o seu estilo pessoal é pessoal mesmo?

a moda é resultado de todas suas experiências

 

hey!

Fashion Week sempre me deixa reflexiva. Amo tudo o que envolve essa semana, e adoro ver as inspirações por trás de cada coleção, mas ai vem a enxurrada de posts sobre as próximas tendências, e ai começa a entrar em um looping de copy paste que perde o sentido. A moda é um reflexo de quem somos e quem queremos ser, isso é o mais bonito dela. Por isso, a edição de hoje é para exaltar o que temos de mais legal: nossa autenticidade.

Convidei a Pietra para agregar contando sobre moda e repertório. Além disso, tem meus desfiles favoritos até agora & more

espero que gostem :)

have a nice reading!

Você já sentiu uma vontade quase que instintiva de mudar todo o seu guarda-roupa depois de um término de relacionamento? ou depois de ter se formado na escola/faculdade? ou depois de mudar de emprego? Isso não é — apenas — seu consumismo falando alto, é uma atitude natural do ser humano que relaciona a moda com a psicologia.

O nosso estilo pessoal está diretamente ligado ao nosso mais profundo interior, ele é muito emocional. Muito mesmo. Ele reflete nossas vontades e desejos antes mesmo que a gente de fato os perceba. Inclusive a vontade de evoluir, controlar e fechar um ciclo — como nos exemplos acima.

Seu estilo pessoal está na sua caligrafia, na sua postura, na música que toca no seu fone, no livro que está no seu kindle ou na sua bolsa — inclusive está na preferência entre os dois, no seu pedido de sempre no seu café favorito, e em quantas vezes você já mudou ele. Seu gosto pessoal está em absolutamente tudo o que você toca.

Quando estamos alinhados com quem somos de verdade, nossa roupa traduz a nossa criatividade, se prezamos mais pelo conforto ou pela beleza, se queremos ser vistos ou passar desapercebidos. O jeito que a gente escolhe se vestir é uma tradução de quem somos ou muitas vezes, de quem estamos almejando ser.

Nosso guarda-roupa é um verdadeiro museu de todas as versões que já fomos, as que ainda somos e até das que queremos ser. Essa é a relação mais pura e genuína que podemos ter com a moda, e com o que ela representa.

O problema é que hoje em dia o estilo pessoal está cada vez menos pessoal. 

A vida acontece rápido demais. Um conteúdo de alguma influenciadora performa bem e é o suficiente para milhares de pessoas copiarem exatamente a mesma coisa e virar a nova tendência do momento. Até que amanhã surge outra, e depois de amanhã outra… É impossível acompanhar, e tudo satura muito rápido.

É muito mais fácil refletir comportamentos cegamente, do que digerir e interpretar a sua própria visão, principalmente na era do imediatismo.

Estamos deixando de nos perguntar o mais importante: por que?

Por que você gosta dessa roupa? Por que não gosta dessa? Por que prefere looks coloridos? Por que tem um guarda-roupa inteiro em cores neutras? Quando o assunto é autoconhecimento e moda, precisamos incorporar a curiosidade de uma criança — ou o burro do Shrek — e perguntar “por quê?” o tempo inteiro.

O questionamento é o fio condutor que vai te levar cada vez mais fundo para conhecer algo que é somente seu e que ninguém pode te ensinar: o seu estilo pessoal.

O maior problema atual não são as tendências que surgem de maneira desenfreada, é a identificação com elas de maneira cega e sem questionamento. É colocar algo no seu guarda-roupa sem pensar ou refletir — e olhar para o look três meses depois e odiar.

Mas a boa e a má notícia é que o descobrimento do seu estilo pessoal é um exercício eterno. Você vai estar sempre aprimorando, evoluindo e entendendo. Não é algo que se estabiliza e que é linear. Até porque mudamos o tempo inteiro. E a moda surge como ferramenta para nos expressarmos, principalmente essas mudanças internas.

