos, seria praticamente confidencial.
Disruptiva como sempre. À frente do seu tempo como poucas. Fazer diferente sempre foi o que colocou a marca em destaque — e é interessante ver como esse legado continua sendo conduzido com tanta coerência.
Love it.

🎱 Você pagaria 265k dólares em uma mesa de bilhar? A Hermès lançou essa aqui, será que garante acesso a uma Birkin depois? rs.
☕ The cutest coffee in town! A Ganni se juntou com a Disney para fazer a coleção mais fofa do mundo, e para o lançamento, fizeram um café temático super fofo.
🌟 Glow up insane! O Bad Bunny nem sempre foi bonito e estiloso como é hoje, rs. Ele passou por muitas fases para chegar onde está.
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