- the setters 💌
- Posts
- menos feed, mais referência
menos feed, mais referência
repertório se constrói fora do algoritmo, e beeeeem longe do doom scrolling.

hey!
não vou mentir: eu adoro um bom doom scrolling.
mas, cada vez mais, tenho preferido assistir a um vídeo de 30 minutos no YouTube do que passar horas pulando de TikTok em TikTok. Prefiro ler um livro ou um artigo do que consumir posts soltos no Instagram. prefiro ouvir um podcast inteiro a ver recortes acelerados nos reels.
meu cérebro está pedindo profundidade, tempo e atenção contínua.
e tenho a sensação de que não sou só eu, talvez seja por isso que você esteja aqui agora ao invés de no instagram.
para aprofundar essa conversa, convidei a Isa, fundadora da Ilustralle, para compartilhar sua visão sobre a volta do analógico.
além disso, tem cool finds, a nova campanha da Chanel e mais algumas coisas que valem a pausa.
espero que gostem :)
have a nice reading!


menos feed, mais referência.
Em 2016, Miuccia Prada deu uma entrevista falando sobre a importância de estudar, ler livros e assistir a filmes. Dez anos atrás, ela já comentava sobre possíveis soluções para uma crise geral do intelecto coletivo — que hoje é maior do que nunca.
Seu algoritmo te conhece tão bem que faz você acreditar que quem está tomando as decisões é você, quando, na verdade, é ele. Em poucas interações, já consegue entender o que você gosta, o que não gosta e até o que você finge que não gosta.
Já existem diversos estudos que afirmam que a internet fez com que nossa concentração diminuísse e que, hoje, um peixe-dourado consegue prestar atenção por mais tempo do que nós. Uau.
Mas o que isso significa, na prática?
Antes, a complexidade das criações era muito maior. Uma música tinha acordes e letras que nem sempre eram percebidos de primeira; hoje, elas são pensadas para hitar e virar chiclete (alô, Virginia). Antes, os filmes eram cheios de easter eggs e roteiros que exigiam atenção máxima para serem compreendidos; hoje, muitos já são feitos considerando que você provavelmente vai assisti-los enquanto mexe no celular. A moda era teatral; hoje, até nas maiores fashion weeks, virou produção comercial focada em vendas.
Vivemos a era do fast food da arte. Ela nos é entregue na mesma rapidez com que é consumida.
Hoje, o conteúdo inteligente foi simplificado para reter atenção. Nosso cérebro não trabalha mais para buscar informação. Em vez de sermos apresentados a referências e estudos, recebemos guias rápidos com passo a passo de como se tornar uma “cool girl” ou de “como se vestir para X ocasião”.
Mas quando todo mundo acessa a mesma fonte, e quando o algoritmo entende exatamente quem quer o quê, nos perdemos na busca por autenticidade. E é aí que surge o movimento contrário.
É impossível viver assim por muito tempo. Nosso cérebro foi feito para muito mais. E se você lê essa newsletter há algum tempo, sabe que eu sempre falo do pêndulo das tendências: tudo o que vai muito para um lado, depois de um tempo, retorna com a mesma intensidade para o outro.

