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ahora todos quieren ser latinos
a moda como aliada de Bad Bunny

hey! ou devo dizer ¡Hola!
hoje a edição é especial e até um pouco fan girl demais da minha parte, mas eu não ia deixar de falar do Bad Bunny por aqui. Acompanho há anos e não poderia estar mais feliz de ver ele finalmente em solo brasileiro fazendo dois shows sold out. Óbvio que tem muita moda envolvida nessa história.
Chamei a Giu, que trabalhou na capa da Vogue com o Benito, para contar como foi a experiência e agregar com o seu olhar.
Além disso tem cool finds e dicas de maquiagem/cabelo diretamente dos shootings.
espero que gostem :)
have a nice reading!


Eu e o Bad Bunny temos uma longa história juntos, e o meu Spotify Wrapped – com ele sendo o artista mais escutado há 4 anos consecutivos – não me deixa mentir. Confesso que depois de ter respondido um número bem considerável de "quem é Bad Bunny?” na minha vida, eu achei que nunca ia chegar o momento de falar que estou indo em um show dele aqui no Brasil. Mas no fundo sabia – ou tinha um excesso de positividade – que o brasileiro ia acabar se rendendo ao reggaeton.
Pelo fato de ter acompanhado de perto a carreira dele por praticamente 5 anos, eu consegui perceber mudanças (algumas sutis e outras nem tão sutis assim) no seu estilo e no seu jeito de se portar, que fizeram com que o porto-riquenho ganhasse um público cada vez mais fiel.
Sua jornada artística que foi de atente de supermercado que gravava músicas no SoundClound até lugares como: headline do Coachella, half time do Super Bowl, palco do Grammy com 3 prêmios e uma turnê que é sold out atrás de sold out, precisa ser analisada com calma, até porque muita gente insiste em falar que é sorte.
A virada de chave do Benito Antonio (amo esse nome) foi quando ele decidiu incorporar a alma latina na sua postura e no seu estilo. A moda foi uma grande aliada nessa trajetória e impulsionou a carreira dele, trazendo códigos e símbolos que proporcionam uma identificação e orgulho que uma nação inteira não sabia que era possível sentir até então.
O seu 6º álbum, DTMF, foi algo inovador no mundo da música. Com referências de plena, salsa e bomba, Bad Bunny fez uma obra que traduz totalmente o seu país. Quebrou records nunca antes imaginados para um album com todas as faixas em espanhol.
Além de ter somado na música latina, ele também mescla política com moda e postura, fazendo com que o mix seja uma tradução perfeita do que ele representa para seu país. Eu nunca fui para Porto Rico, mas o conheci a fundo por Bad Bunny, e eu acho que esse é exatamente o ponto em que ele quer chegar.
Ao passo que muitos artistas saem de suas terras natais e tentam se adequar em um estilo do que o american dream nos oferece como certo, Benito foi na contra mão e usou a especificidade cultural como sua maior força e ferramenta.

Quando uma personalidade aparece no evento mais importante do mundo da moda usando um terno de alfaiataria da Prada, combinado com um chapéu inspirado na Pava – um chapéu de palha tradicional de Porto Rico, feito de folhas de palmeira, historicamente usado por trabalhadores rurais, conhecidos como jíbaros, ele está falando muito mais do que apenas uma roupa; é uma forma de gerar identificação e orgulho para uma nação.
Além de obviamente amar seu país e tudo o que ele representa – deixando isso óbvio em seu modo de vestir, nos seus discursos feitos quase 100% em espanhol e nas suas manifestações políticas – Bad Bunny também desafia códigos do que se espera para um homem latino se vestir.
Quando Bad Bunny entrou no cenário do reggaeton, por volta de 2015, ele foi contra tudo o que estava sendo criado. Enquanto os mais famosos iam para o lado do hip hop, correntes e roupas largas, Benito foi para os conjuntos floridos, unhas pintadas e um estilo bem único. Nesse momento ele já sai na frente por se posicionar fora da caixa.
Conforme ele e sua música foram amadurecendo, seu estilo acompanhou. Nos primeiros álbuns seu estilo era exagerado, ele tinha sede de mostrar seu talento, usava roupas que chamavam atenção, de propósito. Já no Un Verano Sin Ti, o cantor usava roupas coloridas e largas mas sem deixar de lado a personalidade.
Agora com DTMF, no auge da maturidade musical e pessoal, ele traz seu estilo transparente e correspondente com quem ele é, buscando referências do seu país e da sua própria história. Como na blusa “Ocasio 64” que usou no SuperBowl e é uma homenagem ao seu tio Cutito.
Ao longo da sua turnê, que já conta com mais de 50 shows, Benito vem explorando camisas vintage misturadas com gravatas de seda aleatórias, jardineiras jeans, shorts de cetim e roupas de activewear vintage. Noite após noite, o estilo pessoal de Bad Bunny vem se lapidando e mostrando sua nova face.

