moda e música como linguagem

onde a liberdade criativa beira o utópico

 

Hey! Ou melhor, hola! — diretamente de terras argentinas (semana que vem tem guide de Buenos Aires, hihi).

Escrevi essa edição no meio de um voo, assistindo ao show completo do Justin Bieber no Coachella (pela segunda vez). Talvez tenha ficado um pouco fangirl — mas era impossível não falar sobre o impacto desse show, e também sobre a interseção entre moda e festivais.

Convidei a Junia para falar dos looks dela nesses eventos, e também compartilhei algumas dicas de como usar cintos & more.

Espero que gostem :)

Have a nice read!

Se você não estava no Estádio do Morumbi em 2011 dando a sua vida para ficar mais perto do Justin Bieber enquanto ele cantava pela primeira vez no Brasil, talvez você não entenda o que foi o show do Coachella. Depois de 17 anos de carreira, Justin decidiu fazer um show simples no maior festival do mundo, onde muitos artistas investem milhões em uma grande infraestrutura. Com um computador e um microfone, ele cantou diversas músicas antigas fazendo dueto com ele mesmo de anos atrás.

Se você não viveu a era de Baby, se não assistiu Never Say Never no cinema, talvez tenha parecido um show preguiçoso. Mas, se você estava lá — de alguma forma — você sabe o que aquilo significou.
Bieber fever has no cure.

Como tudo o que ele faz, o show dividiu opiniões, mas também bateu muitos recordes — como o de maior cachê do festival e maior audiência ao vivo. Ainda assim, o Coachella nunca é sobre uma única pessoa. São três dias, dezenas de artistas gigantes e um público que vem do mundo inteiro. É também um dos melhores retratos da relação entre moda e música.

As duas sempre caminharam juntas. São formas de autoexpressão quase instintivas: a música traduz o que a gente sente, enquanto a roupa comunica quem a gente é. Identidade pessoal e cultural.

E existem poucos lugares onde essa expressão é tão livre quanto nos festivais. Eles funcionam como uma espécie de espaço utópico para a moda — onde pertencimento e individualidade coexistem. Você expressa sua identidade ao máximo, mas também se identifica nos nichos.

Nos festivais a música e a roupa são protagonistas, e a moda ajuda a dar vida ao festival. Isso acontece desde os anos 60, com o roots dos festivais, o Woodstock. Naquela época, a liberdade, rebelião e contracultura estavam cada vez mais a tona, e os festivais eram os lugares perfeitos para trazer esse retrato cultural.

Ao longo dos anos e conforme os festivais foram crescendo e se consolidando, começaram a surgir dress codes específicos para cada um. Porque, no fim, o que você escuta também influencia como você se veste — e te aproxima de pessoas que fazem o mesmo.

Festivais são comunidade e nicho. São onde as tendências nascem na vida real. São o extremo da liberdade estética — sem regras. Você pode se vestir exatamente como você quer, e fugir completamente dos estilos convencionais no dia a dia.

E mesmo quem escolhe o básico — o “too cool to care” — ainda está comunicando alguma coisa.

Hoje, com as redes sociais, esse impacto ficou global. O que antes era vivido ali, agora é documentado, compartilhado e replicado. As fotos viram referência, pessoas comuns viram trendsetters. Novos caminhos de influência surgem.

A moda nesses espaços vai além de criar looks. Ela constrói pertencimento. Fala sobre quem somos, de onde viemos e o que valorizamos. Mais do que expressão individual, o que as pessoas escolhem vestir em um festival é um retrato do momento cultural.

Nada ali é por acaso.


Os crochet tops e as calças flare no Woodstock representam a liberdade, rebelião, contracultura.
As oversized tees e as Doc Martens desgastadas no Lollapalooza carregam o DNA do punk.
O boho crescente no Coachella revela um desejo coletivo por liberdade, caos e autoexpressão.

O que você escolhe usar em um festival é exatamente o que você quer comunicar ao mundo — e um reflexo do que o mundo está provocando em todos nós.

E não adianta tentar se convencer de que não é that deep. Depois do show do Justin Bieber, o databutmakeitfashion disse que a busca por pink hoodie disparou. Um simples casaco usado pelo cantor virou item de desejo em minutos.

O look icônico da Kate Moss em Glastonbury, em 2005, virou referência, e impulsionou diretamente o desejo pelas botas Hunter, que passaram de item funcional a símbolo de estilo. Cultura virando consumo, em tempo real.

Festivais também são laboratório para marcas. Quase um Super Bowl da moda. Um espaço onde a criatividade acontece de forma intensa. O olhar de todo mundo está mais atento durante esses eventos.

Festivais não são sobre a tendência que você decide ou não usar, são um retrato do timing cultural. Sobre o momento em que música, moda e comportamento se alinham e ficam óbvios no meio dos looks das pessoas que frequentam.

E talvez seja por isso que o look nunca é só um look. É sempre um indicador de onde estamos e principalmente, para onde estamos indo.


Shop my cool finds 🙂 
  • Calça jeans listrada H&M: Essa calça é perfeita para o dia que você quer se vestir básica mas não tão básica. Amo jeans com alguma textura ou estampa. O listrado é perfeito porque é muito atemporal.

  • Vestido Le Shay: Tenho um casamento se aproximando e estou na busca de vestidos. Esse da Le Shay foi um dos meus favoritos até agora. Amo o tom e a modelagem.

  • Clutch Zara: Falando em casamento, essa clutch é perfeita para se ter em casa e usar em diversos casamentos e eventos mais chics. Ela combina com quase todos vestidos e é super chic.

