o que prédios têm a ver com o que vestimos?

e tudo o que consumi na última semana: podcasts, livros & more :)

 

hey!

dizem que, quando você gosta de moda, acaba naturalmente se inclinando para outras formas de arte. Eu sempre tive uma queda pela arquitetura e, há tempos, pensava no tema de hoje. Quando fui estudar mais a fundo, percebi que essa relação renderia muitas edições. Por isso, nesta, decidi focar no movimento do modernismo, envolvendo história, arte, moda e arquitetura.

Convidei a Gabi para complementar com a visão dela, como arquiteta, sobre esse movimento no Brasil.

Além disso, tem tudo o que amei nessa semana e uma campanha muito especial de uma das minhas marcas favoritas.

espero que gostem :)

have a nice reading!

walls inspire wardrobes

A arte é um dos meios que o ser humano encontrou para se expressar e registrar histórias, momentos e narrativas. Todas as artes se conectam em algum ponto, mas isso nem sempre é tão fácil de perceber quando olhamos tudo de forma literal. Sempre ouvi que moda e arquitetura andam juntas, mas por muito tempo não conseguia enxergar essa relação com clareza. Até entender uma coisa simples: nós nos vestimos da mesma forma que construímos prédios.

A arquitetura conta histórias sobre cultura, identidade e contexto de um lugar. A moda faz exatamente o mesmo, só que através do corpo, refletindo comportamentos, valores e transformações sociais de quem habita nesses espaços. Ambas são formas de expressão e, acima de tudo, uma busca constante por beleza.

Essa sintonia entre moda e arquitetura aparece em diversos momentos da história, mas escolhi falar do Modernismo, principalmente porque grande parte das construções que fazem parte do nosso cotidiano hoje nasceram dentro desse pensamento.

O Modernismo surge entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Mais do que um movimento artístico fechado, ele nasce como uma postura ideológica diante de um mundo em crise. A Revolução Industrial estava em plena expansão, e a lógica da máquina começava a ditar o ritmo da vida. A linha de montagem de Henry Ford se torna uma grande referência: eficiência máxima, eliminação de desperdícios, tempo e esforço otimizados. Esse raciocínio não ficou restrito à produção, ele passou a influenciar diretamente a estética. O industrial virou linguagem visual.

O mundo estava mudando rápido demais e precisava ser repensado. A utopia do pós-guerra, de reconstruir tudo do zero, alimentou a crença de que novas abordagens em design, moda e arquitetura poderiam “curar” os problemas da sociedade. Surge então um pensamento radical: tudo o que não tem função, não precisa existir.

Na arquitetura, isso se traduz em linhas limpas, formas simples e estruturas aparentes. Ornamentos excessivos desaparecem, o minimalismo ganha força e a função passa a ditar a forma. Bauhaus, Le Corbusier, Mies van der Rohe são grandes nomes que representam a arquitetura dessa época.

Na moda, o raciocínio é o mesmo: roupas mais simples, utilitárias e pensadas para o corpo em movimento. A estética deixa de ser apenas decorativa e passa a ser funcional. Forma e função se tornam inseparáveis.

Além desse desejo de reinvenção, a crise econômica também impôs limites. Arquitetos e estilistas precisaram criar usando menos: menos material, menos desperdício, menos excessos. Foi nesse contexto que a moda deixou de ser apenas símbolo de status e passou a se tornar uma extensão do cotidiano.

Esse período coincide com a entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho, já que muitos homens estavam na guerra. As roupas precisavam acompanhar essa nova realidade. Sai o excesso, entra a praticidade. Tecidos mais confortáveis, silhuetas mais soltas e peças pensadas para trabalhar.

Coco Chanel se destaca nesse momento como um dos grandes nomes da moda modernista. Ela populariza o uso de calças femininas, tecidos como o jersey e uma estética mais limpa e funcional. Seu trabalho não era apenas uma questão de estilo, mas de comportamento: um guarda-roupa que refletia a mulher moderna, ativa e independente daquele período.

