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moda é encantamento
e ninguém faz isso melhor do que a Maison Valentino

Hey!
De vez em quando, nasce alguém com um olhar diferente. Alguém capaz de perceber beleza onde ninguém mais percebe, de transformar sensibilidade em assinatura e encanto em legado. Que sorte o mundo teve de ter Valentino Garavani. Sensível, atento e profundamente apaixonado por arte e tudo o que ela desperta, ele construiu uma das maiores casas de moda da história.
Hoje, décadas depois, Alessandro Michele revisita esse universo através de sua visão teatral, extravagante e quase fantasiosa. É o passado encontrando o presente sem perder a magia no caminho. Um diálogo entre herança e reinvenção.
Hoje vou falar sobre a história, o legado e o encantamento por trás da Valentino.
Uma das edições mais especiais até agora!
Espero que gostem :)


O melhor da moda nunca foi sobre roupas. Aproximadamente uma vez em cada geração, nasce uma pessoa apaixonada, com um olhar sensível e com uma inclinação única para o que é belo, capaz de transformar roupas em fantasia, desejo e escapismo, tudo isso antes de se tornarem produtos.
Para quem viveu no auge dos anos 80, deve sentir que viveu o ápice da moda, com uma honra misturada com nostalgia por ter presenciado o grande acontecimento que foi Valentino Garavani.

Nascido no interior da Itália em 1932, Valentino sempre soube o que queria. Decidido, sensível e com um olhar atento, aos 17 anos se mudou para Paris para estudar moda, onde seu talento logo chamou atenção. Muito cedo, passou por grandes casas de moda, como a Balenciaga.
Ele tinha a inspiração de um garoto do interior, vivendo no período cinzento pós-guerra. O momento não colaborava para uma mente e um coração positivos, mas Valentino era diferente. Ele era fascinado pelo brilho glamuroso da Dolce Vita.
Seus anos em Paris foram decisivos. Encontrou Giancarlo Giammetti — seu parceiro pessoal e de negócios, e juntos fundaram a Valentino em 1959. O apoio de seus pais foi fundamental; seu pai vendeu sua casa na Itália para ajudar o filho a construir a primeira boutique.
O estilo da grife começou com uma mistura franco-italiana, aquele barroco leve, ou melhor dizendo, o rococó — que desloca o olhar para a leveza, o luxo cotidiano e a fantasia. Ele foge da realidade dura e cerca-se de delicadeza. A cara de Valentino Garavani.
Afinal, apenas uma pessoa com sensibilidade visual e um olhar apurado para a beleza conseguiria perceber, durante uma ópera na Espanha, a presença única da cor vermelha. E tornaria esse tom sua assinatura.
O Valentino Red foi usado inúmeras vezes pelo fundador e, com o tempo, acabou se tornando um dos maiores símbolos da maison. Hoje, o tom intenso e inconfundível de vermelho da Valentino representa paixão, poder e profundidade.
Para construir seu legado e sua fantasia, Valentino se preocupava em vestir as mulheres que traduziam a sua essência. Elizabeth Taylor, Sophia Loren e Jackie Kennedy — que inclusive o convidou para fazer diversas peças do guarda-roupa oficial da Casa Branca e depois recorreu a ele para seu vestido de casamento com Aristotle Onassis. Essas mulheres criavam a imagética da essência Valentino. Delicadas, femininas e com uma beleza inquestionável.
Valentino vestiu princesas, estrelas de cinema e as pessoas com maior visibilidade do mundo. E sempre deixou claro uma coisa:
“Eu sempre quis deixar as mulheres mais bonitas”
A beleza que o inspirava vinha de sua vida pessoal. Um grande amante de arte — e colecionador — e uma pessoa extremamente sociável, que inclusive fazia jantares e festas após cada desfile de alta-costura. Valentino vivia sua vida olhando para o que chamava sua atenção naturalmente. E ficou conhecido justamente por criar essa sofisticação despretensiosamente. Linhas limpas, volumes, bordados e um uso magistral de cor.
No fim, a Valentino refletia a alma de seu criador. Uma pessoa despretensiosamente elegante, que percebia detalhes que muitos ignoravam, com uma opulência calculada e, principalmente, pela sua confiança em si.
Durante o modernismo, as palavras cool e edgy não cabiam muito no mundo delicado e feminino de Valentino. Mas graças à sua confiança em seu próprio caminho, ignorando os ventos mudando de lado, Valentino hoje veste as netas de suas primeiras clientes, ou então, gera desejo na geração da mesma maneira que gerava há 50 anos atrás. Sua constância criou seus códigos, que criaram seu legado.
Em 2008, quando Valentino Garavani saiu da posição de diretor criativo, e Pierpaolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri assumiram, a gigantesca responsabilidade de trazer um novo olhar — porém honrando o legado — era desafiadora, mas eles o fizeram com maestria. Tinham um olhar de inovação grande e, em 2010, criaram o produto mais lucrativo da marca: o Rockstud.

