o que o batom revela sobre crises?

você vai olhar pra sua necessaire de uma forma diferente depois de ler

 

hey!

Eu amo misturar moda com história e acho fascinante como alguns itens que fazem parte do nosso cotidiano tiveram diversos significados ao longo dos anos. O batom, que hoje é um item quase universal entre as mulheres, já foi banido e até declarado imoral no passado. Para o Fashion Talks de hoje, mergulhei na história desse item de beleza que existe há mais de 3000 anos.

Além disso, chamei a Karina para contar os batons favoritos dela, e obviamente falei sobre a capa icônica da Vogue com Anna Wintour e Miranda.

PS: quem tem saudade dos guides que eu fazia por aqui, semana que vem vou voltar! No fim da edição tem o link com o forms para mandar a sua pergunta!

espero que gostem :)

have a nice reading!

Existe um item presente na nécessaire de quase toda mulher. O batom. Ele se tornou um dos principais produtos de maquiagem e praticamente universal. Não importa se você prefere tons vibrantes — como vermelho, ou se prefere um gloss mais natural, a chance de você ter um na sua bolsa é praticamente 100%.

Mas até ele estar presente entre as suas maquiagens de uma maneira tão natural e ordinária, o batom teve que passar por muitas fases. Inclusive foi banido várias vezes em diversos países.

Os primeiros registros de pintura labial foram na Sumária em 5000 a.C. Basicamente o ser humano se pinta desde que começou a pintar paredes de caverna. A arte é, desde sempre, uma das maiores formas de auto expressão, e a pintura corporal — ou maquiagem, é uma extensão disso.

O batom vermelho é um dos grandes protagonistas dessa história, e um dos seus primeiros registros foram no ano 3500 a.C. na Mesopotâmia pela rainha Puabi. Naquela época, o batom era feito de chumbo e pigmento de pedras vermelhas.

No Egito Antigo, homens e mulheres usavam pigmento nos lábios como símbolo de status, e naquela época, a maquiagem indicava poder, proteção espiritual e até higiene.

Na Grécia Antiga o jogo começa a mudar. Existem relatos de que o item começou a ser associado a garotas de programa, e que se instituiu uma regulamentação sobre a aparência delas, que as obrigava a sair de casa caracterizadas — sempre com batom, para se diferenciarem serem reconhecidas, assim não eram confundidas com as "moças do lar".

Esse conceito durou muito tempo, e com as Cruzadas, e a Europa Ocidental adentrando o Oriente Médio, o uso excessivo de cosméticos começou a adquirir um fascínio quase perverso. Durante a Idade Média chegou a ser de fato moralmente condenado, por ser algo que extrapolava a vaidade e chegava a ser pecaminoso.

O mundo só começou a enxergar o batom de uma maneira normal de novo, no reinado da Rainha Elizabeth I. Ela ignorou completamente todas as opiniões e argumentos que as pessoas tinham com a maquiagem, e passou a usar sempre. Inclusive ela acreditava fielmente que o batom tinha propriedades capazes de curar doenças e afastar espíritos ruins.

Não demorou muito para isso se tornar pauta. Começou a circular uma proposta no parlamento britânico para condenar a pintura labial por estar associada a feitiçaria. As pessoas diziam que a pintura labial era usada para seduzir os homens e induzi-los ao casamento.

Não existem confirmações se essa proposta foi de fato implementada, mas aos poucos a ideia foi se desconstruindo — as pessoas começaram a ver que não tinha nada a ver uma coisa com a outra. E então, em 1880 a Guerlain lançou um dos primeiros batons vendidos comercialmente.

Até então, os batons eram feitos de forma caseira e produzidos com ingredientes como suor de ovelha, clara de ovo, leite de figo, cochonilha (inseto usado para produzir corante até hoje), chumbo, mercúrio, entre outros.

Depois dos lançamentos comerciais, o batom começou a ficar cada vez mais famoso e universal, e seu significado começou a mudar.