fotos: Pinterest
A busca pela própria jornada cresce à medida que entendemos que a instant gratification dos conteúdos curtos e rasos nunca vai suprir a real necessidade de pensamento e senso crítico.
Neste vídeo da Grace Robinson, ela explica muito bem essa volta do pensamento crítico e, principalmente, da valorização estética de lugares como bibliotecas. Ela cita um influenciador que viralizou simplesmente por gravar seus conteúdos dentro da New York Public Library. Afinal, alguém ainda vai à biblioteca em 2026? De acordo com o Daily Mail, a Gen Z está redescobrindo as bibliotecas e livrarias, e até fazendo reading parties (se alguém fizer, me chama!)
Esse fenômeno gera instantaneamente um lado mais “viral” (irônico, eu sei): o crescimento do BookTok, com indicações de livros que viralizam na rede ao lado e se tornam um nicho próprio de pessoas interessadas no assunto. Inclusive, esses dias fui à Livraria da Vila e tinha uma estante inteira dedicada a livros que viralizaram no TikTok.
Além dos livros, as mídias físicas também crescem, e com elas, o valor percebido. Se antes quase ninguém lia revistas, hoje elas se tornaram quase objetos de luxo: fontes de pesquisa, referência e conhecimento fora de uma tela de celular.
A busca incessante por uma jornada própria também aparece nas redes sociais. Conteúdos hiper-nichados ganham força, pessoas com hobbies específicos ganham visibilidade e nos encorajam a aprender coisas novas. Estamos desesperados para sermos interessantes em uma era em que tudo virou mais do mesmo.
Na moda, isso se traduz no aumento do discernimento pessoal sobre o que é bonito ou não. Não seguir regras ditadas pelo TikTok ou pelo que está viralizando. O look interessante passa a ser muito mais valioso do que o look bonito replicado 200 vezes na internet.
A busca por peças statement vira quase um caça ao tesouro: brechós, feiras de artesanato em outros países ou até uma loja descoberta por acaso durante uma caminhada. Qualquer coisa que torne a composição menos “viral” e mais pessoal.
Esse movimento também se reflete nas mídias de notícia e entretenimento. Se antes diziam que era preciso postar todos os dias, hoje o incentivo é por conteúdo de qualidade. Não à toa, newsletters, blogs e mídias físicas não param de crescer, enquanto o algoritmo do Instagram se torna quase impossível de vencer. Less but better.
Em vez de um bombardeio de conteúdos de desfiles no segundo em que eles acontecem, vamos desacelerar: digerir, estudar referências e contexto, para só então abrir a boca (ou o Instagram, rs). Afinal, o que mais queremos agora é entender um desfile sem um algoritmo nos dizendo o que pensar.
Obviamente, esse comportamento também nos leva a um perfil de pessoas performáticas — algo que já vem sendo discutido nas redes. Pessoas que querem parecer estudiosas e críticas a qualquer custo. Que andam com um livro debaixo do braço para lá e para cá, mas nunca o leem de fato.
Ainda assim, prefiro viver em um mundo de performáticos do que em um mundo de brain rot.
Miuccia Prada sempre esteve certa. Estudar e ter cultura são coisas que ninguém pode tirar da gente. Nosso tempo e nossa energia são preciosos demais para serem gastos em conteúdos que resumem um livro inteiro em um minuto.
Leia o livro. Assista ao filme. Escute o podcast inteiro. Converse com pessoas com gostos diferentes. Sua jornada é única, e seu caminho para o conhecimento também deveria ser. Ah, e não se esqueça de se divirtir no processo!


Shop my cool finds 🙂
Cardigan Welcome Sunny Garments: amo essa combinação de cores, e o toque vintage do escrito "Welcome".
Calça Mondepars: estou amando essa lavagem de jeans bem polish e escura. a modelagem também é perfeita.
Bolsa Luiza Barcelos: esse tom de marrom combina com tudo. além de ser do tamanho ideal para o dia a dia.
Clog Somos 3: adorei essa clog. achei super diferente esses recortes. e parece ser super confortável.
Anel Vehr: cheio de personalidade. amo as peças da marca.