Enquanto existem diversos conteúdos te ensinando a ser mais autêntica ou apontando passos para seguir de auto conhecimento, eu gostaria de instigar uma reflexão que pra mim, resume tudo o que os coachs querem passar dizendo para você ser você mesmo: Tudo o que você faz no privado, surge em público.

Os livros que você leu surgem em uma conversa, os filmes que você assistiu aparecem na escolha de um look, as pessoas que você convive surge nos seus hábitos… Nada aparece do além. Tudo tem inspiração em algo.

A moda é como a ponta de um fio que é puxada a partir de todos seus interesses e experiencias genuínas. Ela é resultado.

Se você pegar as pessoas mais autenticas que você conhece, tenho certeza que a maioria — se não todas — não olham para uma foto e tentam copiar exatamente o look, a pose ou a foto. Nenhuma dessas pessoas tem uma referência só de como se vestir. Elas tem um compromisso muito forte com tudo o que elas gostam, com quem elas são e com a visão delas.

Às vezes ficamos tão presos no que consumimos que esquecemos de olhar para quem somos longe das telas e das redes sociais. Se duas pessoas têm algoritmos semelhantes, grandes são as chances de estarem vestindo coisas parecidas. Mas quando paramos de olhar apenas para o celular, isso deixa de ser verdade. O estilo vem do nosso íntimo, e não do que consumimos de forma rasa na internet.

Em vez de se perguntar como pode ser mais autêntica, comece a perguntar por quê. Questione o que você olha primeiro no look de alguém, qual filme faz você dormir nos primeiros dez minutos e qual faz você nem piscar, por que você se sente preguiçosa de moletom e poderosa de salto alto. A autenticidade vem naturalmente — a partir de muitos “porquês”.


Shop my cool finds 🙂 
  • Clog Mist: Estou com hiperfoco em encontrar a clog perfeita, e acho que encontrei…

  • Camisa camurça Zara: Uma camisa de camurça é uma peça bem icônica para se ter no closet. Achei linda e versátil

  • Calça TIG: Um acontecimento. Essa modelagem, cor, texturas, amei tudo.

  • Bracelete GEMM: Aquele acessório que faz o look 100%

  • Bolsa Arezzo: Linda, cabe muita coisa, e tá com um preço ótimo!

you are what you wear w/  Pietra Palma

Oie!

Eu me chamo Pietra Palma, sou jornalista, criadora de conteúdo e criativa/comunicadora de nascença. Tenho 26 anos (com pezinho no 27 agora dia 08/03 hehe) e comecei a compartilhar mais da vida nas redes em 2023, quando entrei no mundinho da corrida.

Hoje, expandi minhas trocas no Instagram, TikTok e YouTube e adoro conversar sobre tudo o que atravessa a vida real: livros, autoconhecimento, yoga, roupas, séries, comprinhas.... Onde tiver curiosidade, reflexão, autoconhecimento e vontade de estar, estarei.

Se você olhar para os meus últimos looks, talvez consiga até adivinhar que tipo de série ou filme eu ando assistindo…E isso não é coincidência. Eu demorei anos pra entender que não era a calça skinny que eu gostava. Nem os bordados e babados.

Mas antes disso, o que eu tinha eram regras.

Midi? Não pode, baixinha demais.

Balloon? Não, você já tem o quadril mais largo.

Cintura sem marcação? Vai parecer gordinha.

E é aí que tá o pulo do gato: quando você ainda não desenvolveu repertório, essas frases viram verdade absoluta. Porque, se você não tem referência suficiente para testar, você aceita o que dizem que funciona.

E foi justamente quando eu passei a olhar minhas séries, filmes e até livros de outra forma que essas regras começaram a cair por terra. Porque quando você passa a consumir novas histórias e estilos, percebe que existe mais de uma forma de ser e, consequentemente, mais de uma forma de se vestir, entende?

