saudades da Hannah Montana

e o que isso tem a ver com a moda

 

hey!

Miley Cyrus voltando aos estúdios de Hannah Montana, remake de De Repente 30, uma nova série de Harry Potter… será que o antigo sempre vai ser melhor que o novo? A nostalgia nos move — e move a indústria também. Afinal, sempre buscamos aquilo que é confortável e familiar. Mas como tudo isso se reflete na moda?

Convidei a Manu Lima para complementar a conversa falando sobre vintage. Trouxe também meus favoritos do mês & more.

espero que gostem :)

have a nice reading!

Existe algo quase que poético em olhar para o passado com nostalgia. Encontrar por acaso um casaco que você usou em um dia muito especial, rever fotos antigas ou assistir a Miley Cyrus cantando "Best of the both worlds” depois de 20 anos — tudo isso desperta um sentimento de saudade combinado com um abraço quentinho.

A nostalgia é algo que todo mundo sente — alguns mais que outros (eu devo estar no top 3 de pessoas mais nostálgicas do planeta). Mas a verdade é que essa sensação é muito boa e faz a gente perceber quanta coisa boa experenciamos ao longo da vida.

O mais legal é que ela é literalmente diferente para todo mundo. Para os meus pais significa algo totalmente distinto do que para mim — e para alguém mais jovem, outra coisa, e assim por diante.

A nostalgia foi relatada pela primeira vez final do século XVII. Johannes Hofer, estudante de medicina, percebeu uma “doença” diferente nos soldados que estavam servindo longe suas cidades, eles tinham sintomas físicos como dores constantes, cansaço extremo e uma saudade inexplicável de suas casas. Então surgiu o que hoje conhecemos como nostalgia (do grego nostos, “retorno ao lar”, e algos, “anseio”).

Foi só no século XX, que a nostalgia parou de ser considerado uma doença e passou a ser uma condição mental praticamente universal: uma saudade de casa ou de algum momento específico. Marcel Proust foi o responsável por mudar como enxergamos esse sentimento, tornando-o uma experiência profunda e emocional.

Esse sentimento de sentir falta de algo enquanto sente carinho por ter vivido aquilo é algo que move o mercado. Não à toa, essa semana, a maioria das meninas que cresceram assistindo Zapping Zone ligaram a TV no Disney+ para assistir o aniversário de 20 anos da Hannah Montana. E óbvio que para surfar na onda, diversas marcas —como Zara e Starbucks, lançaram produtos específicos para esse momento.

Usamos a nostalgia como uma válvula de escape do mundo real. Gostamos de relembrar de momentos que a vida era mais fácil, e potencializamos a romantização desses dias. As vezes você nem gostava tanto assim de ficar assistindo Hannah Montana, mas você vai se convencer de que era o melhor momento da vida, e chorar todas as suas lágrimas assistindo o episódio de terça-feira.

Quando o assunto é nostalgia, a moda é uma das principais aliadas em fazer esse sentimento se tornar tangível. Roupas contam histórias e nos lembram de diversos momentos da nossa vida. Afinal, quem nunca quis doar o casaco que usou em um dia péssimo? Ou guardar para sempre um vestido que usou em um dia mágico?

A moda é uma das maiores formas de escapar da realidade — talvez por isso flerte tanto com a nostalgia. Ela não é linear; tudo sempre encontra um jeito de voltar no momento certo. Afinal, quem nunca ouviu um “eu já tive uma roupa exatamente assim?” vindo da mãe, da tia ou da avó? Eu escuto isso o tempo todo e gosto de imaginar minha mãe usando, quando jovem, peças muito parecidas com as que hoje fazem parte do meu guarda-roupa.

Quando alguma tendência volta a aparecer nas vitrines, as gerações antigas revivem as memórias e as gerações mais novas tem uma energia de descoberta — um olhar de releitura daquilo que já passou.

Cada década tem seu próprio encanto e, quando a revisitamos, não queremos apenas a roupa, mas também o momento em si — a atitude, o estilo de vida, a atmosfera — mesmo que nem estivéssemos vivos naquela época. Sempre que alguma peça dos anos 60 volta, eu me pego imaginando como seria ouvir Elvis Presley usando uma jaqueta de couro oversized roubada do namorado e uma minissaia que, naquele tempo, era um verdadeiro escândalo.

