antes de pagarem 250 mil dólares por uma mesa

a história do evento que transformou a moda em momento cultural

 

hey!

Semana de Met Gala e de muitas polêmicas, muitos looks e eu oficialmente de pijama, deitada na cama, julgando absolutamente tudo. E esse ano não foi diferente. Fui atrás da história do evento que, pra mim, funciona quase como um feriado da moda — e vim contar tudo pra vocês.

Além disso, chamei a Gabi Kirsten para dividir o top 3 looks favoritos dela deste ano, também montei um guide de camisas no estilo Lele Burnier & more.

Espero que gostem :)

Have a nice read!

A primeira semana de maio é sempre um marco no mundo fashion por conta do MET Gala. Um dos eventos mais importantes da moda, que reúne celebridades, insiders e a high society. É sempre um dos assuntos mais comentados — e esse ano não foi diferente. Dessa vez, o evento teve polêmicas que ultrapassaram o fator moda e entraram em questões políticas, sociais e econômicas.

Mas vamos começar do começo.

O Met Gala surgiu em 1948, idealizado por Eleanor Lambert, uma publicitária reconhecida no meio da moda — que inclusive ajudou a fundar o NYFW e o Council of Fashion Designers of America.

A ideia principal era levantar fundos para o Costume Institute — um instituto dedicado à preservação e estudo da história da moda, que se uniu ao Metropolitan Museum of Art em 1946. Sendo o único departamento curatorial do museu que é responsável por arrecadar os seus próprios fundos.

No início o evento não se chamava MET Gala. A primeira edição foi anunciada como "party of the year" e era descrita como uma festa para unir as pessoas importantes da moda para um get together. O evento ainda não contava com a presença de grandes celebridades, eram apenas as pessoas da high society e os fashion insiders.

Fun fact: Essa primeira edição do MET Gala teve seus ingressos vendidos por US$50 (aproximadamente US$660 hoje em dia).

Por mais que pareça controverso, o evento não acontecia no MET até 1971. Antes disso, ele era realizado em locais icônicos e prestigiados de Nova York. Algumas das locações mais marcantes foram o Rainbow Room e Rockefeller Center.

O evento começou a mudar e se tornar mais reconhecido e desejado, quando Diana Vreeland, ex editora consultora da Vogue e ex editora-chefe da Harper's Bazaar, entrou para o Costume Institute como consultora. Ela começou a participar ativamente da organização do evento, e não demorou muito para que o MET Gala se tornasse um dos maiores acontecimentos do calendário de moda, mudando totalmente os seus rumos culturais.

Diana começou a convidar pessoas de relevância mundial para o evento, como Elton John, Diana Ross e Elizabeth Taylor. Ela também foi a responsável por estabelecer os temas para o baile, que ajudavam na parte lúdica e imaginária dos espectadores, com uma estrutura criativa e impacto visual, que começaram a criar expectativas com os dress codes e roupas escolhidas para o dia.

O primeiro MET Gala com tema foi o de 1973, com "The World of Balenciaga". Diana era tão estratégica que espalhou perfume da marca nas galerias para memória olfativa e marketing sensorial.

Pat Buckley entrou para co-presidir o evento com Diana em 1979, e ficou encarregada sozinha após o falecimento de Diana em 1989. Pat implementou a ideia da mesa redonda posicionadas intencionalmente para misturar diferentes perfis de convidados e estimular conversas mais significativas. Seu último Met Gala foi em 1994.

Em 1995, Anna Wintour assume a posição e se torna presidente do evento. Sua primeira grande mudança foi em relação a data do evento, que acontecia em dezembro, e passou a acontecer na primeira semana de maio.

Anna foi responsável por trazer ainda mais holofotes para o Met Gala, principalmente na era das redes sociais. O mais legal é que a regra de não fotografar e filmar dentro do evento se mantém, então ainda existe um certo mistério e curiosidade que paira no ar. Só sabemos que tem um jantar e uma apresentação surpresa de algum(a) cantor(a).

Anna foi a responsável por consolidar o Met Gala como o evento mais influente da moda — transformou-o em um reflexo das páginas da Vogue. Tudo e todos que ditavam a cultura americana — e mundial — estavam presentes no tapete vermelho.

Até 2004, o dress code não era tão levado a sério, mas quando Amber Valletta se empenhou na produção da roupa e principalmente do beauty, isso fez com que todo mundo prestasse mais atenção e os looks fossem cada vez mais aprimorados e esperados.