Em 1910, existiu uma mudança radical em seu conceito e passou a ser uma maneira de identificação do movimento sufragista — movimento social e político formado por mulheres que lutavam pelo direito ao voto feminino.

Elizabeth Arden, dona de um salão de beleza em Nova York, começou a distribuir um batom na cor red door red para as mulheres que lutavam pela sua emancipação. E mais pra frente, durante a Segunda Guerra, ela lançou o the victory red.

O tom vermelho se tornou protagonista dos movimentos e foi o tom de batom com maior destaque na história por três camadas que se sobrepõem: biologia, cultura e tecnologia. Biologia pois o cérebro humano já presta atenção no vermelho. Cultural pois o vermelho sempre foi cor de status. E tecnologia pois Hollywood “fixou” o vermelho como ideal — filmes em preto e branco precisavam de contraste forte.

Em 1915, surgiu o tubo metálico giratório do batom. Pode parecer apenas um novo design de embalagem comum, mas ele foi o responsável por tornar o item pessoal e cotidiano. Por conta da facilidade de aplicação e de manuseamento, as mulheres passaram a carrega-lo na bolsa e reaplicar quando quisessem, e isso fez com que a popularidade fosse cada vez maior.

Em 1929, com a queda da bolsa, observamos pela primeira vez o the lipstick effect. O movimento conclui que em tempos de crise e depressão, as mulheres investem em itens baratos que são capazes de gerar conforto e auto estima, ou seja, o batom começa a ser mais usado. Esse comportamento foi observado depois em outras grandes crises e se confirmou todas as vezes. Quando o futuro parece incerto, pequenos luxos substituem grandes sonhos.

Em 1933, a Vogue deu destaque para o batom como grande aposta da vez. E logo depois, na Segunda Guerra Mundial, aconteceu outra virada de chave. O batom deixou de ser símbolo de rebeldia e se tornou símbolo de feminilidade e resiliência. Principalmente o tom vermelho, que começou a ser uma parte vital do esforço de guerra. O governo dos EUA considerava o batom essencial para a moral nacional — tanto que a produção do item continuou mesmo com racionamentos da crise pós guerra.

Nos anos seguintes, o mundo foi mudando e o batom seguiu o mesmo caminho. Hollywood crescia cada vez mais, e a maquiagem das telas passou a ditar tendências. Audrey Hepburn e Marilyn Monroe popularizaram o batom vermelho e o transformaram no item de maquiagem mais desejado da época.

Com o passar das décadas, a moda e a cultura foram se transformando, e a maquiagem acompanhava.

Nos anos 50, no pós-Segunda Guerra, a feminilidade voltou a ser clássica e organizada. O batom acompanhou esse momento com o vermelho tradicional e a boca milimetricamente contornada.

Com a revolução jovem dos anos 60, o foco saiu dos lábios e foi para os olhos, e os batons passaram a aparecer em tons claros e nudes.

A contracultura dos anos 70 trouxe uma beleza menos artificial, dando força aos tons terrosos. Já na era disco dos anos 80, a maquiagem se tornou expressão de poder, e as cores intensas ganharam protagonismo.

O minimalismo dos anos 90 trouxe à tona uma maquiagem despretensiosa, marcada pelos tons “cor de boca”. Nos anos 2000, o boom da cultura pop colocou o gloss em destaque.

Mais recentemente, com a onda clean e wellness, a aparência de naturalidade controlada ganhou força, e balms e lábios hidratados passaram a importar mais do que a cor.

Agora, porém, já se percebe um movimento de saída dessa estética limpa da era clean girl em direção a um retorno da personalidade: tons quentes reaparecem e o batom volta a ocupar seu lugar como ferramenta de expressão — não de perfeição.

