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os melhores storytellers da moda
uma dupla que surgiu há mais de 10 anos atrás e continua relevante

hey!
Fazia tempo que queria desenvolver por aqui o tema de Zendaya x Law Roach. A dupla mudou completamente o jeito como pensamos moda em premieres e eventos — e muito disso vem do olhar minucioso de Law, que usa roupas para contar histórias. A primeira criação dos dois aconteceu há mais de 10 anos e, até hoje, eles seguem sendo uma das duplas que melhor transforma moda em storytelling.
Para complementar essa conversa sobre styling, convidei a Clara, que vem fazendo um trabalho incrível com o Maciel, de Aqueles Caras — vulgo, meu canal favorito no YouTube, rs. Porque, no fim, trabalhar o estilo de alguém é muito mais sobre entender e potencializar sua essência do que mudá-la.
Além disso, tem meus cool finds, os artigos mais legais que vi essa semana & more.
Espero que gostem! 🤍

Quem diria que uma garota de 14 anos, desesperada por não saber o que usar no evento mais icônico da época — a première do filme Never Say Never, do Justin Bieber —, foi atrás do contato de uma amiga de família para pedir ajuda, e que esse encontro gerou a maior dupla fashion da atualidade?
Law Roach e Zendaya trabalharam juntos pela primeira vez há mais de uma década e, para o grande evento, Law indicou uma roupa toda prateada para Zendaya usar. Era um look ousado para uma atriz tão jovem, e Zendaya estava com medo do que as pessoas poderiam pensar. Roach disse: “Who gives a fuck?”

A partir disso, a dupla se tornou responsável pelos looks mais icônicos em premières e tapetes vermelhos e, claramente, se conhecem como ninguém. Juntos, eles criaram um ritmo diferente quando o assunto é moda. Os dois se chamam de “almas gêmeas fashion”, e claramente existe muita confiança nessa relação.
Em uma era em que somos bombardeados por novos looks, novos eventos e novas premières toda semana — a atenção retida é cada vez menor e mais descartável —, mas, por algum motivo, Zendaya sempre é pauta por dias, e seus looks sempre são comentados e analisados.
Por mais que ela seja uma das atrizes mais famosas do momento, isso não acontece porque seus looks são mais bonitos, mais caros ou mais diferentes, mas, sim, por conta da estratégia muito bem alinhada com seu stylist.
Law Roach foi pioneiro e revolucionou o meio. Se tornou um dos stylists mais influentes e é responsável por transformar referências históricas, culturais e cinematográficas em narrativas de moda.
Seu interesse pela área vem desde sua infância, quando morava com sua avó, que nas noites anteriores a eventos importantes, separava a roupa que usaria, além de colocar bobes no cabelo. Roach sentava aos seus pés enquanto ela se arrumava e observava aquela transformação. “Era como mágica diante dos meus olhos.”
A igreja de domingo foi seu primeiro desfile de moda ao vivo. Depois da missa, ele e a avó iam a brechós, e Roach tinha talento para encontrar “diamantes no meio do bruto”. Naquela época, ainda nem se falava de stylist; inclusive, é uma profissão super recente.
Durante a golden era de Hollywood, os estúdios tinham figurinistas responsáveis pelos figurinos dentro e fora dos estúdios. Depois do fim do sistema de estúdios, nos anos 1960, os atores passaram a cuidar sozinhos de suas aparições. A ascensão dos stylists costuma ser associada aos anos 90, quando as celebridades passaram a contratar esse serviço para eventos importantes, como premiações.
Por mais que já tenham se passado praticamente 30 anos, infelizmente, algumas pessoas ainda enxergam stylists como uma espécie de personal shoppers glorificados. Mas um profissional realmente excepcional na área consegue gerar a imprensa necessária para mudar o rumo da carreira de um artista.
Um stylist não escolhe apenas o que uma celebridade veste. Ele ajuda a decidir o que o público deve enxergar quando olha para ela. A celebridade tem visibilidade, público e imagem; o stylist tem repertório visual, acesso à moda e leitura cultural; juntos, eles transformam uma aparição em comunicação.
O trabalho em conjunto vai muito além da escolha de uma roupa: é uma construção minuciosa de storytelling. Quando Law e Zendaya trabalham juntos, eles não estão simplesmente escolhendo looks; eles estão criando um universo para ela. Não à toa, Law se autodenomina "Image Architect", termo que resume bem o que ele realmente faz: não veste, projeta.