O Modernismo surgiu da combinação entre o trauma do pós-guerra e uma crise econômica profunda. A sociedade passou a priorizar produtividade, funcionalidade e a tentativa de recuperar a estabilidade financeira que havia sido perdida. Esse pensamento se prolongou no tempo e, até hoje, seguimos vendo seus reflexos no nosso cotidiano.

O movimento foi bastante criticado por muitos, que o consideravam frio demais em comparação aos ornamentos e excessos do passado (eu inclusa, rs). Ainda assim, foi uma verdadeira virada de chave, impulsionada por uma série de transformações sociais que, curiosamente, não são tão diferentes das que vivemos hoje. Continuamos trabalhando demais, odiando desperdiçar tempo e valorizando a produtividade acima de tudo. O que não é funcional, muitas vezes, parece não ter valor.

Mas esse modelo não é sustentável para sempre. É natural do ser humano querer embelezar tudo, mesmo aquilo que não tem uma função prática. Talvez por isso, o novo escapismo — estético, emocional ou criativo — caminhe justamente na direção oposta dessa produtividade excessiva.


Shop my cool finds 🙂 
  • Vestido TIG: Um vestido preto nada básico. Amei a modelagem.

  • Anel Elisa Parpinelli: Amo anel grande e achei esse lindo. Faz toda diferença em um look mais básico.

  • Papete Schutz: As tachinas na lateral tornam essa papete muito cool.

  • Calça Zara: Essa modelagem ta super em alta e essa estampa ta linda.

  • Moletom H&M: Adoro moletom e camiseta com uma estética vintage e esse da H&M ta lindo

 Brasilidade - o corpo mora e veste aqui w/ Gabi Lendecker

Oie! Eu sou a Gabi, arquiteta e fundadora do escritório Gabriela Lendecker Arquitetura, onde atuamos em projetos residenciais e comerciais e, principalmente, criamos lares e espaços onde histórias são contadas e criadas! Nos acompanhem, acho que vão gostar - @gabrielalendeckerarq ;)

A Pri me chamou pra compartilhar com vocês sobre os dois mundos que mais amo: a moda e a arquitetura! Na moda, sou meramente uma espectadora e admiradora, mas minha vivência e rotina na arquitetura me possibilitou ver essas duas paixões andando lado a lado.

Afinal, moda e arquitetura tem algo em comum?

Acho que muita gente já ouviu a frase: “moda e arquitetura são áreas parecidas, elas se relacionam” - principalmente se você for arquiteto e gostar de moda, ou trabalhar com moda e se interessar por arquitetura. Eu já ouvi isso muitas e muitas vezes, mas sempre tive a sensação de que essa relação era citada quase automaticamente, como algo “popular”, e não necessariamente por quem dizia realmente acreditar nisso. Mas eu te digo: é verdade!

Moda e arquitetura partem exatamente do mesmo ponto para existir: o corpo humano. Na moda, ele é o ponto de partida para a criação de uma peça - é usado para entender o caimento ideal, a proporção, os volumes e movimentos, se o tecido aquece ou ventila. Na arquitetura, o raciocínio é o mesmo: o corpo guia a forma de ocupar um espaço, define a altura de uma bancada, a textura ideal de um sofá em um ambiente quente. Nas duas as áreas, somos nós - nossos movimentos, hábitos e necessidades - o verdadeiro ponto de partida para qualquer projeto sair do papel!

Mas não para por ai... A moda é além de uma peça a ser vestida e a arquitetura é além de uma casa a ser morada. O que vestimos e os espaços que habitamos dizem muito sobre quem somos, muito além de tendências passageiras. Eles expressam nossos estilos de vida, vivências, preferências e, muitas vezes, carregam memórias, afetos e sentimentos. Moda e arquitetura, juntas, constroem nossa identidade!

É exatamente nesse ponto que o modernismo entra na conversa.

Modernismo Brasileiro - forma x corpo x clima

Já sabemos que o movimento modernista surge como uma ruptura com o excesso e a rigidez. Ele abandona códigos que já não dialogavam com o corpo real e se recusa a tratá-lo apenas como suporte - ele era o protagonista.