O evento nasceu com intuito de arrecadar fundos para o museu, mas acabou se tornando um grande momento cultural, que reflete a moda e o mundo no tapete vermelho. E esse ano isso ficou muito claro.

Essa semana, a grande celebridade do tapete vermelho foi o Vale do Silício. Os bilionários do setor tech estão cada vez mais se aproximando da moda. Eles chegaram silenciosamente e do nada estão ocupando as primeiras fileiras nos desfiles mais desejados da temporada.

O maior patrocinador esse ano do MET Gala foi Jeff Bezos, fundador da Amazon, que doou cerca de US$10 milhões. Além dele, mesas foram vendidas a US$250 mil para empresas como OpenAI, Meta e Snapchat.

A Amazon já tinha patrocinado o evento outras vezes — sendo a primeira vez em 2012. Mas o que chamou atenção foi o fato de ter sido a primeira vez que uma figura tech assumiu o papel de patrocinador principal ao invés de ser uma marca de moda ou algum grande nome do cinema ou da música.

Mesmo não passando pelo tapete vermelho, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg e outros grandes nomes desse meio, marcaram presença no evento. Esse fato foi causa de diversas polêmicas e até boicotes — inclusive ocorreram manifestações sobre as condições de trabalho que aconteceram na frente do museu durante o evento.

A aproximação dessas pessoas com a moda está cada vez maior e cada vez mais frequente. Antes, quem se aproximava eram as marcas, agora são os próprios donos e CEOs que estão buscando essa visibilidade. O motivo por trás disso não é porque eles adoram a moda e querem ajudar a instituição — é tudo questão de negócios e networking.

Jeff e Nicole Bezos no Met Gala 2026 | Mark Zuckenberg e Priscilla Chan na fila A da Prada

A moda é considerada um dos maiores pilares culturais do mundo. É onde todos os olhos estão atentos. Estar no meio do MET Gala é branding — tanto para os CPFs quanto para os CNPJs.

A moda sempre foi um reflexo do mundo, e o Met Gala, seu palco mais simbólico. O que estamos vendo é um termômetro cultural e de poder, que nos faz refletir sobre o caminho que a moda está seguindo, além de entender o que realmente estamos valorizando nesse meio. Se nos anos 70, o foco era a alta sociedade, nos 90 as celebridades, e nos 2000 as marcas de luxo — agora são os bilionários do Vale do Silício que ocupam esse espaço. A questão não é quem está pagando a conta — é o que eles esperam receber em troca.


Shop my cool finds 🙂 
  • Camisa Zara: achei um acontecimento. Além de ser super linda e bem trabalhada, o shape dela faz o look. Essas pontas alongadas são lindas.

  • Macacão Umore: adoro jardineira, e achei essa de polka dots muito linda! Tenho cupom na marca: PRICAO ❤️ 

  • Calça nk: a modelagem é linda e atemporal. Amo o cinto e a etiqueta pra fora!

  • Sandália Larroude: the cutest!!! to obcecada por ela há semanas

  • Bolsa Bo.bô: única e linda. Amei a cor e os bordados. Da para usar até em casamento e eventos mais sociais.

“Fashion is Art”, a noite em que arte tomou conta do Met w/  Gabi Kirsten

Oi! Eu sou a Gabriella, tenho 28 anos e sou criadora de conteúdo focado em moda, beleza e esporte. Cresci cercada pelo universo da moda através da minha mãe, enquanto o esporte sempre esteve presente na minha vida por influência do meu pai. 

Então hoje, meu conteúdo acaba sendo uma mistura desses dois universos que sempre fizeram parte de quem eu sou.

Sou formada em Jornalismo, mas nunca cheguei a atuar na área, então talvez esse seja oficialmente meu Carrie Bradshaw moment<3

Essa semana tivemos o icônico Met Monday, um dos dias mais esperados para ver até onde a imaginação dos diretores criativos pode levá-los. E esse ano eles foram guiados pelo tema da exposição: “Costume Art”. Um tema tão fascinante justamente por explorar a moda como uma forma de arte viva, transformando o corpo em um verdadeiro real-life canvas. E no meio de tantos visuais incríveis, aqui vão os meus favoritos que seguiram o tema to a tee

Emma Chamberlain, the woman you are. Em seu sétimo Met Gala, Emma já entendeu o jogo, e facilmente pode ser nomeada a mais bem vestida da noite. De custom Mugler por Miguel Castro Freitas, Emma usou um vestido que levou 40 horas para pintar inteiro à mão incorporando texturas e cores diferentes, realmente parecendo um godê durante a criação de algo genial.