Para Roach, essa diferença não é só semântica: "Styling é sobre selecionar as peças certas para um evento. Um image architect pensa mais fundo — é estratégia, arte e psicologia, tudo em um só." É por isso que ele se autodenomina "the world's only image architect", termo que registrou como próprio.
Esse pensamento se torna tangível em cada grande turnê de divulgação, temporada de premiações e aparição durante as semanas de moda que ele trabalha. Uma première de filme se torna uma extensão do próprio filme.
O maior exemplo de storytelling da dupla foi na première de Duna. Em vez de apostar em vestidos previsíveis para cada première, a dupla construiu uma narrativa de moda inteira inspirada pelo universo futurista do filme. Nada representa isso melhor do que o traje-robô de Thierry Mugler, da coleção de alta-costura de outono/inverno de 1995. O look gerou US$ 152 milhões em valor de impacto de mídia para a Mugler, segunda a Launchmetrics.

press tour Dune
O processo de styling de vestir o cliente de acordo com o papel ou narrativa que ele está promovendo no momento, foi uma das revoluções que Roach fez. E o mais impressionante é que ele consegue fazer tudo isso sem ser caricato demais: não parece uma fantasia.
As referências são claras o suficiente para serem apreciadas, mas sofisticadas o suficiente para manter a moda em primeiro lugar.
Antes de Law Roach, os stylists de celebridades eram figuras misteriosas, estavam sempre em algum canto dos bastidores, com um cabideiro de roupas e um kit de emergencia caso tivesse que alterar algo na hora. Mas, depois que a carreira de Roach decolou, ele passou a entrar pela porta da frente — pelo tapete vermelho, não pelos fundos.
Ele foi o primeiro stylist a se sentar na primeira fila dos desfiles de moda, lado a lado com as próprias celebridades que vestia. Também inaugurou o primeiro CFDA Stylist Award da história, prêmio criado para reconhecer o trabalho de stylists. E até lançou seu primeiro livro, “How to Build a Fashion Icon: Notes on Confidence From the World’s Only Image Architect”.
O que antes acontecia nos bastidores passou a fazer parte do espetáculo — e, consequentemente, da narrativa.
Em uma indústria obcecada pelo próximo look, Zendaya e Law Roach conseguiram fazer algo extremamente difícil: criar momentos que parecem maiores do que a própria roupa. Cada vestido, cada referência e cada tapete vermelho fazem parte de uma história maior.
Amanhã, uma nova coleção será apresentada, outra celebridade dominará o próximo tapete vermelho e uma nova tendência surgirá antes mesmo do fim da semana. Em algum lugar no meio de tudo isso, Zendaya e Law Roach vão aparecer novamente, e a moda, felizmente, vai parar por um instante para olhar com atenção e calma.


Shop my cool finds 🙂
Mary Jane Sarah Chofakian: to completamente obcecada em todos os sapatos dessa marca. As sapatilhas são uma mais linda que a outra, mas estou apaixonada nessa Mary Jane. Já imaginei ela com uma meia bem girly e uma saia.
Blusa H&M: amei a gola e a cor. Uma peça fácil de usar e que é diferente.
Bolsa Bershka: achei a cor linda, e super cool
Macacão Jeans Levi’s: fazia tempo que eu tava buscando o macacão jeans perfeito, e acho que encontrei! além de estar em SALE!
Mix colar GUYA: amo usar colar com charms e ficar trocando. achei essa combinação muito fofa!

Construção de styling w/ Clara Peixoto
![]() | Meu nome é Clara Peixoto, tenho 24 anos e sou stylist, figurinista e produtora de moda. Há cinco anos atuo no mercado desenvolvendo projetos de styling, figurino e direção de imagem para artistas, influenciadores e grandes marcas. Desde criança, sempre fui apaixonada por criar e enxergar a moda como uma forma de expressão, e foi essa curiosidade que transformei em profissão. Hoje, compartilho esse olhar também nas redes sociais, onde mostro os bastidores do meu trabalho e converso sobre estilo de forma prática, defendendo a ideia de que a moda vai muito além das tendências: ela é uma ferramenta de comunicação e construção de identidade. |
Quando publiquei um vídeo mostrando a transformação de estilo do Maciel, integrante do canal Aqueles Caras, eu não imaginava que ele alcançaria tantas pessoas. O mais curioso é que a maioria dos comentários dizia a mesma coisa: "Eu sabia que ele estava diferente, mas não conseguia entender o que tinha mudado."
E, para mim, esse é justamente o ponto mais interessante desse case.
Quando comecei a trabalhar com o Maciel, a proposta nunca foi transformar quem ele era. Pelo contrário. A primeira coisa que ele me disse foi que não queria perder a própria essência. Ele só queria se sentir mais confiante com a imagem que transmitia.
Isso mudou completamente a forma como conduzi o processo.
Em vez de começar indicando um guarda-roupa novo, eu comecei observando o que já fazia sentido para ele. A camiseta preta continuava sendo uma peça que ele gostava de usar. O jeans também. Então, por que tirar isso?
O trabalho passou a ser muito mais sobre construção do que substituição.
Começamos a explorar novas modelagens, trazer sobreposições, trabalhar proporções, volumes, caimentos e prestar atenção aos detalhes. Pequenas mudanças que, individualmente, parecem discretas, mas que, juntas, mudam completamente a leitura de uma imagem.