Esse último mês, o nome do Bad Bunny esteve mais em alta do que nunca. Enquanto Trump achou a apresentação no Super Bowl a pior coisa que ele já viu, os latinos se sentiram representados e orgulhosos. A apresentação estava repleta de referências que apenas um latino poderia reconhecer. Uma criança deitada dormindo em 3 cadeiras no meio de uma festa, manicures e unhas cumpridas, carrinho de coco gelado, idosos jogando dominó, "compro/vendo ouro", e óbvio que seu discurso final falando "God bless America” e logo em seguida citando todos os países que compõe a America do Norte, America Central e America Latina.
Através de uma performance completamente identificável — e de um outfit de uma marca acessível, a Zara — ele conquistou ainda mais o público e entregou o 4º halftime mais assistido da história do Super Bowl.
Ainda bem que a Adidas percebeu o potencial cedo: a primeira colaboração veio em 2021. De lá pra cá, a relação só se fortaleceu, construindo uma narrativa de longo prazo que poucas parcerias conseguem sustentar.
A alta-costura demorou mais mas também já estava de olho em Benito. A Schiaparelli o vestiu no Grammy com o primeiro look masculino customizado da maison — um marco tanto para o artista quanto para a própria marca. Com a Jacquemus, a conexão é contínua e vai do front row ao principal rosto de campanha.
Benito Antonio, ou Bad Bunny, tem uma história de pura dedicação. No fim, seu sucesso exponencial mostra como o amadurecimento na música, no estilo e na postura, aliados a uma autenticidade e a um orgulho de pertencimento únicos, são capazes de mover coisas gigantescas.
Não é atoa que ahora todos quieren ser latinos.
“A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor. Então, por favor, precisamos ser diferentes. Se formos lutar, temos que fazer isso com amor.” - Bad Bunny


Shop my cool finds 🙂
Calça Farm: amo essa modelagem e está em SALE.
Colete Zara: completamente obcecada por esse, fiquei até com ciúmes de colocar aqui, rs.
Mochila Ares: recentemente percebi que preciso de uma dessa. Fui viajar com uma bolsa sem zíper e super pesada, realmente não tem nada melhor para viagem do que uma mochila.
Ugg Micro Bege: um dos meus sapatos mais confortáveis é a minha ugg. Eu amei esse modelo básico e sem plataforma.
Brinco Gemm: amei a cor, simplesmente faz o look