Junto com seu stylist, Jared Ellner, e Castro Freitas, eles buscaram referências em The Starry Night, de Vincent van Gogh, principalmente pelos traços e pinceladas expressionistas. Agora, convenhamos, nada mais chique do que usar o próprio acervo como referência, né? Então Castro Freitas se inspirou no icônico vestido “La Chimère”, criado por Thierry Mugler em 1997, trazendo para o look de Emma as franjas marcantes e o mesmo dramatismo nas cores. O resultado é uma verdadeira obra de arte no corpo.

Vai dizer que Schiaparelli não berra arte? E foi justamente em um custom de Daniel Roseberry que Kylie Jenner decidiu apostar. Existe um debate sobre o vestido ter sido inspirado diretamente em uma obra de arte ou não, mas, para mim, ele é claramente uma releitura da icônica Vênus de Milo. Nas escadarias do Metropolitan Museum of Art, Kylie praticamente encarnou a deusa que simboliza o amor, a beleza e a feminilidade.

Como parte da exposição propõe explorar o corpo como base para diferentes manifestações artísticas, dá para dizer que Daniel Roseberry tirou o tema de letra. O designer trouxe um bustiê que simula o corpo nu combinado a um vestido usado pela metade, reforçando a ideia de que, por trás de toda roupa, existe um corpo que realmente dá vida a ela.

Madonna and her ladies in waiting. Sob os holofotes do Met Gala, Madonna entregou arte, teatralidade e muito surrealismo em um custom da Saint Laurent assinado por Anthony Vaccarello. E sim, quem diria: Saint Laurent finalmente roubando a cena no Met. A cantora chegou no museu acompanhada por sete mulheres, todas também de Saint Laurent, replicando um extrato da obra surrealista "A Tentação de Santo Antônio" de Leonora Carrington. 

E a entrada delas realmente foi um dos momentos mais impactantes da noite, ainda mais com Madonna chegando quase por último, usando um slip dress de cetim e renda combinado a uma capa meio véu de organza. E o toque final: o chapéu com o navio fantasma e a trombeta, idênticos aos elementos presentes na obra de Carrington.

Depois de alguns anos em que eu sentia falta daquele wow factor no Met Gala, esse ano finalmente entregou tudo. Até os looks que fugiram do tema estavam impecáveis, super elaborados e visualmente lindos. Mas dos que realmente conseguiram traduzir a proposta da noite? Vários foram simplesmente de tirar o fôlego. 

Há uns anos atrás era impossível imaginar uma das maiores celebridades da atualidade usando GAP em pleno MET Gala. Uma marca que nasceu com um propósito totalmente voltado para o conforto e o dia a dia vem ocupando seu espaço nos eventos mais importantes, vestindo algumas das maiores celebridades do mundo.

Zac Posen, diretor criativo da GAP, lançou o GAP Studio, onde usa sua criatividade, aliada ao nome já consolidado da marca, para criar roupas sob medida para eventos especiais.

Demi Moore, Barbie Ferreira, Claire Danes e, agora, Kendall Jenner são alguns dos nomes que usaram GAP Studio em eventos nos últimos meses.

No fim, o que a GAP está fazendo vai muito além de colocar celebridades no tapete vermelho. É sobre transformar a percepção de uma marca que sempre esteve ligada ao básico e ao cotidiano, sem perder justamente aquilo que a tornou relevante.

O mérito de Zac Posen está em entender que hoje o luxo não vive apenas da exclusividade extrema ou de marcas já consolidadas no universo high fashion. E talvez seja exatamente por isso que ver Kendall Jenner de GAP no MET Gala ainda pareça tão estranho.

Instagram Post

Recentemente eu comentei em um vídeo da Lele Burnier sobre uma camisa que ela estava usando, e o meu comentário teve mais de 800 likes.

Fui na busca da bendita camisa e a péssima noticia é que é de uma marca gringa, e a boa noticia é que eu trouxe um guide com marcas brasileiras que tem um estilo similar e com peças tão lindas quanto 🙂 

1- Piqnique | 2- Mabô | 3- Litt | 4 - Guaraná Brasil | 5- Savy

Espero que tenha ajudado! Se você tem alguma sugestão de guide ou se tem alguma peça que queira usar mais, me manda aqui e quem sabe não aparece na próxima edição! ❤️ 

📈 Met Gala data. Os nomes mais vistos e as marcas mais procuradas.

🎨 YSL would've loved the theme. Saint Laurent era mestre em associar moda com arte.

🫡 Adidas did it. O maior crossover que não sabiamos que precisavamos.

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Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo.

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