Aquela criação foi um marco para a moda, era um novo significado para o feminino. As tachas inspiradas nos bugnatos — elementos arquitetônicos de pedra saliente das portas de Roma — eram imponentes e ousadas. Não tinham a mesma delicadeza de Valentino, mas redefiniam o que era a feminilidade.
A passagem de bastão para Alessandro Michele em 2024 foi um refresh. Nada era uma página em branco — nem Valentino, nem Alessandro. Ambos possuíam história, legado e identidade. Mas foi através da sua sensibilidade maximalista e teatral que Alessandro reinterpretou os clássicos da marca com excelência.
Ele habita o arquivo da marca com respeito, mas também não fica preso a ele. Como Alessandro mesmo diz: "A poeira é preciosa" — o tempo acumulado da marca é ouro nas mãos dele.
Através das raízes glamurosas e opulentas de Valentino, Alessandro Michele recria o Rockstud através de seu olhar.
A coleção Pre-Fall 2026 traz o Rockstud Pump redesenhado. Com 152 tachas colocadas à mão e uma palmilha vermelha que ecoa o tom mais famoso da moda, o sapato é uma releitura atual. Com cores marcantes, como azul claro e verde, o sapato representa o espírito de elegância ousada e uma despreocupação inerente em relação à arte de se vestir.
Alessandro não quis explorar o território dos Rockstuds logo quando chegou à maison. Ele diz, em entrevista à WWD, que preferiu esperar estar habituado ao território. Uma demonstração de semelhança com o fundador Valentino — essa nobreza no olhar e nas escolhas.
Anne Hathaway usou o modelo na première de O Diabo Veste Prada 2. A escolha do sapato foi intencional e genial — afinal, os antigos modelos são um marco do primeiro filme e eram item de desejo na época em que foram lançados.
Dizem que beleza é subjetiva. Mas talvez não seja quando se trata de Valentino Garavani, que transformou a moda em um conto de fadas com uma precisão tão absoluta que você não questiona. E também não quando Alessandro Michele reconstrói esse mesmo conto à sua maneira — excêntrica, teatral e igualmente maravilhosa.
Um cria a fantasia da mulher. O outro cria a fantasia da individualidade. Um cria a beleza inalcançável. O outro cria a beleza excêntrica. E a Valentino, 60 anos depois, continua sendo o lugar onde o encantamento se materializa em peças.

A Valentino me convidou (sim, eu também precisei reler isso 5x) para conhecer de perto a nova coleção de Rockstud, e é impossível não se encantar pelo nível de detalhe de cada peça. Com versões de saltos de 4cm e 10cm, e uma paleta que vai dos neutros atemporais aos tons mais vibrantes, a coleção consegue conversar com diferentes estilos sem perder sua identidade.

O clássico pump aparece com bicos pontiagudos, acabamento platinado e agora com uma icônica palmilha vermelha. Sandálias de tiras completam a família Rockstud trazendo feminilidade, personalidade e aquela irreverência calculada que sempre fez parte do universo Valentino.
Check out my favorite



Shop my cool finds 🙂
Jaqueta Carnan: adoro a cor marrom em tons mais fechados. vai com tudo, muito versátil
Sueter H&M: amo a estética de suéters estampados. da para fazer diversas composições
Bota Larroude: perfeita para o frio. o salto bloco deixa mais confortável e a cor é coringa.
Bolsa Mabô: muito fofa e única. nunca vai ver nada parecido.
Calça Renner: modelagem e lavagens perfeitas. um must.