Mas como esse pensamento se desenvolve no Brasil?

Quando falamos do nosso país, é impossível ignorar o clima, o cotidiano, as formas de convivência e, principalmente, o movimento do nosso corpo. O modernismo brasileiro nasce justamente dessa observação atenta. Ele não é uma estética importada, mas uma adaptação sensível de tudo aquilo que nos rodeia. O modernismo brasileiro acontece quando passamos a escutar o nosso lugar.

Na arquitetura, isso se traduz em espaços mais abertos, fluidos e permeáveis, pensados para o calor, para a ventilação natural e para a sombra. É quase irreal imaginar uma arquitetura brasileira totalmente fechada, rígida, sem aberturas ou com materiais que não fazem parte da nossa realidade. Nossas casas passam a favorecer e priorizar o movimento, os encontros, a integração entre interior e exterior e uma escolha mais consciente dos materiais - nada de tecido quente no sofá, rs.

Na moda, o raciocínio segue a mesma lógica. Tecidos leves, volumes mais soltos e caimentos que acompanham o corpo refletem uma preocupação real com conforto, mobilidade e uso cotidiano. A roupa deixa de aprisionar e passa a acompanhar o corpo em movimento.

Esse pensamento fica muito claro quando olhamos para nomes como Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi. Niemeyer explora as curvas não como gesto decorativo, mas como expressão de liberdade e fluidez - quase como um desenho em movimento. Lina, por sua vez, projeta a partir do uso, do corpo em contato com o espaço, do cotidiano real das pessoas. Para eles, a arquitetura nasce para ser vivida, não apenas contemplada.

1 - MASP — Lina Bo Bardi | 2- MAC Niterói - Oscar Niemeyer | 3- Catedral Metropolitana de Brasília - Oscar Niemeyer

Na moda, esse mesmo espírito aparece na libertação das silhuetas, na valorização do conforto e na relação direta com o clima e o corpo. O modernismo influenciou uma moda mais honesta, menos rígida, que entende o vestir como extensão da vida cotidiana - assim como a arquitetura entende o morar.

Coleção de Zuzu Angel 1971

O modernismo brasileiro chegou para deixar claro que projetar, seja na moda ou na arquitetura, não é impor uma forma de viver, mas escutar quem vive. As casas passam a ser pensadas para estar, receber, circular e conviver. A moda passa a ser pensada para sentar, caminhar, trabalhar, dançar.

É assim que se constrói, de forma quase natural, o nosso estilo brasileiro. A brasilidade surge como consequência, não como intenção. Ela não é folclore, não é estampa ou curva pela curva. É uma resposta honesta ao lugar, ao corpo e ao modo de viver - uma identidade que nasce da escuta, e não da regra.

Talvez seja por isso que esse pensamento siga tão atual. Como arquiteta, percebo diariamente que os projetos que realmente permanecem são aqueles que respeitam o corpo, o uso e o usuário real. O modernismo brasileiro continua relevante porque nunca foi apenas estética ou tendência - ele foi, e ainda é, uma forma sensível e consciente de projetar a vida.

Com carinho,

Gabriela Lendecker

Nos últimos dias, isso aqui tem ocupado minha cabeça (e meu guarda-roupa, e meus fones de ouvido).

🎧 : Escutei esse podcast sobre algoritmos e sobre o quanto eles estão afetando o nosso jeito de viver. O episódio inteiro é ótimo, mas a parte que mais me fez refletir foi a comparação entre como viajar era diferente antes da internet. A gente ia para um lugar sem saber exatamente o que esperar. Via apenas algumas fotos profissionais, super produzidas, ou escutava alguém que já tinha ido contar como era. Hoje, temos acesso a imagens em tempo real de praticamente qualquer lugar do mundo, a partir da perspectiva de inúmeras pessoas. Recomendações, reviews, críticas — tudo isso chega até nós antes mesmo da experiência acontecer. 