We're going analog w/ Isa Gaidys
![]() | Olá, estranho, eu sou a Isa. Sou movida pela criatividade e, tudo o que crio, carrega um pedaço de mim. Comecei a estudar branding quando percebi que ele era mais do que estratégia: era sobre dar personalidade às marcas. E eu, que sempre gostei de emperequetar os trabalhos da escola, nunca encontrei algo que fizesse tanto sentido. Hoje, é isso que faço: emperequeto marcas. As minhas e as dos outros. A Ilustralle, minha marca de papelaria e design, foi o ponto de partida. Desde então, nunca parei de criar: produtos, cursos, marcas, podcasts — e o que mais me der vontade. No Coolmmerce, escrevo e falo sobre comportamento, branding e criatividade. Traduzo como as pessoas pensam, sentem e se conectam com marcas que realmente importam. E entre uma criação e outra, viajo pelo Brasil compartilhando minha trajetória em palestras e inspirando outros criativos a transformarem suas ideias em expressão. |
Como fundadora de uma marca de papelaria, eu não poderia estar mais feliz em vivenciar a volta do analógico.
A última vez que a papelaria esteve tão em alta foi durante a pandemia — quando as pessoas precisavam se ocupar com alguma coisa. Foi assim que arts & crafts se tornou o assunto do momento.
Agora, os motivos são outros.
As pessoas estão desesperadas para sentir que não estão deixando a vida passar diante dos próprios olhos. Querem dar mais sentido ao tempo que possuem — e ao que fazem com ele.
Escrever, em vez de digitar. Anotar no planner, em vez do Google Calendar. Arte humana, em vez da feita por prompt.
A volta do analógico não precisa ser interpretada apenas pela papelaria (apesar de essa ser minha especialidade). No fundo, tudo isso revela algo maior: a nossa necessidade de devolver significado à vida cotidiana, e o “analógico” está totalmente ligado a isso.
É delicioso passar horas em doomscrolling no TikTok (eu sei).
Mas a vida não pode ser só isso. Ela precisa ser mais do que isso. Ela já foi mais do que isso.
E não quero falar sobre o óbvio. Se você está nessa newsletter, imagino que seu tempo de tela seja alto (provavelmente tão alto quanto o meu). Mas é melhor estar lendo um bom texto do que rolando o Instagram sem perceber o tempo passar.
Por isso, reuni aqui algumas previsões bem específicas de tendências de consumo que, na minha visão, vão se tornar hype nos próximos meses - e que estão totalmente relacionados ao nosso desejo de ter tudo analógico de volta.
1. Journals com capa de couro
Tudo depende da bolha em que você vive nas redes sociais, mas pelo menos na minha (e na de várias amigas), todas as cool girls agora possuem um journal com capa de couro, cheio de pingentes, com vários caderninhos no formato de revistinha presos por elásticos.
É um caderno para cada área da vida. E, obrigatoriamente, um deles precisa ser diário (porque escrever sobre sentimentos voltou a ser cool).
Inclusive, você acredita que existe um papo rolando nas redes sociais que muita gente não escreve em diários, porque têm medo de alguém ler e achar cringe? Loucura.
Esse tipo de objeto não é só funcional: ele vira identidade, ritual e extensão da pessoa.
A marca que ganha os holofotes pra esse tipo de caderno é a Louise Carmen, que você consegue comprar se fizer uma visita em Paris, rs.
E sim, é claro que isso já acendeu meu alerta de “lançamento que precisamos fazer na Ilustralle". Don't worry. We got you.

Fotos: Louise Carmen - reprodução Instagram
2. O fim da era das campanhas feitas em IA. Queremos ver artistas de verdade no perfil da sua marca
Teve uma época, não faz muito tempo, em que o feed estava lotado de campanhas extravagantes: produtos gigantes infláveis no meio da rua, bolsas e itens de beleza - tudo feito com inteligência artificial.
E, por um tempo, isso foi legal. Afinal, a IA permite criar coisas visualmente interessantes com facilidade.
Mas agora… não é mais.

Fotos: Milk MakeUp | Jacquemus | Skims - reprodução: Instagram
Cada vez mais, as pessoas associam arte feita por prompt à preguiça, à falta de cuidado e à baixa qualidade. O que antes parecia futurista, hoje soa impessoal.
Estamos vendo marcas investirem em campanhas que deixam claro que foram feitas por humanos — e reforçar isso virou o novo luxo. O manual, o artesanal e o criativo estão voltando ao centro (thank God!).
Na Ilustralle, inclusive, estamos pensando em formas de deixar explícito que apoiamos artistas reais (e que nada do que chega até a pessoa foi feito por inteligência artificial). Mas já vimos isso em outros lugares:
A Apple produziu uma campanha bem legal gravada com o celular, feita com marionetes e títulos impressos no papel de verdade.
A nova série da Apple TV Pluribus colocou nos créditos que o roteiro e toda a criação da obra foi feito por gente de verdade. (Fonte: https://deadline.com/2025/11/pluribus-credits-made-by-humans-1236611581/)
Tudo isso nasce de um sentimento coletivo: desconfiança.
Por isso, veremos cada vez mais marcas abrindo processos, mostrando bastidores e valorizando o feito à mão.
3. Fotos impressas
Mais de 50 mil fotos armazenadas no celular — e quase nenhuma revisitada.
As câmeras digitais dos anos 2000 já estão em alta há um tempo, mas sinto que isso não basta mais. O próximo passo é voltar a materializar memórias.
Câmeras analógicas. Imprimir fotos. Montar álbuns. Criar registros que sobrevivem a senhas esquecidas, HDs corrompidos e nuvens que ninguém mais acessa.
Objetos pensados para, no futuro, serem mostrados aos filhos, assim como nossos pais faziam com a gente.

