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não é só sobre dinheiro
da onde vem a vontade de consumir uma bolsa de luxo?

hey!
Muito feliz com o resultado da pesquisa que soltei na edição passada, adorei ouvir de vocês o que esperam desse espaço, e muitas ideias e novidades vindo por ai! Já sortiei a pessoa que ganhou os prêmios e enviei um email. Em breve vou fazer mais sorteios aqui ❤️
A pauta dessa edição estava na minha cabeça há muito tempo e no cronograma desde o ínicio do mês, ai coincidiu bem na semana que Zara anunciou a parceria com Galliano. Tudo na hora certa, para agregar ainda mais no assunto.
Chamei a Ju, co-founder da House of Wander, par agregar contando sobre o vintage. Também trouxe os highlights da minha semana & more
espero que gostem :)
have a nice reading!


Não importa quanta terapia você fez na vida, ou o quanto você se considera um ser humano evoluído, é natural querer pertencer a algo. Seja a um grupo social, a um lugar novo ou até à ideia de não querer pertencer — porque, no fundo, você já está tentando se enquadrar no grupo do “não ligo para as regras”.
O desejo de sinalizar a própria posição na sociedade está profundamente enraizado no nosso passado evolutivo, quando status podia significar a diferença entre sobrevivência e perigo. Mas séculos já se passaram, e as marcas de luxo mais interessantes hoje estão recalculando a rota e entendendo a psicologia por trás de uma compra de luxo.
Segundo a Forbes, 51% dos millennials pretendem aumentar seus gastos com luxo este ano, enquanto 67% da geração X e 80% dos baby boomers planejam gastar menos. Os millennials estão no auge da sua fase de renda e cresceram com uma narrativa completamente diferente, que valoriza autoexpressão e experiências.
O “luxo” foi esticado. Ele não é mais apenas uma bolsa cara — agora pode ser uma água em garrafa de vidro, um perfume de nicho ou até papéis de parede. O significado vai muito além de um preço elevado. Luxo agora é if you know, you know. Um casaco de cashmere da Loro Piana não ostenta. Uma bolsa da The Row raramente é percebida. Mas, se você sabe, você sabe.
Temos mais acesso do que nunca a fotos, vídeos e conteúdos — além de dicas constantes do que torna algo interessante, bonito ou valioso. O luxo se tornou um acesso restrito, difícil de democratizar, em uma sociedade 100% antenada.
O luxo não é mais apenas entrar em uma loja cara e comprar algo. Agora é preciso entender códigos e frequentar os lugares certos.

O quiet luxury, tão discutido nos últimos tempos, nunca foi exatamente uma tendência. Quando você imita um lifestyle que nasce de forma natural para quem pertence àquele universo, o resultado se torna performativo — e perde o propósito.
Essa era blasé de esconder logos e usar peças simples, porém de qualidade, agora compete com uma estética mais interessante: aquela que conta algo sobre você.
Esse movimento vem da Gen Z, que, mesmo ainda sem grande poder aquisitivo, já está moldando os próximos passos do mercado de luxo. Uma geração profundamente ligada ao pertencimento, à comunidade e à personalização.
Uma marca que traduz perfeitamente o que a Gen Z espera do luxo é a Bode. Queridinha de Harry Styles e outros artistas, transforma tecidos antigos em peças únicas. O luxo é vendido como nostalgia, cuidado e sustentabilidade — a história passa a comunicar pertencimento.
A exclusividade hoje é uma mistura entre desejo — a alma da moda — e acesso controlado. Ter algo que quase ninguém consegue encontrar se torna mais interessante do que simplesmente comprar algo caro. O vintage ganha destaque: garimpar uma peça única em viagem passou a ser mais desejável do que comprar a última bolsa da Prada.
A narrativa muda, mas a sensação não. Desejar esses produtos é quase natural ao ser humano. Usar marcas de luxo pode aumentar a percepção de competência, gerar reconhecimento social e até vantagens econômicas e cooperação dos outros. Apenas imaginar possuir um item de luxo já pode proteger o indivíduo contra críticas negativas.
A sensação de adquirir uma peça desejável ativa emoções que liberam dopamina — e muitas vezes o prazer é maior antes da compra do que depois. Como esperar meses em uma lista para conseguir comprar uma Birkin da Hermès — isso, claro, se quiserem te vender.
Uma pesquisa mostrou que clientes homens compraram produtos mais caros na presença de um funcionário fisicamente dominante, reforçando como impulsos evolutivos ainda influenciam o consumo de luxo: sentir-se mais poderoso, mais visto, menos vulnerável.
Nosso desejo por luxo nunca vem de um único lugar — ele nasce do conflito entre biologia, psicologia e sociedade.
Muita gente ainda vê gastar dinheiro com algo luxuoso como algo fútil ou desnecessário. Mas é uma projeção humana — uma forma sofisticada de suprir desejos que sempre existiram: pertencimento, reconhecimento e identidade. Ele se molda de acordo com o tempo e com as narrativas, mas nunca deixa de existir.