A camiseta preta continuou lá. Várias, inclusive. A diferença é que ela deixou de ser uma escolha automática e passou a fazer parte de uma composição pensada.
Acredito que foi exatamente isso que fez o vídeo repercutir tanto. As pessoas estão acostumadas a associar transformação de estilo a grandes compras ou mudanças radicais. Mas, nesse caso, a mudança aconteceu sem excessos. Ela foi construída aos poucos, através de escolhas mais conscientes.
E isso reforça algo em que acredito muito como stylist: estilo não está na peça isolada. Está na forma como ela se relaciona com todas as outras.
Vivemos um momento em que a moda está muito ligada ao consumo. O tempo todo somos incentivados a comprar a tendência da vez, como se isso fosse suficiente para construir uma identidade. Na prática, quase nunca é.
Na maioria das vezes, o problema não é a falta de roupa. É a falta de intenção.
Esse trabalho com o Maciel reforçou ainda mais a forma como enxergo o styling hoje. Meu objetivo nunca é criar um personagem. É traduzir a personalidade de alguém através da roupa, respeitando sua rotina, seu gosto e a imagem que deseja comunicar.
No fim, a mudança não aconteceu porque ele passou a vestir peças extraordinárias. Ela aconteceu porque cada escolha passou a ter um propósito. E, quando existe intenção, a imagem muda, mesmo que o guarda-roupa continue praticamente o mesmo.


💭 Desde nova eu tenho uma mania peculiar. Gosto de observar pessoas desconhecidas e imaginar a vida inteira delas — o que fazem, onde trabalham, onde moram e quem são seus amigos próximos. Assisti esse vídeo e descobri que tem um nome para isso: sonder. Achei muito interessante a história contada no vídeo e a ideia da exposição. Com certeza seria algo que eu iria amar ver de perto.
📽️ Como o artigo inicial foi inspirado nele, nada mais justo do que indicar aqui o canal do Law Roach. Ele sobe vídeos de backstage, ideias, e até uns estilo vlog. São todos muito interessantes e super ricos para quem ama moda e tem curiosidade sobre a vida de alguém do meio — trabalhando com as maiores estrelas de Hollywood.
🎨 Já reparou que tudo está mais colorido? O The Data Fashion Brief fez essa análise super aprofundada dos grandes motivos que fizeram as cores voltarem as passarelas e ruas. Inclusive super indico se inscrever na newsletter e seguir o instagram deles.

Esse mês, a Business of Fashion divulgou uma lista das melhores lojas do mundo — e, inclusive, muito orgulho da marca querida em que trabalhei estar nessa lista. Love you, nk!
Li o artigo e fiquei pensando: o que torna uma loja especial hoje em dia?
Em um mundo em que as compras online dominam, o ponto físico precisa oferecer mais. E aí lembrei da loja da Ray-Ban que abriu em maio deste ano, no SoHo, em Nova York, com dois andares que misturam óculos + livros + discos de vinil + restaurante, comandado pelo chef Pasquale Cozzolino.
A ideia maior é que a Ray-Ban está transformando a loja em um destino, e não apenas em um lugar onde você entra, escolhe um óculos e vai embora. A hospitalidade vem em primeiro lugar — e, no processo, a loja acaba construindo um universo novo para a marca.

🛞 Você quer dirigir uma Louis Vuitton?
🆒Uma collab completamente inesperada, mas linda demais. Tapetes da Puma
📷 O press kit mais lindo que vi essa semana
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