Bad Bunny for Vogue & GQ Brasil w/ Giulia Schrappe
![]() | Oi trendsetters ;) Meu nome é Giulia Schrappe. Brasileira, hoje baseada em Nova York. Venho construindo minha trajetória na moda pelo conteúdo digital e meu olhar editorial e comercial no styling entre sets, fittings e narrativas visuais. |
Trabalhando como assistente em produções para publicações como Vogue Brasil, GQ Brasil, Vogue Ukraine, Harper's Bazaar US e Elle Brasil e com trabalhos para Willy Chavarria, Ami Paris, Ludovic de Saint Sernin nas semanas de moda de Nova Iorque e Paris, passei a acompanhar de pertinho o ritmo da indústria, onde identidade, cultura e estética se transformam em linguagem visual. Em que, ao longo desse percurso, desenvolvi um olhar cada vez mais atento ao styling e à direção criativa, entendendo a moda não apenas como estética, mas como uma forma de contar e criar histórias de quem somos ou podemos ser através do vestir.
Talvez seja por isso que sempre me atraem figuras que usam a moda não apenas para vestir, mas para comunicar quem são. Porque, afinal, estilo nunca é só sobre tendência, e sim sobre identidade, atitude e a coragem de ocupar um espaço próprio. E, entre os nomes que hoje transformam essa conversa de forma natural e quase inevitável, Bad Bunny se destaca como um dos exemplos impossíveis de ignorar hoje.
Quem trabalha nos bastidores da moda, sabe bem o tamanho do seu impacto.
Sem nunca tentar suavizar sua identidade, traduzir sua cultura ou se encaixar em um molde que já existia, Bunny não mudou somente a música, mas também a moda e a forma como a cultura latina é vista hoje. O luxo sempre falou uma certa língua, e ele simplesmente decidiu responder em outra.
Sua vitória no Grammy Awards e sua apresentação no Super Bowl marcaram um momento histórico, não apenas para ele, mas para toda uma geração que cresceu ouvindo música latina e aprendendo que nossa identidade nunca foi “menos que”.
É comum ver artistas que buscam a internacionalização fora da América Latina seguem dois caminhos recorrentes: ou ajustando sua imagem para torná-la mais vendável ao olhar europeu e norte-americano, diluindo nuances da própria identidade, ou acabam enquadrados em uma estética estereotipada e exagerada, esvaziada de profundidade, restrita ao imaginário estrangeiro do que significa ser latino. Ver um artista porto-riquenho ocupar esses espaços sem comprometer sua essência cria um novo ponto de referência e orgulho, redefinindo o que é considerado digno de “global”.
Seu guarda-roupa carrega referências diretas de Puerto Rico, misturando tradição e contemporaneidade de forma natural. Benito usa o vestir como extensão de quem é, combinando alfaiataria com streetwear, acessórios intencionais e elementos culturais em contextos antes dominados por referências euro-americanas. Mostra que o luxo também pode, e deve, carregar o nosso sotaque.
Ao mesmo tempo, usa sua visibilidade para apoiar e elevar marcas e referências latinas, reforçando que a influência não precisa partir apenas dos centros tradicionais da moda.
O Bunny também desafia expectativas sobre masculinidade em uma cultura onde muitos homens ainda sentem pressão para se encaixar em padrões rígidos. Saias, esmalte e silhuetas fluidas aparecem em espaços historicamente conservadores da moda, como o Met Gala, não como provocação, mas como extensão natural de sua identidade.
Isso se torna possível pela preservação de sua autonomia criativa, permitindo que sua imagem permaneça coerente, autêntica e conectada à sua cultura. Em vez de um produto moldado pela indústria, vemos um artista construindo seu próprio caminho em um espaço que antes parecia fechado.
Tive a oportunidade de participar da criação das capas da Vogue Brasil e da GQ Brasil deste mês, marcando sua estreia simultânea nas duas publicações. Como assistente da equipe da AG New York e da produtora de moda Amandha Gaio para o time editorial brasileiro, acompanhei de perto a dimensão desse movimento.
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Se juntaram pela primeira vez para esse projeto inédito, as duas revistas celebram a maior estrela da música, em que um dos looks Benito surge com o styling da marca brasileira de alfaiataria Mondepars. Era visível como seu nome mobilizou o mercado; cada conversa com PRs globais e brasileiros carregava uma intensidade clara e interesse de participação, o que nós backstage sabemos que às vezes marcas não aparentam se disponibilizar tanto com suas melhores peças para alguns projetos, mesmo através de grandes produções. Havia a sensação de que não era apenas uma capa, mas um momento cultural que ultrapassa a música e se inserir diretamente na narrativa da moda e da representação.
Sua trajetória vai além do sucesso individual, mas uma mudança real na forma como a moda absorve, projeta cultura e o que entendemos como luxo. Identidade e sotaque deixam de ser algo a ser ajustado para o global e passam a ser exatamente o que o redefine.
E talvez o mais interessante seja que nada disso parece concluído ainda, continua se desdobrando e nós aqui assistindo de primeira fila, ou melhor, no modo sofá e pipoca. Como stylist, acompanhar esse movimento de perto é quase assistir a uma nova linguagem visual se formando, observando de pertinho com vocês quando algo deixa de ser tendência e começa a virar mudança.

