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Carolyn Bessette e o closet mais desejado de todos os tempos

a mulher que ajudou a consolidar o minimal chic dos anos 90

 

hey!

Se você não está obcecado por Love Story, o que você está fazendo? A série conta a história de Carolyn Bessette e John Kennedy Jr., e eu assisti os 4 epsódios disponíveis (sai um toda sexta-feira) em apenas um dia e já estou ansiosa para ver o de hoje. Com essa minha nova obsessão, era inevitável transformar em pauta o estilo que Carolyn ajudou a consolidar nos anos 90: o minimal chic.

Para complementar a discussão, convidei a Pietra para dar dicas de styling com peças básicas.

Além disso, tem os meus favoritos do mês, dois desfiles marcantes da MFW & more…

espero que gostem :)

have a nice reading!

Ou o meu algoritmo me conhece muito bem, ou realmente todo mundo está obcecado por Carolyn Bessette e John Kennedy Jr. A nova série Love Story — disponível no Disney+ — fez muita gente relembrar, ou até mesmo conhecer, esse casal que foi um dos maiores fenômenos dos anos 90. Carolyn foi uma das maiores influências do estilo minimal chic da época, e até hoje, 30 anos depois, ainda é lembrada como eterna referência de moda.

Enquanto os olhos do mundo fashion estavam voltados para Jil Sander e Calvin Klein — os maiores responsáveis por definir e consolidar o minimalismo chic – o mundo estava em colapso.

Recessão, quebra das instituições financeiras no EUA, alta do petróleo com a Guerra do Golfo, desemprego bombando e juros altos. No panorama sociocultural, a internet estava tomando forma, a globalização acelerava como nunca, e pela primeira vez o mundo esteve totalmente conectado recebendo informações com uma velocidade nunca vista antes.

Todos esses fatores somados com a era maximalista e exagerada dos anos 80 que estava perdendo a sua força, o minimalismo se consolidou.

A necessidade de consumir menos e a vontade de abaixar o ruído das informações, a estética nasceu na hora perfeita, criando uma narrativa romantizada com o baixo poder aquisitivo da população. Shop less but better.

Mas todo mundo sabe que para segurar um look básico você precisa de atitude. Caso contrário, você apenas aparenta muito desleixado e preguiçoso. E por esse motivo nos anos 90, a moda não era sobre a roupa, era sobre ser blasé.

Você precisava parecer despreocupado com tudo e todos — como se você algo muito sério estivesse acontecendo na sua vida pessoal e não tivesse tempo e nem vontade de ligar pra ninguém. Uma apatia natural, com um toque de mistério — ninguém te conhece de verdade. Se alguém reparar no detalhe da sua roupa, ótimo, se ninguém reparar, dane-se.

Sabe a ideia de main character que as pessoas tanto falam hoje em dia? Naquela época isso era um pesadelo, ninguém queria ser percebido.

Essa aura presente no imaginário coletivo fica ainda mais evidente onde temos uma liberdade quase distópica: nas campanhas de moda. Nos anos 90 elas sempre tinham alguma sombra – seja no rosto da modelo ou no fundo — os sorrisos raramente apareciam, o olhar era sempre moody e o cabelo era bagunçado ou molhado, quase como se a modelo tivesse acabado de acordar e esqueceu onde deixou a escova de cabelo.

Na beleza essa cool kid attitude também fica evidente. A sombra marrom era um must, a boca e a pele eram sempre matte, ninguém usava iluminador. O brilho externo não importava, sua aura era mais importante.

Essa vontade de se esconder e ser misteriosa também é consequência da onda – ou avalanche – da magreza extrema. Não importa o quão magra você era, as revistas dos anos 90 te convenciam de que você podia ser mais ainda. O resultado disso foi um boom nos transtornos alimentares, no uso de remédios e drogas. O que trouxe a tona o heroin chic, uma estética messy de quem saiu da balada depois de usar todas as substâncias lícitas e ilícitas, com pele pálida e olheiras marcadas.

Mas ao passo em que esse mindset de I don't care ficava cada vez mais forte, um dos itens mais presentes no guarda-roupa das it girls eram as blusas turtleneck. Não é uma mera coincidência todo mundo estar cobrindo a parte mais vulnerável do nosso corpo; o pescoço. A vulnerabilidade não era confortável, nem mesmo nessa época.