A nossa sede pelo passado é emocional e psicológica, mas obviamente tem muito business envolvido de grandes marcas. Existem nomes que vendem a mesma ideia há anos com o discurso nostálgico — como Calvin Klein. Estabilidade, controle e conforto visual, tudo isso misturado com a romantização de um tempo que não volta mais, isso vende.

Esse elo tangível com o passado faz com que a gente sinta segurança em usar algo que resiste ao tempo, afinal, hoje em dia quase nada resiste.

Com o fast fashion, muitas vezes ficamos carentes de personalidade — uma blusa viral no Tiktok e todo mundo está igual na semana seguinte. Buscamos a sensação de controle por meio da nostalgia. Quando revisitamos algo familiar, nos sentimos firmes e atemporais.

O vintage entra nesse lugar quase que com uma estrelinha dourada. Além de toda essa familiaridade, o vintage conta história — eu já fui a pessoa que não queria comprar roupa usada, hoje eu acho o máximo! Inclusive fico pensando em quais festas o vestido que comprei já foi antes de eu levar ele para as minhas.

Somos movidos por isso, afinal, se tivéssemos uma relação fria com nosso passado, não teríamos motivação para olhar pra frente. A moda se alimenta dela mesma, um ciclo constante entre o que já foi e o que está por vir. Um mix de passado com presente.

A nostalgia aquece o coração, nos faz chorar ao ver Miley Cyrus cantar Best of Both Worlds quase vinte anos depois e, principalmente, nos dá repertório e histórias para contar. Porque, no fim, a moda é sobre autoexpressão — e quem somos nós sem aquelas saudades gostosas de sentir?


Shop my cool finds 🙂 
  • Bolsa Zara: Cor linda e amei o bordado. Tira qualquer look do Ăłbvio.

  • Kimono Zara: Top 1 da minha wishlist no momento. Lindo!!!

  • Balm Adcos: Uso todo dia antes de dormir, hidrata muito a boca. Super recomendo

  • Calça Bershka: Adorei a textura e a modelagem. Uma calça branca nada Ăłbvia.

  • Bandeja Casa Riachuelo: Adorei essa bandeja, estava procurando uma para colocar meus perfumes e acho que vai ser a escolhida!

  Roupas guardam histĂłria w/  Manu Lima

Oie, sou a Manu e trabalho com estética e curadoria na Etiqueta Única.

Nostalgia pra mim Ă© instintivamente conectada Ă  moda.
Moda pra mim, sempre foi um lugar muito familiar e carregado de histĂłrias.

Eu venho de uma família de mulheres que trabalharam com isso de forma prática. Minha avó era bordadeira, dona de confecção, e eu cresci vendo roupa sendo feita, ajustada, escolhida. Mas, mais do que isso, sempre existiu um olhar ali. As mulheres da minha família se encontravam através da estética, nos detalhes, nos acessórios, na forma de se arrumar.

A minha avó Emília era uma figura muito forte e muito respeitada. E hoje eu entendo o quanto isso moldou o meu olhar. Existe uma memória estética que vem daí. E acho que é exatamente nesse ponto que a nostalgia aparece, não como vontade de voltar no tempo, mas como reconhecimento do que permanece.

Talvez por isso eu me conecte tanto com peças que carregam história. O vintage, pra mim, não tem tanto a ver com tendência, mas com continuidade e sentimento, nostalgia. É algo que já foi escolhido antes, que já fez sentido em outro contexto, que te lembra algo, que te volta a algum lugar ja vivido e que continua trazendo sentido para o agora.

Hoje, trabalhando com estética e curadoria, esse olhar fica ainda mais claro. Curar é saber diferenciar. É conseguir identificar o que realmente tem valor no meio de muita coisa. E, na maioria das vezes, isso está nos detalhes, nas coisas que não são óbvias, que não chamam atenção de imediato ou que fazem parte de uma tendência em voga.

O vintage funciona muito bem nesse lugar. Porque ele não é imediato. Ele exige mais tempo, atenção e emoção.