Recentemente eu assisti De Férias com Você, da Netflix, e acabando o filme eu já logo fui pesquisar para comprar colares mais chamativos, como da Poppy. Por que? Porque Poppy é espontânea, ao mesmo tempo que charmosa, engraçada e confiante e com os looks e, principalmente, com os acessórios, ela transmite liberdade, criatividade e confiança. E esse tipo de coisa não é só tendência, é sensação. E isso não é um caso isolado, tá?

Atire a primeira pedra quem nunca:

- se vestiu com mais ousadia, elegância e toques de vida adulta depois The Bold Type

- ou misturou mais peças depois de maratonar Sex Lives Of College Girls

- viveu uma semana com looks mais caiçaras depois de assistir Outer Banks

- quis urgentemente adicionar novos saltos no guarda-roupa depois de Sex and the City

Nos vestimos para a narrativa que queremos criar e viver. O estilo não é fixo, é responsivo, e o que a gente consome muda o jogo. Porque sem repertório você veste o que te dizem que funciona pra você, no que te cabe, E com repertório, você veste o que você é e faz testes com isso.

Claro, nem sempre você acerta. Nem sempre aquilo que você absorveu não passou de um delírio, mas é aí que tá a chave: você tentou. E quanto mais você tenta e, principalmente, se expõe a diferentes estéticas, corpos, profissões e vivências, seja esse acesso através de livros, séries ou filmes, menos você acredita que tem um só jeito certo de vestir. E, vamos combinar? Assim tudo fica um pouco mais divertido.

It's fashion week o’clock! Welcome to my fashion journal.

Dior

Looks like a fairytale. Na minha opinião, essa foi a melhor coleção de Jonathan Anderson para a Dior até agora. Tudo foi mágico — desde a locação no Jardin des Tuileries até os looks, que fogem completamente do que esperávamos da Dior. Jonathan tem uma sensibilidade e um olhar fora do comum. Ele parece estar redefinindo o que é luxo para a marca, trazendo peças super fresh sem abrir mão do desejo. Tudo é bonito e faz sentido, inclusive aquelas peças icônicas e super fun que ele sempre cria. Às vezes penso que queria viver um dia dentro da cabeça do Jonathan — deve ser um lugar lindo.

A sensação assistindo o desfile é de que tem várias fadas rondando as modelos de tão mágico que foi.

Chloé

A verdade é que eu ia escrever apenas sobre Dior, porque nada que vi até agora superou o desfile da marca. Mas achei a inspiração da Chloé tão conectada com o que escrevi hoje que decidi colocar aqui também.

Chemena Kamali disse que a coleção fala sobre como as roupas podem conter emoções e carregar memórias — uma reflexão sobre humanidade, empatia e devoção. Há peças com imperfeições propositais, para mostrar que tudo o que usamos guarda alguma história, e também roupas características de determinados países e tradições, lembrando como a cultura influencia a forma como nos vestimos.

Chemena fez uma análise muito sensível do que se pode esperar da moda, ao mesmo tempo em que homenageia a própria marca com reinterpretações de arquivos antigos.

Sou inscrita no canal do Jevon há algum tempo, e ele sempre trouxe questionamentos sobre o tema que escrevi hoje de personal style e autenticidade. Inclusive ele foi responsável por diversos insights e análises que trouxe hoje.

Esse vídeo em específico, ele mostra como usar o Pinterest de uma forma diferente. Ao invés de sair salvando pins — amo fazer isso btw — realmente analisar e se questionar o que nos chama atenção. Sair do óbvio e da passividade de consumo de conteúdo.

Vale muito a pena assistir. Ele reforça muito o questionamento que tanto falei e que acredito ser a melhor forma de autoconhecimento.

💭 O melhor convite da temporada PFW vai para… esse aqui

🎨 Quando a arte e a moda se encontram diretamente. Esse convite também ficou demais.

💌 He is the moment! And he knows it.

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Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo.

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