Passado e presente da moda w/ Maria Barcelos
![]() | Maria Barcelos é bacharel em moda e brasileira vivendo em Estocolmo há três anos, onde trabalha como head of social numa empresa de biotech. Longe de deixar a moda para trás, ela a transformou em lente: estuda o vestuário como ferramenta para entender antropologia, história, comportamento e mercado de luxo, das subculturas às maisons. Além do trabalho, cria conteúdo sobre moda e estilo de vida, incluindo vlogs semanais onde esse olhar aparece na prática. Para Maria, moda sempre foi e sempre será arquivo, identidade e narrativa. |
Quando se fala em Valentino, a primeira imagem que vem à cabeça é o vermelho. Não qualquer vermelho, mas AQUELE vermelho. E isso já diz tudo sobre o que Garavani construiu ao longo de quase cinco décadas. Qualquer marca pode escolher uma cor de branding, mas fazer uma cor virar sinônimo do seu nome é completamente diferente. O vermelho está em todo lugar, desde logos de banco, a campanhas de fast food e em diversos produtos que você esquece no dia seguinte. Mas quando você vê aquele vermelho super específico, saturado, absolutamente seguro de si mesmo, você sabe exatamente de quem a gente está falando, sem precisar de mais nenhuma informação.
A origem disso é melhor do que qualquer estratégia de marketing que poderia ser inventada. Garavani era ainda estudante quando foi à Ópera de Barcelona assistir Carmen e viu, nos camarotes, uma mulher de cabelos brancos vestida de veludo vermelho. Entre todas as outras, ela era a única que ocupava espaço de verdade. Isolada no próprio esplendor, como ele descreveu depois. Ele nunca a esqueceu. E passou o resto da vida tentando recriar aquela sensação nas roupas que fazia: uma mulher que entra numa sala e muda a temperatura dela. Para entendermos melhor, é basicamente o que Carrie Bradshaw faz em cada episódio de Sex and the City, só que imagine em couture italiana dos anos 60.
Quando você mergulha no arquivo histórico da Valentino, começa a entender de onde vêm as referências de quem chegou depois dele. Sob o comando atual de Alessandro Michele, que chegou em 2024 vindo da Gucci, o designer resgata com muita força o que a marca era nos anos 70 e 80.
Aquela mulher de óculos enormes, plumas de avestruz, personalidade em excesso. A que vivia a moda como declaração de existência, não apenas com a função do “vestir” e de seguir um dress code. Isso faz todo sentido: Garavani era frequentador da Studio 54, amigo de Jackie Kennedy, de Elizabeth Taylor, de Audrey Hepburn.

No mesmo andar daquele mundo estava Pat Cleveland, a modelo que André Leon Talley chamou de "a Josephine Baker das passarelas internacionais", que dançava e rodopiava nos desfiles do Valentino nos anos 70 num momento em que modelos negras mal apareciam nas capas de revista americana. Garavani não só a escalava, mas era amigo dela. Ele ia além de vestir clientes, ele construía personagens para mulheres magníficas.
E Michele, que antes de tudo é um narrador de universos, reconheceu esse DNA imediatamente. Quando abriu os arquivos pela primeira vez, disse que foi "quase como um encontro religioso", que tocar as peças era como segurar relíquias.
E Michele não foi o primeiro da casa a fazer esse movimento. Pierpaolo Piccioli, que comandou a Valentino por mais de uma década, também dialogou profundamente com o arquivo. Na Spring 2019 Couture, pra mim, uma das coleções mais bonitas da história recente da marca, a maquiagem surrealista com penas saindo dos olhos como lágrimas ecoava os headpieces dramáticos das coleções do Garavani do início dos anos 2000, aquele mesmo impulso de transformar o rosto e o corpo em extensão da roupa. Dois diretores criativos diferentes, décadas de distância, mas a mesma gramática.