Ninguém queria de fato se expor, nem mesmo as marcas, tudo era silencioso. O marketing não era óbvio, a imagem de moda era mais sobre atitude do que sobre a peça que os modelos estavam vestindo.

Muita gente considera o minimalismo um inimigo da expressividade da moda, mas ele não deixa de ser uma resposta do mundo. Os anos 90 foram a primeira vez em que o mundo esteve barulhento, com muita informação e mudanças. Quando tudo está muito alto, nada parece especial. Valorizar as peças básicas e romantizar o baixo poder aquisitivo, foi a maneira de que os jovens dos anos 90 encontraram para se expressar na moda. A moda sempre vai ser um reflexo de quem somos, do que pensamos e de como vivemos.

Mas se não estamos mais vivendo tudo isso o que estava acontecendo nos anos 90, a pergunta é: porque está voltando e fazendo tanto sucesso agora? 

Na era das microtrends, do doom scrolling e do consumo em massa, a personalidade se perde no meio de tanto barulho. O interesse em voltar para essa estética, é a necessidade de aquietar o mundo ao redor.

Recentemente li em um artigo da Vogue que o consumo em massa é muito similar ao doom scrolling; a analogia é perfeita. Comprar sem pensar e consumir vídeos o dia inteiro sem absorver nada é praticamente a mesma coisa. Essa overdose de conteúdos e consumismo está em todos os lugares — queremos voltar a valorizar o que importa.

Olhamos para trás e sentimos nostalgia, principalmente pelo ar meio misterioso. Hoje em dia, isso quase não existe mais com a hiperexposição da vida alheia — sabemos demais sobre a vida dos outros.

A série Love Story surgiu na melhor hora possível. Estamos sedentos por um guarda-roupa tão atemporal quanto o de Carolyn — mas, principalmente, por uma autenticidade como a dela.Não lembramos apenas das roupas que ela usava, e sim da maneira como as carregava: com confiança, quase com indiferença. Porque o que fica na memória não é apenas o look. É a mulher.

You remember the woman, not just the outfit.


Shop my cool finds 🙂 
  • Calça J01: Essa modelagem é tão cool. A cor é super versátil mas a calça é statement.

  • Camisa H&M: Os babados e a gola deixam a camisa muito interessante. Amo as listras.

  • Mocassim Larroude: Eu to de olho nele faz tempo, e agora vi que ta em SALE…

  • Jaqueta Renner: Suede é atemporal. Achei a cor linda, da para usar em diversos looks e ocasiões.

  • Bolsa Zara: Acho que estou obcecada. Achei a modelagem e cor perfeitas.

styling your basics w/  Pietra Battistotti

oie, prazer!

me chamo Pietra, atualmente moro em Florianópolis (mas logo logo estou me mudando pra sp hehe) e trabalho com styling e direção criativa há quase 4 anos.

quando a Pri me convidou para participar da coluna trendsetter, minha mente borbulhou de ideias e de conceitos que eu queria trazer aqui e compartilhar com vocês, já que em toda a minha jornada no mercado, o que eu mais precisei desenvolver foi trazer um olhar disruptivo sobre alguma peça/objeto para que eu pudesse trazer algo inovador sobre algo não tão inovador assim.

o styling se resume a isso: montar, sobrepor, desconstruir, e criar incontáveis possibilidades em um look. às vezes a palavra styling assusta as pessoas, às vezes as pessoas acreditam que você precisa de maestria para criar essas composições, mas na verdade tudo o que você precisa é de teste. você precisa entender o que funciona, e o que não funciona.

tem dias que no meu tempo livre me pego na frente do espelho, tentando usar peças de roupa “de maneira errada”. usar o que criaram para ser uma saia, como uma blusa, usar um vestido por cima de uma calça, usar alguma peça do avesso, porque é literalmente aí que você cria o inimaginável — errando e acertando.

quando falamos sobre contexto de mundo atual, é impossível não falar sobre a massificação do consumo excessivo, somos metralhados constantemente com o incentivo ao consumo, de maneira cega e descontrolada. também é impossível falar sobre moda e não falar sobre toda a problemática do lixo e poluição causado pela mesma.

quando definimos a moda, sabemos que ela nasceu como uma forma de expressão pessoal, adorno e diferenciação social, e tudo isso se resume a comunicação. quando você estuda, se aprofunda, é impossível fechar os olhos para a realidade de outras pessoas, de outros lugares do mundo que vivem ao redor de rios com toxinas geradas pelas indústrias de vestuário, ou soterrados em gigantes montanhas de roupas.