O batom é um dos grandes símbolos de feminilidade, poder e autoestima. Atravessou séculos, passou por diferentes significados e nunca deixou de ocupar seu espaço. Talvez, ao olhar para a sua nécessaire agora, você o veja de outra forma. Afinal, nunca é só moda, nunca é só maquiagem. Tudo é cultura.


Shop my cool finds 🙂 

Jaqueta Bershka: adorei a cor, a modelagem com gola funil ta super em alta e achei o preço ótimo

Bolsa Zara: cheia de personalidade, perfeita para usar com looks básicos.

Vestido Le Shay: so princess! Amo a marca e esse vestido está simplesmente a coisa mais fofa

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Lenço H&M: Se você me segue no meu perfil pessoal sabe que eu sou obcecada por lenços, e achei esse muito lindo. Adoro azul e gosto de combinar com looks marrons!

Jornalista, nutricionista, psicanalista e criadora de conteúdo que (não) dá conta de tudo.
Amo sol, mar, cachorros e falar de beleza na internet no @jornalistadebeleza

Essa semana fiz um post mostrando meus cinco batons vermelhos do momento.
Já não é a primeira vez que gravo esse tipo de vídeo lá no meu perfil no Instagram (ainda não segue? É @jornalistadebeleza) e sempre faz sentido - não importa o momento.
Isso porque o batom vermelho é um ícone atemporal - um dos poucos códigos de beleza que transita entre estilos e sobrevive a gerações.

Em looks, vai do clássico ao ousado com muita naturalidade.
Arrisco dizer que a mulher que ainda não teve um batom vermelho pra chamar de seu, certamente terá, em algum momento da vida.
Mas escolher seu vermelho favorito diante de milhares de opções pode ser uma tarefa e tanto! Pensando nisso, vim ajudar nessa missão, lembrando que nem todo vermelho é igual

Vermelho tomate
É a versão mais vibrante, quente e cheia de personalidade! Um tom que ilumina a pele e, na minha opinião, exala uma vibe girl boss!

Vermelho fechado (bordô/vinho/cherry)
É mais dramático, profundo e silencioso! Gosto bastante da aura misteriosa que ele entrega.

Vermelho alaranjado
O mais fashionista de todos! Pra mim, tem cara de editorial de revista de moda independente e conceitual. Moderno, cool sem esforço e com um quê de ousadia a mais!

Vermelho clássico (neutro/levemente mais frio)
O vermelho de filme. Elegante, atemporal, democrático e perfeito pra quem não quer errar.

E aí? Com qual tom você mais se identifica?
Me conta lá no Insta!
Beijoooooo!

A palavra icônico foi tão banalizada que já nem parece suficiente para explicar o que isso aqui significa.

O encontro entre Miranda Priestly e Anna Wintour é, sem exagero, o momento mais icônico do ano — sim, estou dizendo isso em abril e sigo confiante de que continuará sendo até o fim de 2026.

Talvez a única personagem capaz de fazer Anna Wintour parecer simpática seja justamente Miranda.

Para quem assistiu O Diabo Veste Prada e conhece um pouco da história da Anna, sabe que Miranda foi inspirada na lendária editora-chefe da Vogue. E, de certa forma, ela consegue interpretar Anna melhor do que a própria Anna jamais permitiria.

Com a estreia do segundo filme neste mês, a Vogue decidiu fazer o impensável: uma capa com as duas. O momento fashion que nem sabíamos que precisávamos — mas claramente precisávamos.

Pela primeira vez na carreira, Anna aparece na capa da revista. Um momento genuinamente histórico para a moda.

Sinceramente, só agradeço por estar vivendo na mesma época em que isso aconteceu.

Ansiosa para o filme.

Instagram Post

🎤 It's Coachella season! (crying in FOMO language). O press kit mais legal com a parceria mais legal

🍋 Cutest sneakers! Amei esse tênis da Jacquemus, muito fofo.

💸 A meia mais cool do mundo. Amei até ver que ela custa 2.000 euros, rs

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