reprodução: Pinterest
4. Rituais com música

Foto: cristinasancho__
Vitrolas e discos de vinil em alta (mas não só pela estética).
O ritual importa:
Escolher o disco. Colocá-lo na vitrola. Posicionar a agulha. Dar play.
Ouvir música com intenção, presença e qualidade. Transformar algo cotidiano em um pequeno evento. Uma pausa consciente no modo automático.
É pouco? Talvez.
Mas é com esses passinhos de formiguinha que a gente começa a recuperar a graça da vida.
Ao olhar para todos esses comportamentos, a palavra que se destaca é clara: presença.
Pessoas tentando resgatar significado no simples. Dar atenção aos detalhes. Criar pequenos rituais em um mundo que acelera o tempo o tempo todo.
Talvez o hype do momento não seja um produto, uma trend ou uma estética.
Talvez seja apenas isso: estar aqui, de verdade.
Com carinho,
Isa

Essa semana tivemos a perda de um dos maiores nomes da moda de todos os tempos: Valentino Garavani. O fundador da maison estava com 93 anos e não estava mais na direção criativa da marca desde 2008.
Ele teve um papel essencial para a moda, deu forma ao glamour no pós guerra, e criou uma linguagem visual reconhecível, que se tornou uma imagem cultural (a cor Valentino Red).
Em sua homenagem, separei alguns dos looks mais icônicos e momentos mais marcantes da carreira de Valentino.

Deixo aqui, também o texto que o Pierpaolo fez para Valentino. Eu literalmente chorei.
Icons live forever. Rest in Peace Valentino!

Para Matthieu Blazy, a moda é divertida.
Sua primeira campanha para a Chanel, fotografada por Alec Soth, se aproxima mais de um frame de filme do que de uma campanha de moda tradicional.
A locação é La Pausa, a villa de Gabrielle Chanel na Riviera Francesa, um retorno às origens, filtrado por um olhar novo e contemporâneo. A luz é natural, e os gestos parecem mais flagrantes de comportamento do que poses construídas. Tudo soa vivido, espontâneo, belo.
Emoção, alma e leveza. É isso que Matthieu vem, pouco a pouco, devolvendo à maison — e que começa a definir este novo capítulo.

💄 O segredo de uma maquiagem ainda mais natural: usar blush dessa forma. Achei que o blend com a pele fica perfeito, quase imperceptível. Vou testar.
🎾 Cada campeonato, ela se supera. Simplesmente Naomi Osaka entrando nas quadras do Australian Open com esse look.
👟 Fazia tempo que eu não queria um Vans. E esse branco personalizado pra SZA fez eu querer um agora mesmo.
Referral Program
No gatekeeping here! Share your link

Aqui tem o seu link para compartilhar a The Setters com quem você conhece e desbloquear prêmios. Cada pessoa que chegar por você, conta! e dá pra acompanhar tudo em tempo real nesse contador aqui embaixo:
Editor’s note
![]() | Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo. Espero que você goste de ler essa newsletter tanto quanto eu gosto de escreve-la! ❤️ Vou deixar aqui o link das minhas redes sociais para quem quiser trocar (sempre estou aberta e amo muito) |
Tell me what’s on your mind!
O que achou dessa edição?


