do estádio à passarela

a ascensão silenciosa da camisa de futebol como símbolo de estilo e desejo

Hey!

Depois de mais de um mês em que o tempo parece ter seguido outro ritmo, a Copa do Mundo chega ao fim neste domingo. And, as you may know, eu sou espanhola, então minha torcida é (desde que o Brasil foi eliminado) totalmente da Espanha. 🇪🇸

Para marcar o fim desse mês tão intenso, quis contar um pouco sobre a relação entre moda e futebol — um universo que, nos últimos anos, ficou muito mais próximo do que muita gente imagina.

Também convidei a Vic Ceridono para falar sobre esse novo momento da Vic Beauté na Sephora, além dos meus cool finds & more.

Espero que gostem! 🤍

A jornada da camisa de futebol, do estádio às passarelas das maisons mais importantes da moda, é longa, e sua ascensão foi quase silenciosa. Uma peça que era considerada exclusiva de torcedores fanáticos e que surgiu nas ruas mais populares do mundo, agora faz parte do streetstyle de uma forma natural e despretensiosa.

Muito antes das grandes marcas de moda conseguirem emplacar vendas de moletons e T-shirts de US$1500, o streetwear era tomado por jerseys esportivas oversized — mais especificamente de basquete, hóquei e futebol americano. Uma estética completamente inspirada no famoso american dream.

Mas o futebol era popular e acessível demais para isso. As camisas de time eram feitas para assistir o jogo no estádio ou em um bar tomando uma cerveja — e olhe lá.

Porém o futebol sempre teve uma vantagem extra: ao contrário do hóquei e do basquete, o futebol possui uma linguagem universal — um esporte que conecta culturas, países e milhões de pessoas ao redor do mundo. Além dos ídolos em comum que unem torcidas de diversos lugares do mundo.

Os jogadores se tornaram estrelas mundiais, e o jeito que eles se vestem reflete algo muito maior do que o esporte em si — é identidade nacional, ascensão social e a cultura do futebol.

Essa obsessão pelos jogadores é antiga e existe desde os primórdios do esporte, mas sua relação com o mundo da moda começou a aparecer nos anos 2000 com David Beckham — que era modelo e jogador ao mesmo tempo. Atualmente temos Jules Koundé, Memphis Depay, Jude Bellingham e Marcus Rashford, que saem dos campos diretamente para a primeira fila dos desfiles de moda de alta costura.

E isso sem citar alguns dos maiores nomes do esporte. Cristiano Ronaldo, por exemplo, transcende o futebol: tornou-se uma referência também na moda e nos negócios, com investimentos em hotéis, fragrâncias, calçados e vestuário. Seu impacto comercial é igualmente impressionante. Segundo a Hookit, apenas no primeiro ano de seu contrato vitalício com a Nike, assinado em 2016, o atleta gerou US$ 474 milhões em valor de mídia para a marca.

Haaland — responsável por tirar nosso país da Copa, rs — também vem chamando atenção. E não apenas porque seu cabelo parece mais hidratado que o meu ou porque ele sempre aparece com elásticos de cabelo combinando com cada look. O jogador também impressiona por sua coleção invejável de Hermès e, nesta semana, foi flagrado na primeira fila do desfile da Dolce & Gabbana, na Itália.

Desde o início da Copa, a Hermès registrou um aumento de 45% na popularidade em comparação com o mês anterior. E Haaland não é o único responsável por isso: diversos jogadores da seleção francesa também foram vistos usando peças da maison, reforçando como o luxo vem conquistando um espaço cada vez maior dentro do futebol.

Essa aproximação não é recente, porém esse universo vem se tornando cada vez mais ligado à moda. Nos primórdios do futebol, os uniformes eram totalmente funcionais, com algodão pesado, mangas compridas e modelagem larga. Tudo foi tomando forma com o passar do tempo, principalmente durante os anos 70 e 80.

Desde então, as camisas estão sendo cada vez mais feitas para sair do ambiente do estádio e habitar no cotidiano. O público-alvo se tornou muito mais amplo, chegando até pessoas que nunca assistiram a uma partida inteira e nem sabem o que é um escanteio. O que era roupa esportiva agora faz parte da moda urbana.

Inclusive com uma obsessão pelo vintage, que permeia o mundo fashion como um todo. Kim Kardashian usou uma camisa vintage da AS Roma 1997/98 (Diadora) e trouxe uma atenção extra para essas camisas, que hoje chegam a um valor absurdo em revendas online.

Esse mercado de jerseys de futebol tende a crescer cada vez mais. Foi avaliado em US$87,5 bi em 2024, e pode chegar a US$140 bi até 2034, quase o dobro.

Esse índice foi um catalisador para que muitas marcas famosas de streetstyle começassem a entrar na estética do futebol e produzir suas próprias versões de camisas. Daily Paper, KidSuper e Nude Project são alguns exemplos. A Off-White também já fez colaboração com a Nike, quando Virgil Abloh estava à frente da marca.

A estética do futebol também inspirou diversas marcas de moda, aparecendo em coleções apresentadas nas principais semanas de moda do mundo. A Miu Miu, por exemplo, apresentou em 2018 chuteiras de salto, modelagens inspiradas em camisas de futebol e cortes esportivos. Mais recentemente, o retorno da estética sports couture também faz referência ao legado de Dirk Bikkembergs, que, nos anos 2000, uniu moda e futebol de um jeito único.

Ou a Versace, no desfile Fall/Winter de 2018, que fez sua própria versão dos cachecóis de torcida. Uma peça que é tradição na Inglaterra para assistir aos jogos nos estádios durante o frio congelante do inverno na Europa.