  • Miu Miu Miutine: Eu cheirei esse perfume em uma viagem no ano passado e desde então esse cheiro vive rent free na minha cabeça. Fiquei muito feliz quando vi que vai vender no Brasil. Ele é doce, mas não é enjoativo. Perfeito para qualquer ocasião ou clima.

  • Brinco Guya: To amando esses brincos de prender na orelha, acho muito chic. Ganhei esse da Guya e já to usando quase sempre. Inclusive tenho um cupom la PRICA10 ❤️ enjoy!

Festival styling w/  Junia Lopez

Sou a Junia Lopez, escrevo a Crème — uma newsletter de curadoria de moda, comportamento e tudo aquilo que está no meu radar. Mas, antes de qualquer coisa, eu sempre fui movida por música. Sou daquelas que vai para festival, chega cedo, disputa lugar na grade, tenta um friends and family e organiza o dia inteiro em torno do line-up.

Sim, festival é sobre música, suor e empurra-empurra pelo melhor spot do show. Mas o look certo te coloca no clima antes mesmo da pulseirinha de tecido apertar o pulso.

Dito isso, sejamos realistas: um bom look de festival precisa funcionar. Calor, horas em pé, quilômetros andados na grama (se não sobrevive a isso, o look já está errado!!).

Eu quase sempre puxo para três caminhos que nunca falham: grunge, boho e um leve aceno aos anos 70 e 80. Nada muito literal, mas sempre com essas referências em mente.

Olhar carregado, sombras escuras, tons frios, brilho e aquele acabamento propositalmente messy. Na roupa, rendas, braceletes, lenços, cintos e tecidos fluidos. E, claro, alguns elementos mais óbvios que funcionam: taxas, preto, couro, franjas e bastante brilho.

Para construir o look, eu sempre parto de uma leitura simples: que tipo de festival é esse? Mais indie, mais pop? Quais shows eu realmente vou assistir? A partir disso, vou ajustando o look ao mood.

Festival, para mim, é um dos lugares onde dá para brincar mais com sobreposição, acessórios e, principalmente, com a beauty. É ali que eu me permito ousar um pouco mais.

Como eu disse acima, festivais são um dos melhores territórios para marcas — seja para chamar a atenção de novos consumidores ou para se fixar ainda mais na mente de quem já conhece.

O Coachella, sendo um dos maiores festivais do mundo, também concentra algumas das ativações mais criativas — e com os maiores budgets.

Todo ano, o deserto de Palm Springs vira praticamente um playground para as marcas mais interessantes do momento. Todo mundo quer fazer algo relevante ali.

E, como sempre, algumas se destacaram mais que outras — e esse post reúne várias delas.

As minhas favoritas foram:

1. Rhode
A collab com o Justin Bieber foi, pra mim, um dos melhores exemplos do festival. O produto fazia total sentido com o contexto, a execução estava linda e tudo conversava com o universo da marca.

E, talvez o mais interessante: eles fugiram completamente do manual. O logo da Rhode foi adaptado durante a ativação — e, ainda assim, era impossível não reconhecer a marca. Porque branding vai muito além do logo.

Tinha bar, experiências, interação — tudo muito coeso. Muito a cara da Rhode.

2. 818
A marca de tequila da Kendall Jenner já virou praticamente veterana de festival — e continua acertando.

Dessa vez, a ativação ficou do lado de fora, o que amplia completamente o alcance: não só para quem está indo ao festival, mas também para quem passa por ali.

E o detalhe que amarra tudo: a parceria com a Rhode, criando um suporte de gloss para levar junto com a tequila. Simples, inesperado e genial.

3. Tarte
Viagem com influenciadoras para o Coachella já virou quase fórmula. Funciona — mas também está saturado.

A Tarte entendeu isso e mudou o jogo. Em vez de só levar creators, eles transformaram a experiência em conteúdo: gravaram tudo como se fosse um reality show.

Tinha confessionário, narrativa, edição criativa — virou entretenimento de verdade, não só cobertura de evento. Vale assistir.

Instagram Post

Cintos são um dos acessórios mais poderosos pra tirar qualquer look do básico — eles realmente transformam tudo. Tenho amado usar versões mais diferentes, mas também investir nos clássicos que funcionam sempre. Reuni aqui todas as minhas referências de styling e ainda fui atrás de alguns dos modelos mais interessantes que tenho visto por aí. Tem para todos os gostos e bolsos.

Um cinto consegue ser statement de várias formas — seja pelo tamanho da fivela, pelos studs e pins, ou até por uma cor/estampa inesperada que quebra o look.

1- Riachuelo | 2- nk | 3- All Most Vintage | 4- Gigi | 5- Zara | 6- Renner | 7- All Most Vintage | 8 - Renner | 9 - C&A

Espero que tenha ajudado! Se você tem alguma sugestão de guide ou se tem alguma peça que queira usar mais, me manda aqui e quem sabe não aparece na próxima edição! ❤️ 

💭 My dream bag collection. Amo essas edições diferentes.

🐶 A campanha mais fofa que você vai ver hoje é essa da Adidas.

🎨 DIY at Coachella. Essa ativação da GAP foi uma das mais legais do festival.

Referral Program

No gatekeeping here! Share your link

Aqui tem o seu link para compartilhar a The Setters com quem você conhece e desbloquear prêmios. Cada pessoa que chegar por você, conta! e dá pra acompanhar tudo em tempo real nesse contador aqui embaixo:

Editor’s note

Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo.

Espero que você goste de ler essa newsletter tanto quanto eu gosto de escreve-la! ❤️ 

Vou deixar aqui o link das minhas redes sociais para quem quiser trocar (sempre estou aberta e amo muito)

Instagram | Tiktok | Daily

Tell me what’s on your mind!

O que achou dessa edição?

boa 

ok 

SEE YOU NEXT FRIDAY!