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nada é por acaso
a construção do "cool" pela Coreia

hey!
Depois da edição em que convidei a Paula para falar sobre soft power, fiquei completamente obcecada pelo tema. Comecei a pesquisar muito sobre o assunto e precisei me controlar para essa newsletter não virar uma verdadeira aula de história e geopolítica, rs.
Foi a primeira vez que mergulhei de verdade nas tendências coreanas e confesso que estou cada vez mais apaixonada por k-fashion e k-beauty. E não é por acaso. Existe uma estratégia enorme por trás da construção da Coreia do Sul como uma verdadeira fábrica de tendências, que vai muito além do entretenimento.
Além disso, convidei a queen do k-beauty, Jojo Patrus, para conversar sobre a relação dela com o skincare coreano e tudo que envolve esse universo.
Espero que gostem! 🤍

Não é coincidência que os ídolos de K-pop estejam sempre na primeira fileira dos grandes desfiles de moda, que o skincare coreano tenha se tornado referência mundial e que cafés, papelarias e tendências de moda coreanas dominem o seu algoritmo. Esse fenômeno vem acontecendo silenciosamente há anos, e só agora estamos vendo resultados gigantescos diante dos nossos olhos, e ele quase não tem a ver com o entretenimento em si.
Existe um poder silencioso, que muitas vezes passa despercebido e é confundido com uma mera afinidade. Já dizia Lao Tsé (Lao Tzu), a liderança mais eficaz não é aquela baseada em ordens diretas, mas aquela em que a presença do líder quase não é percebida. E assim, diversas nações e políticos exercem o soft power.
O termo criado por Joseph Nye diz que o soft power é a capacidade de um país de influenciar outros através da cultura, valores e políticas atrativas. Alguns grandes exemplos históricos dessa prática são a diplomacia cultural da França e a disseminação de valores americanos por meio de Hollywood, fixando o famoso American Dream na cabeça do mundo inteiro.
Atualmente, temos um grande exemplo dessa prática que veio conquistando o que assistimos, ouvimos e até a maneira como nos vestimos. O Hallyu, ou Onda Coreana, é o nome dado à expansão global da cultura pop sul-coreana — um movimento que transformou a Coreia do Sul em uma das maiores exportadoras de cultura do mundo.
🤓 Para entender esse fenômeno por completo e com todos os detalhes que merece, vamos ter que voltar bons anos na história.
No século XX, a colonização japonesa na Coreia trouxe profundas mudanças no país. Durante mais de 35 anos, intensas tentativas de assimilação cultural aconteceram, e muitos elementos históricos coreanos tentaram ser apagados e substituídos por outros. Após a libertação, a Guerra da Coreia, em 1950, devastou a infraestrutura do país e dificultou ainda mais a reconstrução de uma identidade nacional que já havia sido profundamente abalada durante a ocupação japonesa.
Após anos de isolamento e momentos conturbados, a Coreia passou a trazer um pouco de tudo, e houve forte influência da cultura americana, japonesa e ocidental na música e televisão coreana.
Após os Jogos Olímpicos de 1988, em Seul, houve uma aceleração da abertura do país. E logo depois, ocorreu a permissão de que Hollywood distribuísse seus filmes nas terras coreanas, e, por medo de substituição, o governo implementou práticas que protegem a cultura e a valorizam como setor estratégico.
Isso foi crescendo e se tornando um pilar fundamental no governo. Inclusive, em 2003, o Ministério do Comércioanunciou um plano para impulsionar marcas locais para exportação e aprimorar a imagem do país internacionalmente. O governo investiu mais de 100 bilhões de wons nas marcas nacionais.
O Hallyu começou a dominar a Ásia com os dramas coreanos e o K-pop, e isso foi se estendendo até chegar em níveis mundiais. Hoje, quase 30 anos depois, vemos os reflexos dessa política no nosso dia a dia. Nosso feed do Instagram é tomado por inspirações coreanas, o k-beauty, k-fashion, k-drama e k-pop fazem parte da nossa rotina e são frequentemente citados como fonte de inspiração.