📖: Depois que assisti ao filme Frankenstein, fiquei obcecada pela história. Eu conhecia a trama por cima, mas nunca tinha parado para assistir porque achava que não fazia muito o meu estilo de filme ou livro. Acontece que ele se tornou um dos meus livros favoritos — extremamente sensível e melancólico. Gostei ainda mais ao descobrir que Mary Shelley escreveu a história durante uma competição com amigos: quem conseguiria criar a melhor narrativa de terror em uma noite chuvosa, em que todos estavam presos dentro de casa.

👚: Ultimamente, estou amando usar uma roupa básica — normalmente uma t-shirt com calça de alfaiataria — e tornar o look interessante por meio dos acessórios. Antes, eu me limitava a anéis, brincos e pulseiras, mas agora estou experimentando cada vez mais lenços e cintos. Acho que eles fazem muita diferença e trazem muita personalidade.

🧠: Descobri um asset perfeito para quem gosta de guardar tudo o que vê de legal na internet. É um site chamado My Mind, onde você consegue armazenar absolutamente tudo o que gosta — quase um Pinterest, mas sem limitações. Dá para salvar desde frases que você quer guardar até páginas, fotos e referências soltas. Ele ainda tem uma IA interna que organiza tudo automaticamente em categorias e consegue até identificar a marca das roupas que você salvou. Sério, achei life-changing. Antes, eu jogava tudo em um único arquivo e vivia perdida.

2026 is the new 2016?

Você provavelmente já viu essa trend pipocar no seu feed nos últimos dias. E, sendo bem honesta, 2016 já tinha voltado antes mesmo do ano virar.

O movimento em direção ao “analógico” só cresce: o offline virou o novo luxo, e o novo wellness já não tem mais a ver apenas com um corpo bonito. Estamos cada vez mais atentos à saúde mental e à nostalgia de como nosso cérebro funcionava antes da internet dominar tudo.

O crescimento dos hobbies manuais, da estética vintage e dos discursos de “offline is the new luxury” no último ano é significativo. As marcas já estavam de olho nisso há um tempo, mas agora o movimento está mais forte do que nunca.

A Nude Project é uma das minhas marcas favoritas — não necessariamente pelos produtos, mas pelo branding e pela construção de imagem. Eles criaram uma campanha inteira fotografada com câmeras analógicas. Durante o shooting, a equipe inteira ficou sem celular e se comunicava apenas por walkie-talkies.

Foram quatro dias de filmagem, tudo documentado. Está incrível. O analógico está cada vez mais forte, e ficar offline virou algo genuinamente desejado.

Ironicamente, eles compartilharam tudo isso… em uma rede social. Não é?

Instagram Post

🪩 Harry Styles is back! O cantor anunciou seu 4º disco solo, e o stylist dele (Harry Lambert) postou uma tee bem fofa que o cantor usou na capa do álbum, descobri que é dessa marca aqui. Bem autêntica e as peças são super cool.

📖 Reading is sexy. A Dior lançou uma coleção de bags que ilustram as capas de clássicos da literatura, e para divulgar, ao invés de modelos, contrataram um influenciador de leitura. Smart move.

🧓🏻 Vintage é cool. Mas precisa ser vintage mesmo? Ou se parecer, já conta? A Miu Miu abriu o jogo e mostrou como envelhece o couro para ele já chegar com cara de usado.

Referral Program

No gatekeeping here! Share your link

Aqui tem o seu link para compartilhar a The Setters com quem você conhece e desbloquear prêmios. Cada pessoa que chegar por você, conta! e dá pra acompanhar tudo em tempo real nesse contador aqui embaixo:

Editor’s note

Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo.

Espero que você goste de ler essa newsletter tanto quanto eu gosto de escreve-la! ❤️ 

Vou deixar aqui o link das minhas redes sociais para quem quiser trocar (sempre estou aberta e amo muito)

Instagram | Tiktok | Daily

Tell me what’s on your mind!

O que achou dessa edição?

SEE YOU NEXT FRIDAY!