E o mágico do Vintage pra mim é o processo de encontrar. Entrar em um lugar onde, à primeira vista, nada parece especial, e começar o "hunting". Separar, testar, insistir. Até bater o olho em algo que é realmente muito especial e a conexão acontecer!

Não é sorte. É curar.

E no fim, acho que Ă© isso que torna o vintage tĂŁo interessante. Ele nĂŁo depende do novo. Ele depende de repertĂłrio.

Ăšltima edição de março e isso significa: month favs đź’Ś Tudo o que eu amei esse mĂŞs e que vale a indicação!

Givenchy Irresistible: Eu sou muito fiel — principalmente com os perfumes que eu uso. Fazia mais de 2 anos que eu usava o mesmo todos os dias, até que ganhei esse da Givenchy que roubou um lugar na prateleira e está sendo muito usado. Ele tem notas de pistache com baunilha (sem ser muito doce e enjoativo). Ele tem um mood mais dia, mas super funciona de noite também.

Mingau de banana: O meu outro lado, além da moda, é o wellness. Sou obcecada por testar receitas e produtos novos. Vi a Olivia Jade fazer esse mingau em um vlog, testei e aprovei. Para começar, coloque uma colher de honey syrup na panela — você pode usar mel ou maple syrup no lugar — e, logo em seguida, adicione a banana cortada em fatias para pegar sabor. Mexa por alguns minutos e, quando perceber que ela está começando a caramelizar, acrescente meia xícara de farelo de aveia e leite vegetal. Misture até ganhar consistência e tcharam! Está pronto. Eu não gosto dele muito quente, então deixo alguns minutinhos na geladeira antes de comer.

Jane Eyre: Este ano me propus a ler mais clássicos, e o escolhido da vez foi Jane Eyre. Ainda estou na metade do livro, mas já estou amando. É exatamente o tipo de leitura que eu gosto, cheia de detalhes e descrições. A história gira em torno de Jane, uma órfã que vive em uma casa onde ninguém parece gostar dela. A partir daí, ela passa por diversos acontecimentos — e eu já estou curiosa para descobrir como tudo termina.

Calça bordada Zara: Quase não fiz compras este mês, mas, se teve uma que valeu cada centavo, foi a calça bordada da Zara. Assim que a vi, já sabia que ia querer levar — e, quando vi o preço, achei justíssimo. Já pensei em várias formas de usá-la: é realmente uma peça statement que vale a pena ter no armário.

Dior runway: O meu fashion moment favorito do mês foi o desfile da Dior. A coleção foi a melhor desde a chegada de Jonathan Anderson à marca — senti que, desta vez, ele conseguiu se expressar com mais liberdade. O cenário, as roupas, o clima… tudo parecia um verdadeiro conto de fadas. Acho que, a partir de agora, ele vai se sentir cada vez mais seguro e evoluir a cada temporada.

Schiaparelli é uma das marcas mais importantes e relevantes da moda. Rival de Coco Chanel na década de 1920, Elsa criou uma maison com códigos únicos que seguem sendo reinterpretados por Daniel Roseberry — atual diretor criativo da marca — até hoje.

O Victoria and Albert Museum apresenta a primeira exposição do Reino Unido dedicada a Elsa Schiaparelli, abrangendo mais de 100 anos de moda, arte e alta-costura.

Com mais de 200 itens em exibição — incluindo peças de couture, joias, esculturas e fragrâncias — a mostra explora tanto os primórdios da Schiaparelli quanto sua reinvenção contemporânea sob a direção de Daniel Roseberry.

Se você vai viajar para o Reino Unido entre 28 de março e 8 de novembro de 2026, a visita é um must-go.

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đź’­ Airbnb vai realizar o sonho de infância de algumas pessoas! Simplesmente vocĂŞ pode passar o dia na casa da Hannah Montana. Quero agora, principalmente a parte do closet

👵🏻 Eles sempre se superam! A nova campanha da Nude Project está genial

🌝 It's back! O moon shoe vai voltar e Ă© uma das grandes apostas da Nike. Eu amo, parece muito o que eles lançaram em collab com a Jacquemus.

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Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo.

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