As redes sociais aceleraram muito esse processo. Antigamente, era muito mais difícil de emplacar uma música coreana na Billboard; hoje, isso é facilmente atingido por BTS, BLACKPINK, entre outros. O acesso à informação e à cultura de outros países nunca esteve tão acessível, e nunca fomos tão obcecados pela Coreia do Sul.
Esse tipo de estratégia de fortalecer a cultura e valorizar a própria história raramente gera resultados imediatos. É um trabalho de longo prazo, que exige consistência e paciência.
Ao mesmo tempo, o governo precisa dosar muito bem o seu papel nesse processo. Seu objetivo deve ser criar as condições para que a cultura floresça, e não controlá-la ou protagonizá-la. Quando essa linha é ultrapassada, o efeito costuma ser justamente o oposto do esperado.
Após esses longos anos de soft power, os resultados estão bem na nossa frente — a moda coreana está cada vez mais presente em inspirações, os cantores de K-pop se tornaram embaixadores de marcas de luxo gigantes, e os produtos de k-beauty são a maior referência de skincare que temos hoje em dia. Marcas como a Gentle Monster deixaram de ser um fenômeno local para colaborar com alguns dos maiores nomes da indústria da moda e do design.
Tudo isso movimenta a economia muito além da indústria do entretenimento ou da moda. À medida que nos aproximamos da cultura coreana, também passamos a nos interessar pelo estilo de vida — e, muitas vezes, nasce até a vontade de visitar o país. O resultado é um impacto que se estende ao turismo e a diversos outros setores da economia.
A moda nunca existe sozinha. Ela acompanha movimentos econômicos, culturais e políticos muito maiores do que uma tendência. E, muito antes da Coreia do Sul conquistar nossa wishlist, o soft power já estava sendo implementado. A maior prova de que ele funciona é que, em nenhum momento, tivemos a sensação de que alguém estava tentando nos convencer de alguma coisa.


Shop my cool finds 🙂
Calça Zara: calça jeans é uma peça essencial no meu armário, e quando vejo algum um pouco mais diferente ou estampado, entra direto na minha wishlist! Amei essa estampa, achei super cool para usar com uma regata branca ou peças mais básicas.
Vestido LeShay: a LeShay tem uma estética muito única e mesmo eu não sendo a maior fã de poá, eu amei esse vestido. Tudo nele é lindo, a modelagem, a cor, o tecido… Já fiquei pensando nele em um casamento a tarde
Bata Renner: muito fofa e versátil. Consigo pensar em diversas ocasiões para usar essa blusa, combina desde um jeans e sapatilha, até uma saia estampada e salto.
Sapatilha Arezzo: amo sapatilhas e amo marrom, logo essa é minha nova obsessão da semana e amei o fato da fivela ser grande, deixa o sapato bem interessante e diferente.
Bolsa Isla: o tipo de bolsa que vão te parar 30x para perguntar onde você comprou. Simplesmente icônica e diferente de tudo que já vi.

K-beauty w/ Jojo Patrus
![]() | Eu sou a Joanna Patrus, criadora de conteúdo apaixonada por beleza e skincare, mas sempre de um jeito real, prático e sem complicação. Comecei compartilhando minhas descobertas, testes e experiências com produtos, especialmente de skincare coreano, e hoje transformei essa paixão em uma comunidade muito próxima, onde a gente divide as dificuldades, comemora os acertos, troca experiências e, claro, enlouquece junta a cada novidade. |
Eu honestamente acho que a K-beauty vai muito além dos produtos. Ela mudou não apenas o que a gente usa, mas também a forma como a gente vive esse momento de autocuidado.
A rotina de skincare pode ser aquele momento de desacelerar, respirar e tirar alguns minutos só para você. Os resultados exigem constância, tempo e respeito pelos processos . Aprendizados que, de alguma forma, também é importante para a vida.
O que mais amo é esse olhar para a constância, para a prevenção, para o cuidado com a barreira da pele e, principalmente, para aquilo que realmente funciona. Para mim, skincare não precisa ser complicado ou impossível de manter. Precisa fazer sentido para a sua pele, para a sua rotina e também ser um momento gostoso.

Acho que a força da K-beauty também está na democratização desse cuidado. Essa febre não aconteceu apenas pela novidade ou pela estética. Ela cresceu porque muitos produtos de fato entregam resultado, trazem boas tecnologias, texturas e experiências de uso muito agradáveis, além de preços possíveis. Isso ampliou o acesso e fez com que mais pessoas pudessem incluir o skincare na própria rotina.
No meu Instagram, tudo isso aconteceu de uma forma muito natural e orgânica. Eu comecei compartilhando o que usava, as minhas descobertas, as dificuldades, os acertos e as percepções reais do dia a dia. Acredito que foi justamente essa troca verdadeira que criou uma comunidade tão próxima.
Mesmo quando surgem oportunidades de trabalhar com marcas, a transparência continua sendo uma prioridade. Eu valorizo uma comunicação direta e honesta, porque sei que existe confiança envolvida em cada opinião que compartilho.
O meu conhecimento vem principalmente da experiência, do uso constante e da observação da minha própria pele. Por isso, procuro sempre deixar claro o que funcionou para mim, orientar com responsabilidade e nunca transformar uma experiência pessoal em verdade absoluta. A ideia é ajudar cada pessoa a entender melhor a própria pele e fazer escolhas mais conscientes.
Foi essa mistura entre resultado, praticidade, acesso, transparência e autocuidado que me fez enlouquecer pela K-beauty. Eu sempre reforço: somos reais e não existe pele perfeita. É sobre aprender a cuidar, trocar experiências, respeitar os processos e transformar a rotina em um pequeno momento especial só seu, no meio de dias tão corridos.