No backstage da moda existem dicas e truques muito usados durante shootings e campanhas, que quando eu aprendi, mudaram meu jeito de fazer minha maquiagem e cabelo no dia a dia.
Estava pensando sobre isso um dia que usei muito mais o blush e bronzer do que o usual, porque eu sabia que ia tirar foto naquele dia, e a luz sempre apaga um pouco a cor da maquiagem. Uma dica fácil e boba, mas que só aprendi convivendo no meio, então vim dar as 10 melhores dicas que aprendi com beauty e hair artists.
1- Skicare e massagem facial são essenciais e mudam totalmente o aspecto da maquiagem. Os maquiadores ficam em torno de 5-10 minutos massageando o rosto das modelos, principalmente para obter um efeito lift nas fotos.
2- Se você for tirar fotos, exagere no blush porque a luz vai absorver a cor e não vai aparecer tanto quanto ao vivo
3- Use bronzer em tons quentes onde o sol bate naturalmente no seu rosto. Tira uma foto embaixo do sol do meio dia e veja onde faz sombra e onde tem luz. Onde tiver luz é exatamente onde você aplica o produto.
4- O melhor efeito para o triondas perfeito é usar com babyliss junto.
5- Nunca passe rímel nos cíliosos de baixo. A chance de borrar e parecer que você tem uma olheira super marcada é quase 90%
6- Pó rosa embaixo dos olhos ajuda a iluminar o seu olhar
7- Você precisa de um pincel grande para blend todos os produtos de maquiagem.
8- O blush é um produto que muda completamente o seu rosto. Se você quiser um olhar mais esticado, aplica até o ossinho das bochechas, perto do olho.
9- Quanto menos produto você usa, mais ele dura no seu rosto
10 - Não encosta no seu cabelo por pelo menos 1 minuto depois de passar o fixador. Ele precisa secar completamente para de fato fixar.

A APL é uma marca que une luxo, moda e performance de uma maneira muito única. Fundada em 2009, ela é a definição perfeita de um wellness luxury.
Recentemente, vi essa loja deles em NY que traduz perfeitamente a ideia central da marca. Nada de excesso visual, mas sem deixar o ambiente minimalista demais ou sem graça. É quase sensorial, com volumes orgânicos, pedra em tons suaves e uma iluminação que lembra uma de galeria de arte.
Os tênis aparecem como objetos expostos, não como produto de prateleira — e o provador segue essa lógica, mais próximo de um ambiente de bem-estar do que de uma loja esportiva.
Hoje em dia a loja física importa mais do que nunca. Com o online saturado e a poucos cliques de distância de qualquer marca, é no espaço físico que se cria desejo, vínculo e memória.

🍝 Carb up? A Adidas fez um macarrão especial no formato do AdiZero para um dia antes da maratona de Dubai
👜 Labubu is over, Bratz is in. Cult Gaia desfilou com chaveiros de mini Bratz, e eu infelizmente amei.
🐕 Essa jaqueta que o Jacob Elordi usou no aeroporto é uma das minhas peças favoritas dele. Simplesmente conta diversos highlights da vida dele. Até a cachorrinha Layla
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