Quando uma tendência nasce nas ruas, cresce organicamente e, mais tarde, chega às passarelas das grandes marcas, esse movimento é conhecido como bubble up. Diferente das tendências criadas pelas maisons e difundidas para o mercado (trickle down), no bubble up a moda observa a cultura, identifica comportamentos já consolidados e os transforma em coleções. É a rua que influencia a passarela — e não o contrário.

No caso da estética do futebol, é fundamental reconhecer e respeitar suas origens. Antes de ser apropriada pelo mercado de luxo, ela nasceu nas ruas, nas arquibancadas e nos campos de bairro.

O futebol sempre foi um esporte profundamente popular e, para muitos jogadores, também um caminho de ascensão social. Por isso, quando marcas de luxo transformam essa estética em produto, é importante lembrar que ela carrega histórias, identidades e uma cultura construída muito antes de chegar às passarelas.


Shop my cool finds 🙂 
  • Jaqueta H&M: amo a gola com cor diferente do resto da jaqueta! linda e super versátil

  • Blusa Zara: perfeita para um High low. Usaria com uma calça jeans!

  • Calça J01: A modelagem e lavagem dessa calça são simplesmente perfeitas

  • Sapato Zara: esse sapato vai com tudo, e é super pratico para usar no dia a dia

  • Bolsa Ares: achei a estética com cintos muito cool

Vic Beauté chega na Sephora w/ Vic Ceridono

Oi, eu sou a Vic Ceridono, fundadora da Vic Beauté. Eu sou jornalista e produtora de conteúdo de beleza há mais de vinte anos, apaixonada por beleza especialmente por maquiagem, e eu lancei minha própria marca há quase quatro anos.

Agora a Vic Beauté chega na Sephora, então é um momento muito importante. A gente vai poder estar em muito mais lugares com a nossa marca fisicamente pras pessoas experimentarem e descobrirem, em um lugar que é o parque de diversão pra quem ama beleza, ao lado de marcas incríveis das quais eu sou consumidora e admiradora há muitos anos.

A Vic Beauté tem como objetivo trazer produtos que sejam fáceis de usar, práticos, que otimizem a nécessaire. Então a ideia é que você não precisa de um milhão de produtos, você pode ter aquelas poucas coisas que fazem várias coisas.

São produtos muito pensados para a vida real, com fórmulas de alta performance, e com embalagens exclusivas muito lindas, que pra mim, a estética importa muito.

Eu estou muito empolgada de estar aqui nessa nova fase, e obrigada pelo espaço, e espero que vocês gostem de conhecer a marca.

🎧 Escutei esse podcast sobre a nossa mente, e eu amo estudar sobre psicologia e hábitos. Os meus melhores insights foram entender que cérebro e corpo não funcionam de forma separada e que quando estamos estressados, não é apenas a mente que sofre: o sistema imunológico também é afetado. O episódio explica que cerca de 95% dos nossos comportamentos diários acontecem no piloto automático, seguindo um ciclo de gatilho, comportamento e recompensa. Quanto mais prazerosa é a recompensa, maior a chance de repetirmos aquele hábito. Recomendo muito escutar

🪩 Essa série de conteúdos da Nude Project é um exemplo de como um branding forte transforma qualquer conteúdo em algo desejável. Na prática, não são apenas vídeos de uma viagem, mas uma extensão do universo da marca. Tudo parece naturalmente cool porque existe uma identidade muito clara por trás: a estética, as pessoas, a trilha sonora, os lugares e até o ritmo dos vídeos reforçam o lifestyle que a Nude Project vende. Grande parte disso também passa pela figura do cofundador Bruno Casanovas, que se tornou praticamente um rosto da marca. Amo tudo o que eles fazem e não perco um vídeo no canal.

📖 Esse livro ficou na minha cabeceira por muito tempo. São textos curtos sobre a vida. Sempre lia algum antes de dormir e tenho vários que ainda releio sempre que preciso de um norte em decisões ou pensamentos.

🪡 Quero muito tentar esse hobbie. Na verdade, eu amo todos os hobbies manuais do mundo e por mim eu faria todos, mas esse parece ser tão legal. Bordar marca páginas nunca passou pela minha cabeça antes! (O Tiktok tem lá suas vantagens, rs)

Cada dia eu amo mais a Chanel! Esse criador de conteúdo mostrou o backstage de como algumas peças são feitas.

Durante a apresentação da coleção Cruise em Biarritz, foi possível visitar a ACT3 – Activité Création Tissage, o ateliê responsável por transformar os tecidos idealizados pela maison em metros de tweed.

O processo começa em Paris, no Le19M, onde a Lesage desenvolve as primeiras amostras. Após a aprovação, elas seguem para o sul da França, onde são produzidas em escala, mantendo o mesmo nível de precisão artesanal. Além dos tradicionais tweeds da Chanel, o ateliê também desenvolve tecidos especiais, como o modelo amarelo com listras vermelhas apresentado na coleção Cruise.

É um lembrete de que, por trás de cada peça, existe um longo processo de criação e um domínio técnico que dificilmente é percebido no produto final.

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Espero que tenha ajudado! Se você tem alguma sugestão de guide ou se tem alguma peça que queira usar mais, me manda aqui e quem sabe não aparece na próxima edição! ❤️ 

🥇The OG wag! Ela nunca usou uma camisa de futebol para torcer pelo marido.

👖She is always the moment. Hailey x GAP, what a match!

🪩 Meu maior FOMO da semana foi essa festa da YSL em Ibiza.

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Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo.

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