então se torna nossa realidade fazer o que está ao nosso alcance para minimizarmos os danos ao longo dos anos. e quando trazemos isso para a nossa vivência, sabemos que para gerarmos menos lixo com nossas roupas, temos que fazer as escolhas mais conscientes e bem pensadas antes de comprarmos alguma coisa que simplesmente achamos bonita.

apesar da velocidade do giro das tendências estarem cada vez mais desenfreadas, e cada vez termos acessos a informações diferentes, sabemos que o clássico sempre vai ser o clássico. por isso eu sempre trago para minhas clientes a importância de um guarda roupa cápsula, com peças muito bem pensadas para durar gerações e gerações.

existem peças que independente do tempo que passe, sempre vão servir, uma calça jeans reta numa lavagem limpa, um trench coat longo em cor neutra, t shirts básicas com uma boa composição, você vestindo isso, nunca vai estar por fora, peças que são atemporais e effortlessly cool. sem erro.

então como pegar uma peça dessa, e me diferenciar no lado de um monte de gente que vai estar vestido igual a mim? aí que chega a moda e a expressão. o segredo está nos detalhes. como eu pontuei anteriormente, dentro do styling trabalhamos com a desconstrução das roupas, então como você olharia pra uma roupa básica e transformaria ela em um meio de expressão para você?

recorte assimétrico: um toque de drama no seu look, de maneira discreta e quase despretensiosa

sobreposição inesperada: até nas peças mais clássicas, sobrepor vários elementos

acessório diferente: um must pra contrastar com um outfit básico!!!

ou muitas vezes até num penteado

o segredo está nos detalhes, e o que diferencia um look, é uma composição completa. trabalhamos com o calçado, a roupa, os acessórios, o penteado, o óculos de sol, e nunca apenas só com o a roupa. o mais importante é você se conhecer, se permitir arriscar, e estar confortável com o que você criou.

é pra ser divertido e prazeroso. diante de todas as partes desconfortáveis do nosso dia a dia, essa é a parte que você dedica inteiramente pra você e pra mais ninguém. e pra ficar ainda mais claro, trouxe um pdf com maneiras diferentes para você se inspirar para compor looks versáteis, atemporais, effortless, conscientes e disruptivos, além de tudo, cuidando do que é nossa responsabilidade. e outro pdf sobre guarda roupa capsúla.

It's fashion week o’clock!

Mais uma temporada começou e confesso que a do começo do ano quase nunca me chama tanta atenção — a de setembro costuma ser muito mais legal.

Mas tiveram dois desfiles que quis comentar aqui. Os dois foram essa semana, em Milão.

Prada

Quando soube que o desfile da Prada teve apenas 15 modelos, que desfilaram 3 vezes com troca de looks, a primeira coisa que eu pensei foi: “esse backstage deve ter sido uma loucura”. Depois fui entender que os looks eram os mesmos, eles só iam tirando camadas. Genial.

Miuccia Prada e Raf Simons são a dupla mais genial no cenário atual da moda — na minha humilde opinião.

Enquanto o mundo da moda grita para criarem mais coleções, mais looks, mais tecido, mais ocasião de uso, Miuccia e Raf criam uma coleção que coloca o styling acima das roupas em si— ou seja, a ideia de poder criar muitos looks diferentes com as mesmas peças. O poder está todo na nossa criatividade.

Highlights:

  • Amei os sapatos e as meias, adoro o fato de eles serem super esquisitos de propósito, mas combinados de uma maneira que torna chic. Prada virou referência no ugly chic.

  • Os casacos básicos, desgastados intencionalmente ou com uma gola ou manga em um tecido super detalhado e rico, deixam a peça muito mais interessante. É como se a melhor parte a gente sempre guardasse para nós. Você precisa chegar perto para perceber…

  • Amo as camadas com transparência. Falei sobre como o see-through vem voltando de uma maneira diferente nesta edição. Para mim, é muito claro que a transparência saiu do lugar do “sexy” e foi para um território de controle pessoal.

Jil Sander

Depois de falar do minimalismo dos anos 90, não podia deixar de fora a coleção do Jil Sander FW26. Um minimalismo muito bem executado.