Valentino, spring 2002 couture | Valentino, spring 2019 couture
Isso não é exclusividade da Valentino. As casas que conseguem reinterpretar o passado sem parecer retrô ou nostálgicas são exatamente as que têm um fundador com uma linguagem visual tão específica que ela sobrevive a qualquer troca de comando. Na Chanel, Karl Lagerfeld passou 36 anos fazendo esse exercício, pegando o clássico tweed de Coco, as correntes, o 2.55, e reescrevendo tudo temporada após temporada, inovando sem perder o sotaque.
Na Schiaparelli, Daniel Roseberry usa o icônico surrealismo de Elsa. Os dedos dourados, o corpo esculturado como objeto de arte, as referências a Dalí e Cocteau como ponto de partida para coleções que são completamente do seu tempo mas que você reconhece de longe. E tem casos ainda mais radicais, como o de Azzedine Alaïa, que nunca precisou de um arquivo porque ele mesmo era o arquivo: recusava calendário de temporadas, lançava quando achava que estava pronto, e suas peças dos anos 80 e 90 são tão sem data que curadores hoje não conseguem olhar para elas e dizer quando foram feitas. Alaïa dizia que fazia roupas, e que as mulheres é que faziam a moda (talvez a frase mais honesta que alguém da indústria já disse sobre o que realmente dura).

The Lobster Dress, 1937 | Schiaparelli, Spring Summer Ready to Wear 2024
Roland Barthes escreveu, em The Fashion System, que "cada nova moda é uma recusa de herdar, uma subversão contra a opressão da moda precedente." A indústria inteira foi construída sobre o esquecimento programado, sobre a ideia de que o que era relevante ontem precisa morrer para o de hoje existir. O que Garavani, Lagerfeld, Alaïa e agora Michele e Roseberry entenderam é que a única forma de sobreviver a essa lógica é criar uma linguagem tão específica que ela não pertence a nenhuma temporada. Que outras pessoas continuam falando mesmo sem saber que estão citando alguém.
Em 2008, na última coleção que assinou, depois de 45 anos no comando da própria casa, Garavani apresentou setenta looks novos no Musée Rodin em Paris. Engana-se quem pensa que foi um retrospectivo, ou um best-of, foi um trabalho novo com toda a obsessão de sempre. E no finale, mandou todas as modelos desfilarem de vermelho. Uma Thurman, Claudia Schiffer, Miuccia Prada estavam na plateia. Todo mundo levantou. Aquele vermelho que começou numa noite de ópera em Barcelona, com uma mulher de cabelos brancos que ele nunca mais viu, tinha sobrevivido a cinco décadas de indústria, a múltiplos donos, a diretores criativos, a tendências que vieram e foram. Numa indústria construída para esquecer, o verdadeiro luxo é ser inesquecível.

A marca mais cool e com o melhor storytelling que você vai ver hoje.
O El Morocco foi uma boate icônica de Nova York, fundada em 1931 e frequentada pela elite social até o fim dos anos 50 — famosa pelos sofás de estampa de zebra e pelo glamour da época. Agora virou uma marca de perfumes.
A comunicação e o branding te transportam diretamente para dentro da boate. Fotos em preto e branco, roupas de época e um ponto-chave que conversa com o produto: o cigarro.
A fundadora diz que nunca fumou na vida — mas o primeiro lançamento da marca são cinco miniaturas numa caixa de metal prateada inspirada numa cigarreira vintage encontrada nos arquivos da Vogue. A ideia veio justamente da cultura do cigarro que definia o ambiente do clube.
Eu consigo até imaginar o cheiro desses perfumes. Fortes, imponentes e a cara da noite novaiorquina.


Eu adoro a Adidas, mas hoje em dia acho que existem modelos muito mais interessantes do que o Samba. Acho que ele ainda vai voltar com força — principalmente por causa da Copa e dessa estética do futebol que está em todo lugar — mas esses são os tênis que realmente têm brilhado meus olhos ultimamente.

Espero que tenha ajudado! Se você tem alguma sugestão de guide ou se tem alguma peça que queira usar mais, me manda aqui e quem sabe não aparece na próxima edição! ❤️

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