Shop my cool finds 🙂
Jaqueta Bershka: Acabou de abrir Bershka no Brasil e eu fucei o site todinho e meu veredito é que essa é a jaqueta mais linda de lá.
Calça Mondepars: Cor linda e modelagem perfeita. Amei.
Prato Zara Home: Imagina tomar café da manhã todo dia nessa fofura?
Lápis Vizzela: Viciada em lápis marrom, esse da Vizzela é ótimo e o preço também.
Sapato Carrano: Amei a cor e me parece ser confortável. Ta em sale! run.

vintage is the new luxury w/ Julia Lavor
![]() | Julia Lavor, 21 anos, entre Paris e São Paulo. Sou estudante de História da Arte, Design e Administração Criativa na Parsons Paris, onde aprofundo meu olhar sobre o universo francês enquanto mergulho (quase obsessivamente) no mercado vintage,tanto na moda quanto no design. Antes disso, vivi por dois anos em Nova York, onde também criei uma conexão forte com o vintage e sua capacidade de atravessar o tempo com relevância estética e cultural. Nascida e criada no Brasil, em São Paulo, carrego uma sensibilidade brasileira que inevitavelmente permeia meu olhar e minhas escolhas criativas. |
Entre esses territórios, sou cofundadora da House of Wander, uma casa criativa que construí com minhas duas irmãs arquitetas, onde desenvolvemos projetos que transitam entre design de objetos, curadoria de peças vintage, interior styling e experiências culturais. Minha prática nasce justamente desse entre-lugar (entre passado e presente, memória e desejo) onde o vintage deixa de ser apenas referência estética e se torna linguagem, identidade e valor. Apaixonada por cultura, cinema e fotografia, acredito muito no impacto do que consumimos ao longo da vida (tudo vira repertório, consciente ou não). Sou, acima de tudo, uma pessoa visual, ate demais (sim as vezes preciso que você desenhe para eu entender) e é na curadoria, do que vejo, coleciono e compartilho, que encontro minha forma mais natural de expressão.

Algo que tenho percebido muito é que existe hoje uma obsessão coletiva pelo vintage, e talvez isso diga menos sobre o passado e mais sobre o presente. Vivemos em uma lógica de aceleração constante, onde tudo é imediato, substituível e, muitas vezes, descartável.
Nesse cenário, o vintage aparece quase como um respiro: buscamos aquilo que carrega tempo, memória e permanência. Como já sugeria Walter Benjamin ao falar sobre a “aura” dos objetos, existe algo irreproduzível naquilo que atravessa décadas , a pátina, o desgaste, o couro antigo, a história inscrita na matéria. É isso que nos atrai, tanto no que vestimos quanto no que escolhemos para viver junto. Cá entre nós, uma vintage Kelly toda desgastada cheia de história é bem mais significativo do que uma novinha em folha.
O design contemporâneo, claro, é essencial, ele traz inovação, liberdade e responde ao agora. Mas também é inevitável reconhecer o quanto ele é, muitas vezes, guiado por ciclos rápidos de tendência e estratégias de marketing, o que pode :-lo mais efêmero. Existe uma pressão constante para que tudo seja “novo”, “especial”, “diferente” e, paradoxalmente, isso acaba deixando tudo meio parecido. No meio disso, o vintage ganha força justamente por escapar dessa lógica.
Ter uma peça vintage única é quase como conquistar um pequeno troféu pessoal. Ontem mesmo encontrei, por acaso, um frasco de perfume dos anos 1920, e ainda estou com essa sensação de encantamento, como se tivesse encontrado algo raro, íntimo. É mais do que um objeto: é história, é gesto, é intenção. E talvez seja exatamente isso que estamos procurando: peças que nos escolhem de volta, que conversam com quem somos, e não só com o momento em que vivemos. Porque, no fim, não tem nada como garimpar algo “tão você”.


A semana começou com um shooting da nk em uma locação LINDA. Não posso dar spoilers das roupas porque só lançam mais pra frente, mas fiquem com as imagens da fazenda linda que fotografamos. Apaixonada por cada detalhe, queria morar lá.
Fui ao restaurante Z Deli pela primeira vez e amei a comida! O ambiente é muito fofo, bem na vibe dos bistrôs de NYC. Pedi um filé mignon com fritas (classics never disappoint) e estava muito gostoso. A batata é o highlight.
Na quarta, fizemos um evento da nk para lançar a coleção de denim no restaurante Le Freak. Foi muito legal, bem clima de festinha. O lugar é muito cool, recomendo ir!
Finalmente assumi o saltinho no dia a dia. Este ano coloquei na minha cabeça que quero usar mais salto, simplesmente porque acho muito chic e quero romantizar a vida, ““. Esse da Arezzo é perfeito porque é baixinho e não machuca o pé — já me sinto muito mais bem-vestida depois de usar.

Confesso que essa noticia era algo que eu nunca imaginei ver na minha vida. E estou mixed feelings com isso.
Sou uma grande fã do trabalho de John Galliano, e uma eterna melancólica em relação as suas criações. Sempre me pego vendo e assistindo desfiles antigos pensando se em algum momento eu iria conseguir ter no meu armário algo que tivesse sido criado por ele.
Como escrevi no Fashion Talks de hoje, o luxo mudou muito. Pensar em Galliano na Zara seria simplesmente impossível dez anos atrás. Hoje, por mais estranho que pareça, faz sentido.
Uma marca que precisa se diferenciar em um mercado cada vez mais rápido e competitivo ganha valor ao trazer um designer com história. De repente, não olhamos mais só para a peça — olhamos para quem está por trás dela.
E do outro lado, um designer polêmico, que talvez nunca mais ocupasse o espaço das grandes maisons como antes, mas que agora pode estar explorando um novo território — e, quem sabe, abrindo um caminho interessante para o futuro da moda.📚

📚 O que as modelos leem durante o backstage do Fashion Week? Adorei esse conteúdo.
📍 Todas as locações icônicas dessa temporada do PFW. Minha favorita é Dior.
🎥 Os cinemas mais lindos do mundo, já salvem para quando visitarem esses países
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![]() | Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo. Espero que você goste de ler essa newsletter tanto quanto eu gosto de escreve-la! ❤️ Vou deixar aqui o link das minhas redes sociais para quem quiser trocar (sempre estou aberta e amo muito) |
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