Casacos de couro em tom de pele combinados com meias-calça cinza — uma cor de meia-calça que eu jamais compraria, mas que ficou ridiculamente perfeita no look. Bolsas de couro na cor de azeitonas verdes, meias azul colbato em looks monocromáticos. Cores sutis e inesperadas — inclusive o batom vermelho em algumas modelos.

Essa coleção reforça todos os códigos que mantém Jil Sander referência na moda quando o assunto é minimal chic. Discreto, sem logos, uma paleta neutra mas interessante, cortes e tecidos perfeitos. Detalhes minuciosos, roupa muito bem feita.

Highlights:

  • Amo meias coloridas. Essa em tom de azul cobalto, bem discreta, foi simplesmente perfeita. Da outro tom pro look, é mágico

  • O corte desproporcional do busto no vestido é algo que me chama muita atenção, até porque nem sempre o minimalismo é perfeito e simétrico. Brincar com proporções tira o look do boring.

  • A gola da camisa que fica metade pra dentro e metade pra fora também é super interessante. O chic não precisa ser perfeito, inclusive são essas imperfeições que trazem personalidade.

Última edição do mês (que passou voando), e com isso, os meus favoritos de fevereiro.

  • Leave In Pantene PRO-Resgate Regeneração Molecular: Fui pra praia no carnaval e a combinação de mar + cloro da piscina costuma acabar com qualquer cabelo. Toda vez que eu saía do mar ou da piscina, aplicava o leave-in e escovava na mesma hora. Meu cabelo ficou perfeito todos os dias. Não ressecou, não deu frizz e continuou hidratado.

  • Love Story: Duhr…. já tem uma matéria inteira sobre isso, mas vale reforçar. A garota que trabalha com moda, o garoto lindo… não tem como dar errado — pelo visto tem sim porque parece que a história não é tão legal assim, mas até agora está tudo perfeito, rs.

  • Curso das adaptações Frankenstein: Frankenstein é um dos meus livros favoritos da vida, e esse mês fiz um curso presencial no Museu da Imagem e do Som sobre as adaptações da obra para o cinema. Foi muito interessante, o professor é ótimo. No site do MIS sempre tem cursos novos — já é o meu segundo lá e recomendo muito.

  • Legging Hope Resort: Demorei muito para encontrar leggings que realmente ficassem boas em mim. Tenho as pernas longas, então ou ficava curta ou sobrava na cintura. As sem costura da Hope resolveram isso. Vestem super bem, não caem e o tecido é muito confortável.

  • Look nk: Completamente obcecada por esse look. O mini shorts de couro já é incrível, mas com o colete e o suéter ficou perfeito. Foi meu favorito do mês.

Ontem foi divulgado o trailer do documentário mais aguardado do mundo da moda: Marc by Sofia. Produzido pela A24 e dirigido por Sofia Coppola, o documentário irá mostrar a vida e o processo criativo de Marc Jacobs, revelando os bastidores por trás de algumas das criações mais marcantes da sua carreira.

Sofia e Marc se conhecem há mais de 30 anos — uma amizade que sempre caminhou junto com a criação. Ao longo das décadas, ela dirigiu diversas campanhas para a marca e chegou a colaborar no desenvolvimento de peças da Heavn, linha mais jovem e experimental do designer.

Estou ansiosa para o que vem por ai, o olhar de Sofia vai trazer um Marc que nunca vimos antes.

A estreia acontece no dia 20 de março, nos cinemas de New York City. Ainda não há data confirmada para o Brasil.

Instagram Post

🌟 A nova garota propaganda da Adidas. Amei, acho que tem super fit, principalmente para o Superstar!

💭 O closet da Kendall Jenner é um sonho. Cheio de The Row, Phoebe Philo e uma icônica LV do Virgil Abloh…

📚 Bag charms upgraded. A Coach trouxe mini livros como chaveiros na sua última coleção e é simplesmente genial. São realmente miniaturas de livros licenciados pela Penguin Random House's Puffin Classics, muito fofo, quero todos.

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Oie! Eu sou a Pri Cao, e eu escrevo, edito e faço a curadoria de cada conteúdo que você encontra por aqui! Sempre fui apaixonada por moda e por toda liberdade criativa que ela nos proporciona. A ideia da The Setters é trazer conteúdos autênticos, com dados e estudos, mas também com a minha visão de mundo.

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