Eu adoro o canal da Maia no YouTube. Inclusive, ela já escreveu para a The Setters, e eu fiquei tão feliz quando isso aconteceu. Vi esse vídeo dela no Instagram e ele me fez pensar em como os gostos e interesses femininos são, com frequência, tratados como algo superficial. Foi justamente um dos motivos que me fez criar esta newsletter que você ta lendo 🙂 Recentemente, contei para um homem que escrevia sobre moda. Ele assumiu que eu apenas compartilhava dicas de looks do dia — o que, aliás, não tem absolutamente nada de errado. Mas nunca vou esquecer a cara dele quando leu um dos meus textos e percebeu que havia muito mais ali. Moda não é fútil. Ela fala de história, política, economia, comportamento, identidade e cultura. E toda semana eu assumo, com vocês e comigo mesma, o compromisso de trazer mais contexto, referências e profundidade para essa conversa. Porque eu espero que, um dia, ninguém mais torça o nariz quando uma mulher disser que ama moda.
Estou numa missão de proteger meu cérebro e nunca mais deixar um brain rot tomar conta de mim. Compartilhei isso no TikTok e pretendo fazer uma série de vídeos sobre as minhas experiências ao longo desse processo. Esse vídeo, em especial, me ajudou muito a interromper esse ciclo para voltar a focar no que realmente precisa ser feito. Não vou fingir que é fácil. Hoje mesmo passei o dia inteiro enrolando para escrever esta newsletter e só estou terminando às 22h30 da noite anterior ao envio, rs. É uma batalha diária. Mas quanto mais estudo sobre o assunto e entendo o que está acontecendo no meu cérebro, mais ferramentas encontro para quebrar esses padrões e recuperar minha atenção.
Sou muito fã da minha melhor amiga, Tchela Lahoz, e ela é host de um podcast. Esse episódio, em especial, mexeu muito comigo. Existem muitas situações que fogem completamente do nosso controle, e a forma como escolhemos reagir a elas acaba definindo todo o resto. O podcast dela tem exatamente a sensação de uma ligação da sua melhor amiga: aquela conversa que te acalma, te faz refletir e coloca as coisas em perspectiva. E eu tenho a sorte de poder ter essa ligação literalmente no meu dia a dia. Escutem. 🤍
Você já teve a sensação de passar a gostar menos de algo que antes amava só porque, de repente, todo mundo também começou a gostar? Eu sofro um pouco disso, principalmente com músicas, marcas e roupas. Esse texto me fez refletir sobre o quanto dessa sensação tem a ver com autenticidade e o quanto é só o meu ego querendo que aquilo continue sendo "meu". Será que eu deixo de gostar porque perdeu a exclusividade ou porque realmente deixou de fazer sentido para mim? Foi uma leitura que ficou na minha cabeça por dias. E, aproveitando, essa newsletter é um verdadeiro respiro na minha mailbox. Recomendo muito a inscrição. 🙂

Estamos todas obcecadas por Ferran Torres? 🇪🇸
Entre os muitos (muitos mesmo) posts que vi sobre ele nos últimos dias, esse foi um dos mais interessantes.
Além de ser um dos jogadores mais comentados da semana, Ferran também é um colecionador de bolsas da Louis Vuitton. E aí entra um detalhe curioso: como a marca é uma das protagonistas da Copa do Mundo, 76% das menções à Louis Vuitton no último mês estiveram relacionadas ao torneio.
Quando o jogador do momento aparece usando a marca de forma totalmente orgânica, é o tipo de exposição que nenhuma campanha consegue replicar de maneira pensada.
Oh, Ferran... mal podemos esperar para te ver cada vez mais inserido no universo da moda.

🍦O que a Bottega Veneta tem a ver com sorvete? Aparentemente tudo
📐De repente quero estudar arquitetura e usar esses acessórios da Chanel para desenhar
📘 Eu preciso disso, e não é nem pelo produto que é lindo, e sim pela embalagem que ele vem!
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![]() | Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo. Espero que você goste de ler essa newsletter tanto quanto eu gosto de escreve-la! ❤️ Vou deixar aqui o link das minhas redes sociais para quem quiser trocar (sempre estou aberta e amo muito) |
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